(Entrevista também transmitida pela TV Cidade Livre de Brasília, Canal 12 da NET (Só DF), às segundas, às sete da manhã, às quartas, às 19:30, e às quintas-feiras, às 13 horas.)
O papel do Papa Francisco, o ex-cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, em recriar a Igreja Católica é o tema da entrevista de FC Leite Filho, do Café na Política, com o cientista político Francisco Cortez. Este ex-seminarista e estudioso dos vários papados, tendo vivido muitos anos como representante do Banco do Brasil em Pequim, Tóquio, Estocolmo, França e Los Angeles, examina Francisco a partir de ações concretas, como o rompimento de fronteiras ideológicas, econômicas e até de costumes que limitavam seus antecessores. Suas propostas de beatificação de Dom Helder Câmara, do Brasil, desprezado pelas nossas elites como “o padre das passeatas”, e do arcebispo de El Salvador, Óscar Romero, assassinado, em 1980, durante uma missa em plena guerra civil naquele país, representam para Cortez a prioridade na agenda do líder dos católicos para as populações marginalizadas da América Latina e da África, e sua preocupação em não estigmatizar os presidentes progressistas do continente, são exemplos intangíveis da atual determinação papal.

Cortez ainda examina as atitudes de Francisco destinadas a neutralizar o poder excessivo da Cúria Romana, que imobilizava vários de outros papas, inclusive Bento XVI,  obrigado a renunciar, em 2013, sem ter completado oito anos do mandato vitalício, seu desapego pelas pompas principescas, preferindo residir num apartamento mais simples no Vaticano e seu destemor em quebrar tabus como a sexualidade, o celibato e a própria questão das denúncias de pedofilia infantil entre padres.
Neste domingo, 10 de maio de 2015, o Papa Francisco recebe no Vaticano o presidente de Cuba, Raul Castro, que fez questão de agradecer-lhe, pessoalmente, pelas gestões que redundaram na reaproximação de seu país com os Estados Unidos, após mais de 50 anos de litígio. O encontro deverá também abordar sua passagem por Havana de Francisco a Cuba, em setembro, antes de embarcar para uma visita de cinco dias aos Estados Unidos.