sábado, 11 de julho de 2015

O mês da festa chegou!

Fernando Antonio Bezerra*

Foto Festa de Sant'Ana de Caicó: Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
Mês de julho chegou e todo ano tem! Tem, sim, uma festa famosa com banda que toca na procissão vendo o choro de beatas e de boêmios, de quem chega e de quem sai. Todo ano tem uma festa famosa na região. É a festa da fé; é a festa da família; é a festa do abraço; é a festa de Joaquim e Ana de Caicó; é a maior Festa de Sant'Ana do Brasil!

“Espetáculo de fé,
no sertão do Seridó!
Chega tarde e parte cedo
Quem visita o nosso pó.
Peregrino de Sant'Ana,
sê bem vindo a Caicó.”

Quem está longe, logo corre: “ó, mana, deixa eu ir”; ó, mana, eu vou até sozinho; mas, mana, deixe-me ir para o sertão do Caicó! “Eu vou andar com Sant'Ana, vou carregar seu andor; eu vou levar pra Sant'Ana o meu pezinho de flor.” Ana, mulher santa de Deus, mãe de Maria, avó de Jesus, rogai por quem lhe roga!

Não há outro tempo igual. O cenário, as cores, o clima, as pessoas, enfim, tudo passa a ter uma nova moldura no mês de Sant'Ana. É o mês das melhores roupas; da apresentação mais apurada; da mesa farta e da vontade em receber gente. É o mês da Festa! É, afinal, o marco divisor do calendário caicoense e já foi declamada em prosa e cantada em versos que vão desde o Padre Gleiber, sacerdote, até nomes consagrados na música nacional como Quinteto Violado, Elba Ramalho, Ary Lobo, Milton Nascimento, Chico César, Dodora Cardoso e Elino Julião, dentre tantos outros.

O Seridó, de fato, é uma porção muito especial do território brasileiro e Caicó, sua capital, tem uma história - de superação e resistência - digna de registro nas melhores páginas da história brasileira. Os que chegaram primeiro, mesmo não tendo cana-de-açucar, ouro ou extração vegetal significativa, conseguiram viabilizar a permanência na região a partir da pecuária e, tempos depois, da cultura do algodão, de atividades industriais e de outros meios econômicos menos expressivos, mas, igualmente, importantes para assegurar a sobrevivência no semiárido. O caicoense foi, enfim, se amoldando aos desafios da economia, do trabalho e da vida.

E a Festa de Sant'Ana, além de tudo que representa como evento e reencontro, é também uma manifestação da importância que teve – e tem - a Igreja Católica, Apostólica, Romana na formação do povo caicoense e de suas intervenções positivas na organização da sociedade local. E não é de hoje! Vem de muito tempo. Como, aliás, também é bem antiga a devoção a Sant'Ana. Remonta aos primeiros colonizadores e a vinculação da Senhora Sant'Ana com os sertões e suas atividades de criar e plantar. O marco histórico de 1748 é sempre lembrado com destaque, porque no mês de Julho daquele ano se deu a instalação da Freguesia Mater e a primeira procissão de Sant´Ana em Caicó. Muitos anos depois, em 1939, foi criada a Diocese de Caicó, instalada solenemente no dia 28 de julho de 1940, tendo como padroeira a Senhora Sant'Ana.

Muitos construíram a devoção e a Festa, fazendo-a, inclusive, patrimônio imaterial do Brasil. Entretanto, de 1966 a 2012 um líder religioso foi decisivo à frente da coordenação da Festa. Ainda bem vivo, Graças a Deus, como Emérito, ele não é o Pároco, mas sua voz ainda ecoa dizendo: “a festa é um estrondo!” Refiro-me ao muito estimado Monsenhor Antenor Salvino de Araújo e sobre ele ainda vamos conversar outras vezes, mas, nenhuma voz foi tão marcante e firme ao dizer que a imagem, de tão bela, parecia falar e, em seguida, provocar o povo a abrir o peito e gritar com emoção: “Viva Sant'Ana; Viva Sant'Ana de Caicó!”.

*Fernando Antonio Bezerra é potiguar do Seridó

- Com post na página do Bar de Ferreirinha.

Vídeo
Abaixo, um vídeo postado nas redes sociais - com a musica “Caicó, linda cabocla”,
letra do poeta José Lucas de Barros -, sem identificação do intérprete.

video




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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 7/11/2015 09:02:00 AM