sábado, 8 de agosto de 2015


Morre jornalista Ticiano Duarte

Publicação: 2015-08-08 08:11:00 | Comentários: 0Tribuna do Norte

Faleceu na madrugada de hoje (8), aos 84 anos, o advogado e jornalista Ticiano Duarte. Ex-diretor de redação da Tribuna do Norte participava do Festival Literário da Pipa (Flipipa), em Tibau do Sul. Ele teve uma parada cardíaca durante a madrugada.
Emanuel AmaralTiciano Duarte tinha 84 anos e participava do FlipipaTiciano Duarte tinha 84 anos e participava do Flipipa

De acordo com familiares, Ticiano Duarte tomava medicações para o coração, mas não eram problemas graves e ele estava bem. Ele participou normalmente das atividades do Flipipa durante a tarde e noite, quando retornou ao hotel em Tibau do Sul. Por volta das 4h, o jornalista começou a passar mal e foi levado até uma unidade de saúde na cidade, onde já chegou sem batimentos cardíacos. Os médicos tentaram a reanimação durante aproximadamente 30 minutos, mas Ticiano Duarte teve a morte momentos após chegar à unidade.

Imortal da Academia Norte-Riograndense de Letras, Ticiano Duarte foi professor do curso de Comunicação da UFRN, delegado do Trabalho, líder maçônico, além de ser respeitado historiador e pesquisador potiguar. Torcedor e conselheiro do América Futebol Clube, Ticiano Duarte escrevia às quartas-feiras para a Tribuna do Norte.

A família informou que o velório de Ticiano Duarte ocorrerá a partir da tarde de hoje em templo da Maçonaria, no Tirol, e o sepultamento ocorrerá no cemitério Parque Morada da Paz, em Emaús, em horário a ser definido.

História (por Woden Madruga, 2011)

Ticiano Duarte descobriu as redações dos jornais ainda adolescente. Primeiramente em A República, governo de José Varela, final dos anos 40 começo dos 50. Por aí já fazia política estudantil, eleições do Centro Estudantil Potiguar, ele eleito deputado dos ginasianos. Tempos de Valtércio Bandeira de Melo, Joanilo de Paula Rego, Aderbal Morelli, José Fagundes de Menezes, Nabor de Azevedo Maia, Luís Bezerra, William Colbert. O Grande Ponto em alvoroço.

Da República, Ticiano passou para o Diário de Natal, tempos de Edilson Varela e Veríssimo de Melo, Lenine Pinto, Luís Maranhão, Antônio Pinto de Medeiros. Viagens a Maceió para cursar Direito. Rua do Sol na companhia do poeta Gilberto Avelino.  Repórter, cobria Assembleia Legislativa, Palácio Potengi, convivendo com os políticos. Mais tarde seria chefe de gabinete do prefeito Djalma Maranhão e secretário (Interior e Justiça) do Governo Aluízio Alves. Mais recentemente, delegado do Ministério do Trabalho. Depois, auditor do Tribunal de Contas. Várias cátedras. Dos expedientes palacianos uma esticada aos bares, às peixadas das Rocas, às noitadas que alcançavam as madrugadas, Natal Clube, Maria Boa. O encantador ofício da boemia com os amigos, as amigas, os artistas, pintores e poetas. Ticiano participou de todos esses movimentos culturais havidos na província, a partir da década de 40.

Fez teatro amador integrando o grupo “Os Farsantes”, liderado por Newton Navarro. Mais adiante aparece no elenco de um novo grupo, Teatro Experimental de Artes, também com Navarro, mais Moacir de Goes, Geraldo Carvalho, Humberto Magalhães e Marcelo Fernandes. Montam a peça  “Cantam as Harpas de Sião”, de Ariano Suassuna. O jornalismo e a política roubam-lhe a cena teatral. A ribalta agora é outra

Final dos anos 60, na ditadura militar que cassou Aluizio Alves, Ticiano assumiu a editoria da Tribuna do Norte. Foi chamado muitas vezes ao Quartel General (comando do Exército). Terminou sendo enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Julgado em Recife, foi absolvido. Comemorou-se em todos os bares. A boemia, o bom uísque, a liberdade de expressão, o bom papo jamais serão cassados.

Pai de dois filhos, seis netos e sete bisnetos, Ticiano, ao lado de Iaponira, chega aos 80 anos com o mesmo espírito e charme da juventude, acrescidos de uma elegante bengala e suspensórios nem tanto. Fraterno e amigo, cultor da solidariedade, fiel às amizades  e  ao uísque, à boa convivência com os bons companheiros ao quais faz sempre, todos os dias, a mesma pergunta: “Alguma novidade?”

De Ticiano, usando um bordão bem seu, eu diria: é uma Grande Figura! E ele responderia, certamente, com os versos de Drummond, voz pausada: Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo.

Um comentário:

  1. A última vez que conversei com o professor Ticiano Duarte, paraninfo da minha turma de Comunicação Social da UFRN, foi na noite da posse do professor Carlos Roberto de Miranda Gomes,na Academia de Letras, onde relembramos o jantar na casa dele, em Nova Dimensão, que contou com as presenças das esposas dos concluintes (3), de Berilo Wanderley, de Ticiano. Bom papo, boêmio apreciador de uísque e vinho, Ticiano Duarte, sentado, no salão de recepções, perguntou por Caboré (Oorlando Rodrigues) e Dermi Azevedo e mandou lembranças para os antigos companheiros de jornalismo.

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