domingo, 28 de maio de 2017

Casos de câncer de pele avançam no Brasil e preocupam dermatologistas

Natal, 30 graus, céu azul e poucas nuvens. Esse foi o cenário encontrado pelos dermatologistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte que debateram nesta sexta (26) e sábado (27) na capital potiguar o avanço dos casos de câncer de pele no Brasil.
A doença se manifesta em diferentes formatos e tipos: o mais agressivo é o melanoma. E ele assusta. E não é para menos. O percentual dos casos de melanoma representa apenas 5% do total de números de câncer de pele, mas é o que tem o maior índice de mortalidade. "Por ano morrem mais de 1.500 pacientes com câncer de pele do tipo melanoma no país", destaca o dermatologista e diretor do Grupo Brasileira de Melanoma (GBM), Dr. Elimar Gomes. Por ano, são 3 mil casos de morte por câncer de pele no país.
O melanoma é um tumor maligno originário dos melanócitos. Na maioria das vezes ele surge de uma forma que chamamos de "novo" ou seja, não existe um sinal pré-existente. Dados apontam que em 15% dos casos ele surge de pintas já existentes, principalmente as atípicas. "Quantos mais nevos (pintas), maior chance de melanoma", comenta Dr. Elimar Gomes.
O histórico familiar e as condições de exposição ao sol durante toda a vida também são fatores que proporcionam o aumento dos casos de câncer de pele.
O debate foi proposto pela Sociedade Brasileira de Dermatologia no RN (SBDRN), a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e o Grupo Brasileiro de Dermatologia (GBM) e reuniu mais de 80 dermatologistas. "A modernização em relação a compreensão da biologia e da patogênese dos casos de câncer de pele, junto com os avanços dos tratamentos, são importantes para salvar vidas", destaca a dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no RN, Dra. Danielle Espinel.
No caso do melanoma, a exposição excessiva a radiação ultravioleta, ao ar livre ou em câmaras de bronzeamento, e qualquer histórico de queimaduras solares tem papel diferenciado no desenvolvimento de câncer de pele mais agressivo, principalmente em pessoas de pele clara.
Na maioria das vezes, o melanoma ocorre em áreas mais expostas (braços, pernas), mas pode ocorrer em regiões cobertas (como é o caso das costas). "É preciso que as pessoas consultem sempre um dermatologista para avaliar sinais e mudanças na pele", destaca Dra. Danielle Espinel.
O Rio Grande do Norte é o segundo estado com maior incidência de raios ultravioletas no Brasil.
Melanoma
As características do melanoma geralmente são: a desconformidade no formato do sinal; as bordas irregulares que dificultam a definição. A cor também geralmente é diferente dos tons marrons mesclados com azul e a mistura de forma não homogênea. O diâmetro também é algo diferenciado quando se trata de um sinal com melanoma: geralmente têm mais de 6 milímetros de diâmetro e ocorre transformação do sinal.
Bronzeamento artificial
Bronzeamento artificial antes dos 35 anos aumenta em 75% o risco de câncer de pele, além de acelerar o envelhecimento precoce. As câmaras de bronzeamento artificial trazem riscos à saúde e por isso, foram reclassificadas como agentes cancerígenos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2009, assim como o cigarro e o sol. A atividade de bronzeamento artificial é proibida no Brasil. O uso de substâncias para bronzeamento ao ar livre também é contraindicado por dermatologistas.