Espaço destinado a divulgação de fatos relacionados ao bairro de Candelária, na zona sul de Natal/RN, destacando a vida comunitária e interesses da coletividade.
sábado, 24 de setembro de 2011
Caixas do BB fechados.
O aviso foi colocado na tela: "Este caixa somente funciona nos dias úteis". Foi o que li, ao meio-dia deste sábado, 24, na farmácia Globo, na avenida Prudente de Morais, em Candelária, bairro de Natal com mais de 20 mil habitantes. Estaria o Banco do Brasil se preparando para a greve geral dos bancários que se aproxima? Será uma medida geral, para todos os caixas eletrônicos da "capítal espacial do Brasil"? Cadê os vereadores, os diretores de conselhos comunitários? O que eles vão dizer? Vai ficar assim mesmo? No próximo feriadão, estarão todos os caixas eletrônicos fechados, de sábado (1) até o dia 3 de outubro? E agora, José?
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
BURACOS
Buraco que todo mundo fala,
Buraco que todo mundo tem.
Que tem na minha rua,
Na sua rua também.
Buraco que temos atrás,
Buraco que temos na frente.
No dente doído com cárie,
Que tanto perturba a gente.
No cemitério é cova,
É jogo no carteado.
No baleado é prova,
No morto `a faca é furado.
Nas rodovias: " Boca de Pilão ".
" Buraco Negro " na imensidão do universo.
Na praia " cacimbão",
Eita buraco perverso.
Buraco nas finanças,
No Estado, na Nação.
Na merenda das crianças.
Na saúde, na Educação.
Buraco no bolso do povo,
Só por falta de dinheiro.
A inflação vem crescendo,
Sofrimento o ano inteiro.
Buraco de todas as formas,
Físicas e morais.
Descumprimento das normas,
O povo não aguenta mais.
De tanto falar em " BURACOS",
Que prá mim não é novidade.
Vamos " tapar" o da fome,
Fazendo mais caridade.
Colaboração do poeta maior de Candelária, Oscar Homem de Siqueira, meu amigo de infância e adolescência. Uma revelação poética da Cidade do Sol.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Um artigo do advogado Marcos Pinto.
DESCENDENTES DE CRISTÃOS-NOVOS EM APODI. (Por Marcos Pinto)
Os Cristãos-Novos compõem um doloroso capítulo das histórias de Portugal e do Brasil, posto que foram vítimas do famigerado período da truculenta INQUISIÇÃO, promovida pela Igreja Católica Apostólica Romana contra os Judeus. Em 1496, talvez 20% da população portuguesa fossem representados pelos judeus. Ao casar-se no ano anterior, d. Manuel assumira com o
sogro, o rei Dom Fernando, da Espanha, o compromisso de expulsar os judeus de Portugal, o que o levou a ordenar tal providência
através do decreto de 24 de Dezembro de 1496.
A única opção restante para aqueles que pretendessem continuar no Reino, seria aceitar o batismo da fé católica, o
que sucedeu com a grande maioria dos judeus residentes em Portugal. Em Outubro de 1497 ocorreu o batismo forçado de todos
os judeus portugueses, e a 21 de Abril de 1499 foi proibida a saída dos conversos do reino. Com o batismo forçado surgiu a
denominação de CRISTÃOS-NOVOS, aplicável aqueles que recentemente havia recebido o dito Sacramento, mas que se estendeu
aos seus descendentes. A 1º de Março de 1507 os conversos foram considerados em tudo iguais aos CRISTÃOS-VELHOS. Em 23
de Maio de 1536 a Inquisição foi instituída em Portugal por decreto do Papa a pedido do rei D. João III. A finalidade da Inquisição,
ou Santo Ofício, seria processar e julgar cristãos-novos que continuassem a judaizar secretamente.
Como era grande o processo de perseguição aos Cristãos-novos residentes na Paraíba, muitos vieram fixar residências nas Serras de Martins e de Portalegre, lugares ermos e distantes da civilização. O sangue cristão-novo que aportou em Apodi tinha a Paraíba como origem, e de lá veio para Portalegre, na pessoa do Judeu Cristã--Novo AMBRÓSIO VIEIRA. vejamos a descendência através do seguinte esboço genealógico:
* AMBRÓSIO VIEIRA - Casou com a Cristã-Nova JOANA DO REGO. Residiam na Paraíba.
. Foram pais de:
F.01- CLARA HENRIQUES - Casou com JOÃO NUNES.
. Foram pais de:
N.01- CLARA HENRIQUES DA FONSECA:
. Cristã-Nova, nascida no ano de 1660. Moradora no Engenho Santo André, na Paraíba.
. Casou na Paraíba com ANTONIO DIAS PINHEIRO, mestre de açucar, natural do Cucaú.
. Clara foi objeto do processo nº 8.879, da Inquisição de Lisboa (Portugal) Auto de Fé de 17.06.1731, no qual foi condenada
a cárcere e hábito perpétuo.
. Foram pais de:
BN.01- ANTONIO DA FONSECA REGO:
. Nasceu no ano de 1682, em Olinda-PE.
. Era lavrador de cana-de-açucar, morador no Engenho Velho, situado ao norte do rio paraíba, no atual município de
Santa Rita, na Paraíba.
. Casou-se com MARIA DE VALENÇA, filha legítima de Luís de Valença e de Filipa da Fonseca.
. Antonio foi preso a 22.07.1729, processo de nº 10.476 e Auto-de-Fé de 06.07.1732. acusado de judaísmo e feitiçaria,
foi condenado a cárcere e hábito perpétuo sem remissão.
. Maria de Valença nasceu cerca do ano de 1700, era natural do Engenho do Meio, situado no atual município de Santa
Rita-PB. Seu processo tem o nº 1.530, Auto-de-fé de 17.06.1731. Segunda vez foi condenada a cárcere e hábito per-
pétuo sem remissão, no Auto-de-fé de 20.07.1756.
. Foram pais de:
TN.01- JOANA NUNES DA FONSECA:
. Casou com o capitão JOÃO SOARES FILGUEIRA, irmão de Joana Filgueira de Jesus, mulher do capitão Manuel Carneiro
de Freitas, residentes em Portalegre-RN.
. Já eram falecidos no ano de 1797.
. Foram pais de:
QN.01- FLORÊNCIA NUNES DA FONSECA:
. Casou por volta do ano de 1786 com JOÃO FRANCISCO FERNANDES PIMENTA, nascido em 1760 e falecido no ano
de 1820, filho do Capitão Antonio Fernandes Pimenta e Joana Franklina do Amor Divino.
. Florência faleceu no ano de 1820.
. Foram pais de:
PN.01- JOÃO FRANCISCO FERNANDES PIMENTA (Repete o nome do pai):
. Nasceu em 1790, em Upanema, da Freguesia (paróquia) do Assu-RN.
. Casou no ano de 1819 em Jardim de Piranhas-RN com MARIA BRASILINA CAVALCANTI, filha do Capitão Gonçalo
José Cavalcanti e Ana Clara de Ataíde.
. Era irmão do Capitão Manoel Fernandes Pimenta, que casou-se no Apodi com Antonia Senhorinha de Jesus, que é a
mesma Antonia da Mota Ferreira, filha do Capitão José Ferreira da Mota e de Florência Maria de Jesus.
. Foram pais de:
HN.01- EMÍLIA ANATILDES FERNANDES BONAVIDES:
. Nasceu a 19 de Outubro de 1843, na fazenda Jatobá, na Paraíba, e foi batizada na Capela de Conceição do Arruda-PB.
. Casou com o sr. JOSÉ DA MOTA FERREIRA ZUZA, natural de Apodi, filho de Antonio da Mota Ribeiro (2º deste nome e
neto paterno do 1º) e de Joana Franklina do Amor Divino.
. Era prima legitima do esposo, que era filho de sua tia paterna Joana Franklina.
. Faleceu no sítio "Mineiro" (Apodi) a 11.02.1933 aos 89 anos de idade.
. Foram pais de:
ON.01- ANTONIO DA MOTA RIBEIRO - Casado com Francisca Fernandes da Mota.
ON.02- RAIMUNDO NONATO FERREIRA DA MOTA (Historiador) - Casado com Francisca Praxedes Fernandes da Mota.
ON.03- HENRIQUE F. DA MOTA - Casado com Maria Alzira Fernandes.
ON.04- FRANCISCO DE ASSÍS MOTA - Casado com Maria Gonzaga Noronha. (São pais de Necí, casada com Luís Galdino).
ON.05- JOSÉ DA MOTA FERREIRA FILHO - Casado com Maria Idalina de Aceto Mota (São os pais de Lourdes Mota e Isa Mota).
ON.06- ANA EMÍLIA DA MOTA FERNANDES - Casado com Epaminondas Fernandes Praxedes.
(FONTE DE PESQUISA: Até a cristã-nova Florência Nunes da Fonseca: Vide livro "ACONTECEU NA CAPITANIA DO
RIO GRANDE" - págs. 166/167. Autor: Olavo de Medeiros Filho. Natal 1997. FONTE SOBRE OS FERNANDES PIMENTA -
Acervo de Marcos Pinto.)
Por considerar uma importante contribuição ao estudo da influência judaica no Rio Grande do Norte, republicamos o artigo do dr. Marcos Pinto, advogado em Mossoró e integrante da família Pinto de Apodi, terra do saudoso desembargador Newton Pinto.
a) Luiz Gonzaga Cortez.
domingo, 18 de setembro de 2011
Idoso de 90 anos com 50 filhos: reportagens repercutem em São Paulo.
Idoso de 90 anos tem 50 filhos no Rio Grande do Norte; 33 são com mulher, cunhada e sogra
Aliny Gama
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió
Luiz Costa Oliveira, 90, ao lado das "três Franciscas" - mulher, cunhada e sogra - com quem teve 33 filhos
Aparentemente, as sertanejas Francisca Maria da Silva, 89, Maria Francisca da Silva, 69, e Ozelita Francisca da Silva, 58, têm uma vida comum para quem mora no interior do Nordeste, dedicando todo o tempo para cuidar das casas onde vivem. Além do fato de serem mãe e filhas, as três dividem casa, comida e carinho com o mesmo marido há mais de 40 anos.
O agricultor aposentado Luiz Costa de Oliveira, 90, vive maritalmente com a mulher, com a cunhada e com a sogra no município de Campo Grande (270 km de Natal), e com as três teve nada menos que 33 filhos. Outros 17 vieram do primeiro casamento. Além da meia centena oficial, existem ainda outros três, dos quais ele não tem certeza da paternidade. Mas também não nega.
A filha mais nova de seu Luiz tem 13 anos, o mais velho, 54. A lista de membros da nova família Oliveira é extensa. A primeira mulher do trio, Maria Francisca, é mãe de 17 filhos. Em seguida, no segundo casamento com a irmã da esposa, Ozelita, foram mais 15. Para não perder a oportunidade, ainda fez um filho com a sogra, dona Francisca Maria. “Tempo desses apareceram mais três dizendo que ‘era’ meu, mas não tenho certeza, mas também não vou negar”, disse Oliveira.
Apesar da grande quantidade de filhos, apenas 38 estão vivos, e a maioria mora em Campo Grande. A lista de herdeiros aumenta com o número de netos. São 100 netos e 60 bisnetos.
Três mulheres
Seu Luiz conta que a relação com as três mulheres começou depois que ele ficou viúvo da primeira mulher e “se juntou” com Maria Francisca da Silva, a “Francisca Velha”. “Fiquei com 17 filhos para criar, e a ‘véia’ se prontificou a me ajudar. Logo depois começaram a vir os nossos filhos”, disse, explicando que a cunhada, Ozelita, vinha cuidar da irmã no período de resguardo e também "dava assistência” a ele.
“Não escondo que sempre fui namorador. A melhor coisa do mundo é mulher, e meu divertimento era namorar. Preferi que meus namoros ficassem em casa, e elas se entenderam. Nunca houve uma briga, pois eu lembro muito bem que dava conta de todas, além de trabalhar muito na roça para sustentar todos os meus filhos. Nunca faltou nada para ninguém”, disse.
O homem conta que o início do namoro com a sogra também aconteceu no período de resguardo da mulher e da cunhada. Ele tem apenas um filho com ela. A cunhada e “segunda mulher” de Oliveira, Ozelita, conta que o segredo de dividir o marido é a união da família e o amor por igual que ele tem. “Nunca houve distinção. O jeito conquistador dele conseguiu a paz e a união da nossa família. A gente não tem ciúme porque a gente sabe da dedicação dele por todas nós”, disse, ressaltando que as três Franciscas não aceitariam dividir com mais outra pessoa o amor de Oliveira. “Ia ter briga se ele arrumasse uma amante, com certeza.”
Duas casas
Com uma família maior que a tradicional, seu Luiz conta que vive com a mulher em uma casa e mantém a cunhada e a sogra numa outra próxima. Ele diz que tenta distribuir seu tempo para dar assistência às duas casas.
“Antes eram as três mulheres juntas. Mas como são muitos filhos, meu pai conseguiu comprar uma casa mais nova e deu para a minha tia”, disse Cosme da Silva Costa, 18, um dos filhos.
Veja reportagens em O POTI, de Natal, e Gazeta do Oeste, de Mossoró/RN/edições de hoje 18.09.2011.
Sumiu o monstrengo.
O feio canteiro central da rua Bento Gonçlaves, artéria importante de Candelária, está tomando nova configuração com o desbaste da alvenaria das extremidades e um melhor aproveitamento do espaço para ajardinamento. Era uma velha reivindicação dos moradores e condutores de veículos. No centro do canteiro foram colocadas lombadas redutoras de velocidade, nos dois sentidos de direção, com o objetivo de dar mais segurança aos pedestres que atravessam a via e às pessoas que ficam na parada de ônibus esperando os coletivos. Tudo é obra municipal. A reivindcação inicial foi deste blog e dos meios de comunicação social de Natal, tendo em vista que antigo e bonito canteiro foi destruído pelos condutores de carrões embriagados, nas madrugadas de fins semanas, num processo rápido, nos útlimos três anos. Desconhecemos se algum vereador pediu o apressamento dessa pequena obra urbanística. Portanto, a prefeita Micarla de Souza está de parabéns. Os alunos, professores e funcionários da Escola Estadual Governador Valfredo Gurgel, além dos moradores e comerciantes do bairro de Candelára, agradecem a melhoria do seu equipamento urbano.Vamos agora lutar pelo prosseguimento dos trabalhos de recapeamento da malha viária de Candelária, tapando todos os buracos, melhorando a sinalização vertical e horizontal e colocando novos semáforos nos cruzamentos que são os novos pontos críticos de Candelária.
Luiz Gonzaga Cortez, jornalista.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Relembrando os anos setenta: pedaços da resistência ao regime militar.
Isolda Fernandes,
A primeira presa
Política de Natal.
Luiz Gonzaga Cortez *
A areaibranquense Isolda Costa Fernandes foi a primeira presa política trancafiada na antiga Penitenciária Central Dr. João Chaves, na zona norte de Natal, no inicio dos anos setenta. Foi a primeira mulher apenada da famigerada “Universidade do Crime” e “Caldeirão do Diabo”. Em 1991, eu procurei Isolda e o companheiro Antonio Pinheiro, para uma entrevista sobre a atuação dos dois contra o regime militar. Ambos falaram, mas a mãe dela não concordou e pediu que ela desistisse da publicação da matéria. A mãe, cardíaca, estava temerosa de represálias. Havia mais de oito anos que o regime militar era página virada na História do Brasil, mas muitos ex-presos políticos viviam na semi-clandestinidade ou se recusavam dar entrevistas. Talvez achassem que o momento não era oportuno. Outros prometeram falar, mas desistiram, como José Gersino Saraiva Maia e Rubens Lemos, ambos egressos do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário-PCBR, movimento da esquerda armada esfacelado pela repressão policial na década de 70. O companheiro de Isolda, Antonio Pinheiro, primo de José Silton Pinheiro Gomes, deu entrevista que foi publicada.
A entrevista com Isolda Fernandes não constou da série de reportagens “Histórias da Resistência ao Regime Militar”, publicadas na Tribuna do Norte. Natural de Areia Branca/RN, mas ela foi a primeira mulher presa pela polícia política em Natal, após uma panfletagem na entrada da antiga fábrica de confecções “Guararapes”, na Avenida Bernardo Vieira, onde hoje é o “Miduei”, em Lagoa Seca. Guardei os apontamentos da entrevista com Isolda durante 20 anos, atendendo ao seu apelo nesse sentido, pois a sua mãe passou mal quando soube que ela tinha falado a um jornalista da TN. Mas um encontro casual num corredor da “Policlinica do Alecrim”, no 1º semestre de 2010, após vê-la sair de um apartamento em que estava internado um irmão dela, eu a reconheci e disse que tinha feito uma entrevista com ela, ainda não publicada. “Não me lembrava mais dessa entrevista, mas gostaria de lê-la”, disse. A mãe dela pediu para ela desistir da publicação da entrevista. No mesmo local, avistei Haroldo, outro irmão dela, meu contemporâneo da Escola Industrial de Natal, nos anos sessenta,mas isso é outra história. Ela conta um pouco de sua militância esquerdista.
P – Você entrou muito jovem na luta armada?
Isolda – Não, eu vim de Areia Branca, após ser interna em colégio de Mossoró. Não vim para o movimento estudantil, mas para terminar o ginasial no Colégio Maria Auxiliadora, na avenida Hermes da Fonseca, Tirol, e continuar minhas atividades estudantis e culturais no grêmio. Nenhuma militância político-partidária.
P – Então, você era de uma família de classe média?
Isolda – Não, mas de condições mais ou menos equilibradas. A minha permanência no “Maria Auxiliadora” foi com uma bolsa de estudos. Depois fui para o Instituto Kennedy, participei da Juventude Estudantil Católica-JEC, mas não era conhecida.
P – E entrou num partido...
Isolda – De forma organizada, em partido político, não. Tinha uma atuação sob o ponto de vista cristão, buscando a justiça, a igualdade. Quando entrei na faculdade foi que houve esse ponto de ligação para partido político.
P – Lembra das pessoas que atuaram com você na JEC?
Isolda – Atuei com padre Costa, em Natal, e com o padre Henrique, em Recife. Fazíamos encontros a nível local como com outros Estados. Em várias reuniões, houve a participação do padre Henrique..
O que você fez para sair da JEC e ingressar num partido marxista, após estudar em colégios de freiras em Mossoró e Natal? Como ocorreu essa transição?
Isolda – Foi uma posição muito dolorosa porque a minha convicção cristã chegava a tal ponto que teve um momento que queria ser Freira. Mas a partir da minha participação na JEC e muitas relações sociais em Natal, foram se modificando e tudo isso fazia com que eu começasse a pensar que o caminho que eu queria não era o caminho cristão. Eu não aceitava essa forma de justiça e igualdade que a Igreja pregava porque tudo era igual, não era? Então, na medida em que começava a descobrir essa desigualdade, passava para questões maiores, que naquela época a prática de JEC não abordava. Após uma reflexão muito grande e que me levou a crises pessoais muito fortes, tomei essa opção, uma proposta mais crítica.
P – Após muitas leituras de Marx, Guevara, Chardin, Mao?
Isolda - Não, li um pouco, mas por influência das relações sociais, através das discussões.
P – Na faculdade?
Isolda – Não, não, Só passei dois meses na Fundação José Augusto.
P – Até um colega lhe convidar para entrar no partido?
Isolda – Sim.
P - Bosco Teixeira lhe convidou e você aceitou. Leu alguma coisa do partido antes da decisão?
Isolda – Não, não li nada.
P – Só aceitou a proposta verbal...
Isolda – Na verdade, eu acho... (pausa) apesar de ter rompido com a proposta da Igreja, acho que a convicção junto à esquerda era aquela convicção de muito mais de..... porque não tinha uma convicção sedimentada em questões teóricas, em idéias, em leituras do próprio partido. Então, acho que era vontade de que as coisas mudassem, aquela rebeldia contra injustiças.
P – Você comunicou a sua decisão ao padre Costa ou a alguém da Igreja?
Isolda – Não (risos).
P – Como foi o seu ingresso no PCBR, o 1º contato?
Isolda – A minha vida no PCBR resultou poucas coisas, em algumas reuniões participaram Irapuan e uma menina alva, da mesma idade. Nunca soube nada sobre ela. Só sabia que a situação social-econômica dela era muito boa. Porque você sentia pela presença dela, pela forma de falar, pela presença física dela, mas nunca soube absolutamente nada.
Eu participei de duas panfletagens. Na segunda, eu fui presa numa feira do Alecrim, com Irapuan e essa menina loira.
P – Na Guararapes, você deu uns confeitos a um menino?
Isolda – Não cheguei a distribuir.
P – Mas mandaram você distribuir.
Isolda – A questão da memória me prejudica. Parece que as orientações foram as seguintes: 1º - que eu mesma ia tentar distribuir os panfletos, se as condições fossem favoráveis, se dava certo a distribuição; caso não conseguisse, eu poderia chamar um menino que ficou por ali vendendo picolés ou qualquer outra coisa e pedir para ele entregar os panfletos. Eu fiz isso. 2º - : cheguei a dar ao menino tudo que foi preparado, veja bem, fui para a parada de ônibus para pegar ônibus e ir para casa. Foi quando se aproximou de mim com um policial que estava de serviço e viu. O menino disse que eu tinha dado e eu disse que não dei. Mesmo assim, me levou para uma delegacia que funcionava quase em frente da Guararapes, onde passei a noite e no outro dia me levaram para Recife.
E assim fui processada e condenada a três anos de prisão, sem advogado meu, só advogado do Estado de Pernambuco, em Recife. Depois, fiquei presa no 16º RI, no Tirol, sendo a primeira mulher presa política em Natal. No 16º RI, estava preso um militante da VAR-Palmares, depois trocado pelo embaixador alemão. Ele era filho de militar de alta patente, do Rio de Janeiro ou São Paulo, que foi muito bem tratado aqui depois que tomou veneno para morrer. O veneno estava estragado e não funcionou. Esse rapaz foi super-bem tratado. Nunca soube notícias dele, nem o nome. Acho que Paulo Henrique. Quando a gente estava lá, saiu uma relação com o nome dele e de outro que era de Natal.
P – Você recebia muitas visitas?
Isolda – Iam sempre pessoas da família. Havia um oficial que ia lá , dava uma de pai, dava conselhos, era o tenente Licurgo, hoje juiz de direito.
P – È verdade que você foi torturada em Recife?
Isolda – Cheguei encapuzada.
Eu perguntei se foi logo espancada por policiais do DOI-CODI, numa sala, em Recife, que desfaleceu após receber uma porrada nas costas, que saiu sangue pela boca e ouvidos. Ela confirmou com a cabeça. Isolda também não respondeu se os torturadores estavam encapuzados nem sobre o tempo que permaneceu em Recife, à disposição da Auditoria Militar, nem a respeito da data da sua transferência para a Penitenciária João Chaves, em Igapó, cujo diretor era Juvenal Andrelino, oficial da PM/RN.
P – Passou dois anos no presídio, na rotina ou refletindo sobre o que fez?
Isolda – Não. Na prisão, eu recebi carinho e apoio do pessoal de esquerda e onde, através de cartas, a declaração de Silton, não é? Nós começamos a namorar na prisão. Havia muitas revistas na cela, pois, de repente, passei muitos aperreios por conta dessas cartas e bilhetes de Silton. Apesar da revista, ele botava no cinturão, na meia e sempre passava com elas.
P – Jogou a porta na cara do diretor?
Isolda – Eu era a 1ª e única mulher na penitenciária, que, inclusive, era nova. No inicio, a esposa se aproximou muito de mim para que eu ficasse amiga e me distanciasse do pessoal da prisão. Eu fui chamada. Estava com o diretor um policial do Exército ou do DOPS, um policial civil, querendo informações obre Silton e... Silton me chamava de “Maga”, “Magrinha”, né? Eles pegaram a informação desse tratamento, estavam querendo saber o significado, querendo um cara do Pará... acho que ele morreu.
A 2ª Prisão.
Isolda Fernandes disse que nunca disparou um tiro de revólver em suas poucas ações, mas se lembra que, mesmo assim, foi torturada bastante em Recife. No inicio das torturas, se manteve resistente às pancadas até o dia em que um carcereiro chegou perto dela e disse: “olha, moça, você tem que desmaiar, porque se você ficar durona do jeito que está, eles vão dar mais porradas, você vai sofrer mais”. Eu disse que não faço isso porque seja durona, mas é que eu não sei as informações que eles querem, eu não conheço. A tensão era muito grande, mas eu não ficava como se estivesse sofrendo demais, sabe? Era como se fosse uma pessoa dura.
A professora Isolda Costa Fernandes, 64, depois que saiu da prisão, na década de 70, decidiu sair do Brasil e foi morar em Lima, Peru, graças a ajuda de uma amiga potiguar, Maria Duarte, que já estava lá. Na época, “a esquerda de Natal todinha se organizou para levantar o dinheiro para comprar a passagem dela, gente amiga, muita gente sem militância”, disse Antonio Duarte, seu então companheiro (a entrevista foi feita em março de 1991, no conjunto Ponta Negra, onde o casal vivia). Isolda passou 8 anos no Peru, mas antes de completar esse período de exílio voluntário, ela veio passar férias em Natal, por volta de 1975, antes da anistia.
“Nesse período, vim aqui uma vez, rever a minha família, um ano depois de ser solta. E ocorreu um episódio super desagradável, triste. Na época, houve uma atividade panfletária muito grande em Natal. Não sei se foi no Colégio Churchill ou na Escola Técnica Federal, mas foi exatamente depois que cheguei. Sei que foi uma panfletagem que há muito tempo não se via em Natal. A polícia federal foi na minha casa, me levaram e interrogaram porque pensaram que eu estava envolvida nessa panfletagem. Depois que sai do DOPS, eu procurei sair imediatamente e retornei para Lima. Era época do Natal, mas passei viajando. Foi traumatizante, terrível e minha mãe sofreu horrores. Quem me levou para o DOPS foi o capitão Cleanto. Juliano também foi chamado, foi “Marquês” (?), que mora no Acre, sociólogo (Talvez Isolda se refira ao sociólogo Pedro Vicente, ambos residentes em Natal).
Foto de Luiz Cortez. Data: 21.02.1991.
CAERN atende pelo 08000.
Utilidade Pública.
A Caern, há meses, atende o público pelo telefone 08000-840195 e não por outro número, apesar de um matutino de Natal divulgar o contrário. Em Candelária, os moradores tem outra linha de acesso para informações, reclamações e problemas de abastecimento. È o 3232-4264.
A Caern, há meses, atende o público pelo telefone 08000-840195 e não por outro número, apesar de um matutino de Natal divulgar o contrário. Em Candelária, os moradores tem outra linha de acesso para informações, reclamações e problemas de abastecimento. È o 3232-4264.
Assinar:
Postagens (Atom)
