sábado, 25 de novembro de 2017

Procon Legislativo indica lista de 518 saites não confiáveis para compras

Em dia de 'Black Friday', em que o mercado brasileiro oferece promoções incomuns para o consumidor, e com uma profusão de recomendações de órgãos de defesa do consumidor, o Procon da Assembleia Legislativa tem uma dica especial para o potiguar: muito cuidado com compras pela internet. "Isso porque, a julgar pela experiência do ano passado, não tivemos reclamações sobre compras presenciais. É cada vez menos comum esse tipo de reclamação. Por outro lado, as reclamações por compras na internet é que cresceram. E o consumidor deve ficar atento", orientou o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa, Dari Dantas. De acordo com ele, a 'Black Friday' gera reclamações por compras na internet que estão relacionadas especialmente ao prazo de entrega ou à falta de entrega do produto adquirido. Por isso, o Procon da Assembleia Legislativa recomenda que o consumidor tome cuidado com alguns sites. "Temos uma lista de vários endereços virtuais que recomendamos ao consumidor que passe longe deles, pois serão problema na certa", destacou Dari Dantas. A lista, que tem 518 sites, relaciona endereços que vendem diversos tipos de produtos, de eletroeletrônicos a perfumaria. A relação completa pode ser acessada clicando AQUI Orientações Além da principal dica, o Procon Legislativo orienta o consumidor sobre algumas condutas importantes na hora de fechar a compra. "Uma das que mais recomendo é a questão de ser um consumidor consciente, de comprar aquilo de que você precisa", destaca Dari. Confira as dicas: 1) Faça uma pesquisa nas lojas e nos sites para saber se o desconto aplicado no produto que se pretende adquirir é real. 2) O consumidor não deve se deixar levar por impulso na hora das compras. Para evitar o endividamento, ele só deve adquirir o que realmente precisa; 3) As compras online só devem ser feitas em sites seguros e confiáveis. É importante ficar informado sobre a reputação da loja em que o consumidor pretende comprar; 4) Cuidado com e-mails e sites fraudulentos. O recomendado é entrar diretamente no site da loja e não por meio de links duvidosos enviados por e-mail; 5) Procure no site informações básicas sobre o fornecedor: nome da empresa, CNPJ/CPF, endereços físicos e eletrônicos, telefone e demais informações que possibilitem seu contato e localização; 6) Guarde todos os registros de sua compra, como e-mails de confirmação, códigos de localização e de realização da compra; 7) Verifique se o site da empresa possui conexões seguras para proteção de seus dados. Identifique no início do endereço eletrônico a presença do HTTPS e de um cadeado ativado no canto esquerdo da barra de endereço do seu navegador; 8) Verifique a presença de certificados de segurança de pagamentos nas transações bancárias realizadas com a empresa, não fornecendo seus dados bancários a sites que não possuam certificados de segurança; 9) Evite fazer a compra utilizando computadores de terceiros ou por meio de redes wi-fi públicas; 10) Mantenha a segurança do seu computador em dia, atualizando sempre seu programa antivírus. Fonte: Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

UFRN define data do calendário acadêmico de 2018 ASCOM – Reitoria/UFRN O Conselho de Administração (Consad) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovou o Calendário Universitário de 2018 durante a quarta sessão ordinária de 2017, no último dia 16 de novembro. As datas estão disciplinadas na resolução 063/17 do Consad, cujo teor pode ser acessado no Portal da UFRN, menu “institucional”, “documentos”, “colegiados superiores”. Uma das novidades do calendário aprovado é a mudança de data da Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura (CIENTEC), que tradicionalmente acontece no mês de outubro e que em 2018 ocorrerá no período de 27 a 29 de junho, integrando a programação alusiva aos 60 anos da UFRN.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017



UFRN mantém diálogo com Polícia Federal e Sesed

ASCOM – Reitoria/UFRN

A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângela Maria Paiva Cruz, esteve reunida na manhã desta quinta-feira, 16, com os gestores da Polícia Federal e da Secretaria de Segurança do RN (Sesed), Araquém Alencar Tavares de Lima e Shiela Freitas, respectivamente. As reuniões aconteceram nas sedes dos órgãos e tiveram como objetivo buscar um entendimento comum e contextualizar a situação ocorrida na última terça-feira, 14, quando uma ação militar ocorreu no âmbito da Universidade Federal do rio Grande do Norte (UFRN) sem que a administração central tivesse conhecimento.
Acompanhada de pró-reitores, ouvidor, diretor de centro e pelo diretor de segurança patrimonial, Ângela Paiva explicou que as medidas administrativas para garantir a segurança foram tomadas. Ela destacou que a Diretoria de Segurança Patrimonial (DSP) atuou na orientação em relação ao melhor local para a realização do evento, contribuindo nos momentos anteriores ao evento em si, bem como os membros da DSP estavam presentes quando da chegada dos policiais militares.
Além disso, enfatizou que o pedido à Polícia Federal para a presença dos PMs partiu de pessoas que não possuem relação institucional com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Ao final, a reitora da UFRN reafirmou a necessidade de que a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança do RN trabalhem abertas ao diálogo e à comunicação com a UFRN, realçando ainda o compromisso institucional de contribuir para a harmonização das atribuições específicas das instituições para que cada uma possa cumprir sua respectiva missão.

EM DEFESA DA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

Na última terça-feira, 14 de novembro de 2017, no início da noite, a comunidade universitária foi surpreendida com a presença indevida e não autorizada da Polícia Militar no Campus Universitário da UFRN.

A ação policial foi desencadeada em total desrespeito à UFRN, uma vez que a Reitora, única autoridade legítima e competente para solicitar a interveniência de força policial para salvaguardar a segurança da comunidade universitária, julgadas a pertinência e a excepcionalidade da situação, sequer foi consultada ou comunicada.

A autonomia universitária foi frontalmente ferida e aviltada. Esse fato configura-se, assim, como algo de extrema gravidade institucional e exige o repúdio uníssono dos dirigentes da UFRN.

Diante disso, impõe-se o dever de virem a público para defender a integridade da autonomia universitária, que é condição sine qua non para a existência e o desenvolvimento das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão que caracterizam, no mundo moderno, a Universidade.

Em nome da comunidade universitária, os dirigentes da UFRN reafirmam o compromisso com os valores fundamentais da democracia e dos princípios consagrados na Constituição Federal, dentre os quais se sobrelevam a defesa e o respeito à autonomia universitária por todas as instituições públicas e privadas que compõem a sociedade norte-rio-grandense e a sociedade brasileira.

Natal, 15 de novembro de 2017.

Ângela Maria Paiva Cruz (Reitora)
José Daniel Diniz Melo (Vice-Reitor)
José Ivonildo do Rêgo (Diretor do Instituto Metrópole Digital)
Graco Aurélio Câmara de Melo Viana (Diretor do Centro de Biociências)
Jeferson de Souza Cavalcante (Vice-Diretor do Centro de Biociências)
Hênio Ferreira de Miranda (Diretor do Centro de Ciências da Saúde)
Antonio de Lisboa Lopes Costa (Vice-Diretor do Centro de Ciências da Saúde)
Djalma Ribeiro da Silva (Diretor do Centro de Ciências Exatas e da Terra)
Jeanete Alves Moreira (Vice-Diretora do Centro de Ciências Exatas e da Terra)
Maria das Graças Soares Rodrigues (Diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes)
Sebastião Faustino Pereira Filho (Vice-Diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes)
Maria Arlete Duarte de Araújo (Diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas)
Maria Lussieu da Silva (Vice-Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas)
Márcia Maria Gurgel Ribeiro (Diretora do Centro de Educação)
Jefferson Fernandes Alves (Vice-Diretor do Centro de Educação)
Sandra Kelly de Araujo (Diretora do Centro de Ensino Superior do Seridó)
Alexandro Teixeira Gomes (Vice-Diretor do Centro de Ensino Superior do Seridó)
Luiz Alessandro Pinheiro da Câmara Quiroz (Diretor do Centro de Tecnologia)
Carla Wilza Souza de paula Maitelli (Vice-Diretor do Centro de Tecnologia)
Júlio César de Andrade Neto (Diretor da Escola Agrícola de Jundiaí)
Gerbson Azevedo de Mendonça (Vice-Diretor da Escola Agrícola de Jundiaí)
Douglas do Nascimento Silva (Diretor da Escola de Ciências e Tecnologia)
José Josemar de Oliveira Junior (Vice-Diretor da Escola de Ciências e Tecnologia)
Jean Joubert Freitas Mendes (Diretor da Escola de Música)
Valéria Lázaro de Carvalho (Vice-Diretora da Escola de Música)
Edvaldo Vasconcelos de Carvalho Filho (Diretor da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi)
Dimitri Taurino Guedes (Vice-Diretor da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi)
Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro (Diretor do Instituto do Cérebro)
Kerstin Schmidt (Vice-Diretor do Instituto do Cérebro)
George Dantas (Diretor da Escola Multicampi de Ciências Médicas)
Lucas Pereira de Melo (Vice-Diretor da Escola Multicampi de Ciências Médicas)
Edilene Rodrigues da Silva (Diretora da Escola de Saúde)
Gilvania Magda Luz de Aquino (Vice-Diretora da Escola de Saúde)

sábado, 11 de novembro de 2017

"Os burros são mais inteligentes do que alguns cidadãos que cuidam dos problemas do Brasil".

BURROS INTELIGENTES
Prof. Francisco Rodrigues Alves *

Não sei por que dizem que os burros são bichos destituídos de inteligência, ao ponto de muitos homens serem chamados asnos ou burros, numa alusão aos pobres animais.

Agripino Grieco lamenta a fama que têm os burros, tantas vezes lúcidos e capazes. E acrescenta: Em viagens noturnas, adivinham buracos, no escuro, com uma paciência que falta a muitos homens de governo.

Raimundo Maranhão conta-me a estória de uma burra que, no serviço de carregamento de cana do engenho de seu pai, parava quando a sirene avisava a hora do almoço, ou do fim do dia.

O escritor Raimundo Nonato também me falou sobre vários casos de inteligência de burros, inclusive de um que, em Serra Negra, era exímio abridor de porteiras, e cancelas.
Todos conhecem a estória do “burro Canário”, que sabia mais matemática do que os professores que reprovam estudantes por um décimo...
Cheguei a ver esse asno fabuloso, numa de suas passagens por Moçoró.

O meu primo Antônio Alves, por sua vez, me falou de um burro que dava a mão a quantos se dirigissem a ele, pedindo-a.

È por demais sabido que os burros conhecem o seu dono, no meio de outros indivíduos, pela fala, pelos gestos, ou pelo aspecto da roupa. Outros não consentem que, pessoas estranhas lhes ponham a sela, ou a brida, ocasião em que só o dono poderá fazê-lo. O jumento “Cacheado”, o mais velho da tropa, era danado para morder as pessoas que não eram do seu “agrado”. Eu era uma das pessoas “privilegiadas”, porque lhe dava ótimas rações, principalmente de batatas cruas, ou nós de cana. 

Cacheado só marchava quando a gente se montava na sua garupa.
“Cacheado Novo”, também conhecido por “Cotó”, gostava de esconder-se para não trabalhar. “Cochicho” costumava fazer certas proezas, inclusive jogar as crianças por cima das cercas, como fez comigo, numa madrugada em que eu ia para o Colégio.

A burra “Velha”, de uma feita, meu padrinho vinha a cavalo nela, trazendo-me de garupa.  A burra “Velha” parou, de momento, para que ele atirasse numa hambu que estava no tronco de uma imburana. Outro jumento, que se chamava “Canário”, ia para casa sozinho com a carga d’água ou de lenha, subia a calçada e ficava esperando que o aliviasse do peso. Depois é que entrava para o quintal.

Com esses casos, vê-se que há uma injustiça em dizer-se que os muares e jericos são “burros” quando eles, na verdade, são mais delicados e inteligentes do que alguns cidadãos que cuidam mais dos seus interesses particulares do que dos problemas do Brasil.

*O professor F. Rodrigues Alves, falecido, ensinava no curso de História da UFRN. Fonte: arquivo de N.Gomes da Costa, aposentado da UFRN.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

BRASIL

"Sociedade brasileira é uma árvore sem raízes"

Em entrevista à DW, o escritor Luiz Ruffato lança um olhar crítico sobre o passado e o presente da sociedade brasileira, que, segundo ele, vê o autoritarismo como a solução mais fácil para a corrupção a violência.
Luiz Ruffato (Tadeu Vilani )
Luiz Ruffato: "A apatia que temos hoje é a apatia da repressão"
Conhecido por não medir palavras ao falar do Brasil, de sua história e de sua sociedade, o escritor Luiz Ruffato alcançou projeção tanto no Brasil quanto no exterior. Durante o mês de novembro, ele apresenta na Alemanha e na Áustria seu último romance traduzido para o alemão, Vista parcial da noite – o terceiro volume da pentalogia Inferno Provisório.
Na série, Ruffato recria a história do proletariado brasileiro, de 1950 até o início do século 21, no que a editora Companhia das Letras define como "uma saga descomunal sobre um Brasil que muitas vezes não queremos ver". 
Pela pentalogia e por seus demais romances traduzidos para o alemão – incluindo Eles eram muitos cavalos – Ruffato foi reconhecido na Alemanha com o Prêmio Hermann Hesse de 2016. Os organizadores destacaram sua "alta qualidade literária, que possibilita olhar para os abismos de um mundo desconhecido".
Em entrevista à DW, o escritor mais uma vez lança um olhar crítico sobre a história e a o momento atual do Brasil, que, segundo ele está na iminência de uma nova ditadura.
"Para resolver o dano da corrupção do sistema político e colocar um ponto final na decomposição do sistema de segurança pública [...] a população prefere o caminho mais fácil, e ilusório: o do autoritarismo", afirma.
Para Ruffato, a sociedade brasileira é uma espécie de árvore sem raízes. "O futuro só pode ser construído se você conhece o passado. Mas no Brasil não há uma consciência disso."
DW Brasil: Inferno provisório é uma pentalogia que retrata a sociedade brasileira num período de cinquenta anos, de 1950 a 2000. Como você procurou ler a história do país nesses anos cruciais?
Luiz Ruffato: Considero que a história do Brasil de hoje é, sem dúvida, o resultado do processo que transformou o país rural em um país urbano. Essa transição, porém, ocorreu de uma maneira totalmente violenta. Não foi algo construído, planejado ou contando com qualquer organização urbana. Mas, algo absolutamente caótico, sem infraestrutura alguma para receber a massa de mão de obra barata do campo para trabalhar na construção civil e no comércio. O que somos hoje é o resultado desse processo: um processo no qual nunca tivemos uma participação efetiva, nunca fomos consultados como população. Todas as decisões tomadas na nossa história foram tomadas autoritariamente, e, como sociedade, somos fruto disso: não pertencemos a lugar algum, estivemos e ainda estamos num limbo. A derrocada do sistema de saúde e de educação é uma evidência disso.
Mas, se isso é tão evidente, se os abismos políticos e sociais do Brasil são tão evidentes, por que se observa em grande parte da população uma inércia e até apatia?
A apatia que temos hoje é a apatia da repressão. Nós temos uma sociedade que nasceu reprimida, que nasceu com a matança de índios, com os feitores batendo nos escravos, com uma imigração de pessoas que iam simplesmente morrer de fome aqui na Europa. Esses fatores fizeram com que a sociedade brasileira fosse moldada pelo medo. Atualmente, contamos com 32 anos de democracia no país. Esse é o período democrático mais longo de toda a história do Brasil, porque ela é uma história de sucessões de ditaduras. Ora, uma sociedade cuja história é uma sucessão de ditaduras é uma sociedade do medo. E, infelizmente, acho que estamos prestes a ter mais um episódio de ditadura. Muito proximamente.
Quão perto estamos dessa ditadura? Isso tem a ver com a onda do fortalecimento do autoritarismo no país?
Estamos na iminência de uma ditadura ao ler que as pesquisas apontam que o candidato da extrema direita e ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro é o que mais vem crescendo nas intenções de votos. Hoje, ele iria para um segundo turno com o Lula. Isso deve ser pensado no contexto do viés totalitário da população brasileira. Para resolver o dano da corrupção do sistema político e colocar um ponto final na decomposição do sistema de segurança pública – problemas complexos e de resolução a longo prazo – a população prefere o caminho mais fácil, e ilusório: o do autoritarismo.
 
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Luiz Ruffato conquista público alemão com livro sobre migração

A ambientação da sérieInferno Provisório é a cidade mineira de Cataguases, cujos alicerces retratados por você são a migração e a violência. Isso seria uma transferência das bases da sociedade brasileira, não?
Quando se escreve, é necessário fazer recortes que tenham a capacidade de transcendência. Ou seja, aquilo que você escreveu num determinado lugar e espaço pode ser reconhecido num outro lugar e num outro tempo. Nesse ponto, tive a sorte de ter nascido em Cataguases, e o fato de ela ser uma cidade industrial permitiu que eu me debruçasse sobre seus estamentos sociais. E com isso, estava de certa forma me debruçando também sobre os estamentos sociais do Brasil. A história do Brasil, de sua composição econômica, política e social está espelhada na cidade de Cataguases: uma espécie de microcosmo da estrutura do Brasil. As questões inerentes à nossa história também foram transferidas ao romance, como a relação dos operários com as fábricas e das pessoas entre si, a aquisição de bens de consumo pela classe média baixa e o que isso significa e provoca nelas, questões ligadas à migração, à questão de pertencimento e não pertencimento a um determinado lugar.
Quando você aponta a questão de pertencimento e não pertencimento, qual seria a principal consequência desse sentimento de inadequação social na sociedade brasileira?
Precisamos entender que a violência urbana no Brasil está, evidentemente, ligada ao tráfico de drogas, mas mais intrinsecamente ao lugar de pertencimento. Nós tivemos um movimento migratório no Brasil em que as pessoas foram descoladas de seus espaços de conhecimento para as periferias das cidades, onde não tiveram nenhuma relação de enraizamento. Por tanto, isso nos faz pensar que a sociedade brasileira é uma espécie de árvore sem raízes, na qual ninguém se reconhece, na qual não há uma ideia de coletividade e tampouco de sociedade. Pensamos absolutamente de forma individual. Por isso, a violência grassa no Brasil, onde a vida não vale nada. Se não pertencemos a um lugar, se estamos aqui de passagem, é claro que a vida também não terá valor algum.
Se estamos, então, aqui de passagem, em uma espécie de "inferno provisório", isso significa que a violência nossa de cada dia poderia ser algo temporário? Ou seja, haveria, uma luz no fim do túnel?
O futuro só pode ser construído se você conhece o passado. Mas no Brasil não há uma consciência disso. Na verdade, nunca fomos sujeitos da nossa história, fomos sempre objetos dela. Por isso, é muito difícil construir algo perene e profundo em um cenário assim. O conceito de "inferno provisório" é um problema por conta da dúvida: se o inferno é provisório e se ele se torna um estado definitivo, não há do que escapar, é o inferno realmente. Agora, se ele não se torna um estado definitivo, eu me pergunto: em que ele se transforma, então? Eu não sei. E talvez seja esse o grande enigma que temos no Brasil de hoje: saber exatamente para onde estamos caminhando, se é que que vamos saber algum dia. Eu temo que nunca chegaremos a essa resposta.
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