Uma área verde e duas quadras de futebol de salão, nas ruas Nossa Senhora da Candelária e Barão de Serra Branca, em Candelária, ocupando mais de 1 mil m², serão destruídas. O terreno público já está interditado com tapumes de cor verde. O trabalho de cercamento terminou às 14 de sábado, 21. No local serão construídas as sedes da Procuradoria Geral do Estado-PGE e da Ordem dos Advogados do Brasil- OAB/RN, conforme cartazes afixados nos lotes que estão reservados para as duas construções. Segundo informações, os prédios serão concluídos no prazo de dois anos e provocarão transformações na maneabilidade do conjunto residencial,apesar de ser considerado uma melhoria radical. È o progresso, diz um morador. "È acabar com uma área pública verde. Sou contra. Todos nós sabemos que perservar o verde é necessário à vida no planeta, mas aqui foi diferente: chegaram aí e disseram que vão construir prédios e pronto. Não consultaram os moradores", disse sr. Luis Vitor de Souza, 80 anos, morador da rua Barão de Serra Branca, que há 20 anos zelava pelo terreno que seria destinada a uma praça pública. Ele plantou dezenas de mangueiras, côcos, eucaliptos,laranjas, seriguelas.
"Plantei, limpei e cuidei desse terreno ao lado das quadras esportivas, além de pagar contas de água e comprar adubos, sem nenhum interesse em me apossar da área pública. Ao contrário, preservei uma área verde. Eu pergunto: onde os menores infratores, das "casas de passagem" do Governo do Estado
vão jogar futebol? Isso aqui era cheio de rapazes praticando esporte, quase diariamente", adiantou Luis Vitor de Souza. O morador ambientalista é conhecido pela defesa do verde: plantou árvores nos canteiros central da Avenida Prudente de Morais, desde o bairro Cidade Satélite até a Cidade Alta. Discípulo de São Francisco e São Lázaro, protetores dos animais e aves, ele alimenta gatos e aves que "residem" na atual área verde (terreno em forma de "L").
O proprietário da lanchonete do "Ferreirinha", José Nivaldo Ferreira, na rua N.S. da Candelária, que há dois anos comercializa no local em que será construída a sede da OAB/RN ( autarquia federal dos advogados), disse que não sabe qual será o seu futuro. Foi avisado que poderá ficar no local até o prédio ser construído, no prazo máximo de dois anos. "Estou no mato sem cachorro, sem ter para onde ir", disse sr. Ferreira. Ele informa que ninguém sabe quem é o verdadeiro dono do terreno. O repórter disse que pertence ao Estado. "Uns dizem que é da Igreja católica, outros dizem que é do CONACAN, outros dizem que é do Estado, enquanto outros asseguram que estava destinada para ser uma praça", lembrou Ferreira.
Ainda não se sabe que o Estado do Rio Grande do Norte já formalizou a "transferência de propriedade", através de doações, cessões e/ou comodatos para a PGE, órgão público estadual, e a OAB/RN, autarquia federal.
Escaparam, até agora, os prédios onde funcionam o Clube de Mães, Alcoólicos Anônimos e Centro Espírita de Candelária, construídos na gestão de Nilo Caldas, ex-presidente do Conselho de Moradores-CONACAN, com recursos da entidade.
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