sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A revolta comunista de 1935 em Natal (VI).




 Desenho feito por Edmar Viana, em 1985, sobre as explosões de bombas caseiras feitas pelos integralistas de Carnaúba dos Dantas que impediram o avanço das tropas rebeldes na região Seridó. Vários comunista morreram no tiroteio da Serra do Doutor e dezenas presos e levados para a delegacia de polícia de Currais Novos.

 





Enock Garcia, delegado especial, disse que Dinarte Mariz não esteve na Serra do Doutor enfrentando os revoltosos.
Militar confirma que o "herói" que apareceu era  pantomima.




Anexos






 
Natal, 26 de agosto de 1985
Ilmo. Sr. Jornalista Luiz Cortez
Redação do Diário de Natal
Meu caro jornalista sr. Cortez:

Parabenizo-o pela série de reportagens que tanto esclarecimento trouxe sobre aquela Revolta – quando Natal tinha só 35.000 habitantes e a figura mais conhecida em Natal – era uma velhinha que semanalmente percorria as ruas gritando:  juá, jucá, pimenta, fedegozo, mutamba, arruda, alecrim, marcela... em vez de bom-bril – as “donas de casa” compravam areia fininha dos morros  para o trato das panelas.
Um abraço

Luiz Paulo




COMPLEMENTO DE APONTAMENTOS SOBRE A NOVEMBRADA/1935

I-         De fato antes da Revolta de 1935, o clima político era agitado;  logo no Carnaval da Avenida Tavares de Lira, houve tiros e correrias, feridos e dois ou três mortos.

II-       CURIOSO é que os “tenentes, capitães e generais” fabricados em 1935 na Serra do Doutor, não esclareceram que tipo de luta foi realizada alí, onde dizem que morreu muito comunista, porém do lado daqueles que combateram alí os COMUNISTAS já em debandada de Natal, “não houve um morto e nem um ferido” (parece-me)...

III-     Mesmo o fogo de Panelas foi um arreganho de luta entre fugitivos (comunistas) de Natal e grupo de sertanejos mais afoitos.  Depois muita gente comentava que em Panelas o combatente de esquerda mais bravo foi um cabeceiro de (nome talvez Severino) e que vivia aqui no Alecrim sempre com uma faixa larga na cintura devido volumosa hérnia visceral – este alí ficou morto.

IV-     Apesar da vitória comunista em Natal, não houve depredações e nem vinganças na hora “H”;  duas ou três lojas foram saqueadas pelo populacho.  Porém após a revolução que fosse CAFEISTA era perseguido.  Se alguém fosse visto olhando a lua no céu em minguante – logo dizia que esse alguém olhava para lua porque ela se parecia com a foice da bandeira moscovita...

V-       O dinheiro do Banco do Brasil chegou prá muita gente... Logo em breve o jornal estampou os n ºs e as séries das notas 500 mil, que era o dinheiro novo e mais alto da época.  Em Nísia Floresta, seu Ferreira, português e homem de bem e afortunado, permitira que um casal em trânsito repousasse algumas horas em um casebre seu.  Daí alguns dias, seu Ferreira foi a cidade e comprou mercadorias e pagou com uma nota de 500 mil.  Isto chegou ao conhecimento do Delegado que exigiu uma explicação da origem daquela nota.  De pronto o português interrogado explicou:  - Sinhor delegado essa nota eu trusse de Purtugal há tempo... “Mas seu Ferreira e essa notinha estar tão nova e tem o nome Estados Unidos do Brasil?”  - Ora sr. Delegado, essa notinha eu sempre guardei dentro de um livru e nós sabemus qui o Brazil sempri foi unido a portugal.  – Mas seu Ferreira, e quantas notas dessas o senhor ainda tem em casa?  - Qual nada sr. Delegado, não tenho mesmu mais nem uma mesmo.  ( Porém após pesquisas se concluiu que o casal de transeuntes levava tanto dinheiro que ia deixando um pouco por onde passava)...

VI-     Após o “heroismo de 1964” – vimos uma exposição numa Galeria ao lado do Palácio Potengi, o material apreendido em poder de comunistas.  Do grande médico VULPIANO, prenderam meia dúzia de livros e meia dúzia de fotografias de CIENTISTAS! PUDERA!...

VII-   De todos os líderes acusados de comunistas no RN ou Natal, não se conhece um que tenha deixado:  fábrica, fazenda, fortuna em bancos!... Parece que só a inveja dessas topeiras é que vendo o prestígio e liderança daqueles líderes – sentiram a necessidade psicológica de odia-los e derrota-los, para poderem aparecer como “salvadores”... de que?...

O HERÓI DO CASO

Sou um Zé sem letra, um ninguém no conteúdo pomposo social de nossos dias...  Nem mesmo distingo bem o que é real do irreal.
Octogenário, ví e ouví as 7 horas de fogo da fuzilaria da novembrada de 1935.  Não ouso diminuir o conhecido valor intelectual do doutor Valério e, nem enaltecer a conhecida competência e honestidade jornalística do pesquisador L. Cortez.  Porém, fico com os conceitos do sr. L. Cortez.
Aquele destroçamento feito a bla no frontespício do quartel, sem se fazia necessário, já que eram uns quatrocentos fuzis contra um punhado de bravos policiais e, o fator surpresa favoreceu os “vermelhos”.  Sempre houve muitos “heróis favorecidos e muitos beatos santificados!...
Porém ocultar o heroísmo de Stalin, de Hitler, de Che Guevara, de Prestes, Lampeão e Fidel Castro, não ecôa bem...
Na novembrada de 35, a liderança de João Galvão e do sargento músico Plácido, foi quase heróica.
Defender um ideal com fez o médico Vulpiano, de origem nobre, grande cirurgião, tantas vezes preso e espezinhado, chegando a velhice e já trêmulo empunhando a foice e o martelo – é preciso ser homem.  Há um escrito do escritor François Silvestre, que fala de Vulpiano como se fala de um Deus.
(Perdôe-me pelos senões deste despretencioso “escrito”, tudo é improviso sem livros, sem gramáticos ou arquivos para consulta;  já há tempos recolhi-me ao sopé das dunas, e que bem e conforto é viver fora da sociedade dos macacos-homens que há 20 milênios inventaram a vil moeda).
Carta do leitor Luiz Paulo, residente na Vila São Paulo, Alecrim, Natal/RN, enviada à redação do Diário de Natal, (01.12.1997. A carta não foi publicada na seção “Cartas dos Leitores”.


Os textos a seguir não integraram a série de reportagens “O comunismo e as lutas políticas do RN na década de 30”.  São reportagens escritas pelo autor após entrevistas e pesquisas realizadas a partir de 1986.  Publicamos, ainda, uma carta do falecido advogado João Medeiros Filho ao diretor do Diário de Natal, em 7 de outubro de 1985, na qual dá a sua versão sobre a adulteração do relatório policial sobre a insurreição comunista em Natal ( um documento oficial ).  O enxerto de um nome no trecho do relatório sobre as vitimas da rebelião em Natal, num documento oficial e público, é reconhecida pelo missivista, ex-chefe de polícia do Estado em 1935.












HERÓI DA PANTOMIMA


Ao ser indagado sobre a origem da criação do “herói” Luiz Gonzaga, morto nos mangues do rio Potengi, após o término do tiroteio entre insurretos e defensores do quartel do “Batalhão de Segurança” ( Polícia Militar), o coronel da reserva da PM, José Paulino de Souza disse que “o herói surge no momento e não muitos anos depois.  Eu, pessoalmente, não acredito nessa estória.  Acho que foi uma pantomima, mas quem melhor explicaria esse fato, naquela época, teria sido do 1º sargento Luís César, já falecido”.
Ex-Comandante da PM, ex-Secretário da Segurança Pública, ex-Chefe da Casa Civil do Governo do Estado e ex-prefeito do município de São Gonçalo do Amarante – RN, José Paulino lembrou que não participou dos combates ocorridos durante a insurreição de novembro de 1935 no RN, mas assegura que muitos fatos acontecidos naquela época não mereceram pesquisas acuradas e, por isso, foram divulgadas muitas versões inverídicas, parciais e tendenciosas.
- Uma versão muito difundida é a de que a revolta foi de caráter comunista.  Não, não foi.  A insurreição em Natal foi de caráter político local, aproveitada pela liderança da Aliança Nacional Libertadora e de alguns poucos comunistas que tencionavam derrubar Getúlio Vargas.  Tudo se identificava com a ANL, embora tivesse comunistas nessa organização.  Com a rebelião, o povo de Natal pensava que se tratava da libertação do país.  Mário Câmara, interventor e que era muito ligado a Getúlio Vargas, fez uma administração que não agradou a todos e perdeu a eleição indireta para governador, após o pleito que elegeu os deputados da Assembléia Constituinte Estadual.  Com maioria de três votos, Rafael Fernandes, do Partido Popular, foi eleito governador, mas os maristas e cafeístas ficaram descontentes.  Com a revolta dos cabos e soldados do 21º BC, motivada pela desincorporação de dezenas de praças, anunciada na véspera, maristas e cafeístas tomaram parte na insurreição de 23 de novembro de 35.  Além disso, o governador Rafael Fernandes tinha demitido dezenas de guardas-civis nomeados na gestão de Mário Câmara, na sua maioria verdadeiros cangaceiros, cabras perversos e de péssimos antecedentes da Paraíba.  Asseguro que a dispensa de praças do 21º BC foi o que mais concorreu para a insurreição, pois não havia efervescência social.  Havia tensão política por causa da acirrada campanha eleitoral feita pelos partidários de Rafael Fernandes, vitorioso, e Mário Câmara, derrotado.  Na chefia da insurreição eram comunistas Lauro Cortês Lago, João Batista Galvão, José Macedo e o músico Quintino.  E durante os quatro dias de domínio dos revoltosos não se divulgou nada que caracterizasse como uma ditadura comunista”, prosseguiu José Paulino de Souza, 80 anos.
Coronel José Paulino lembra que não se afinou como interventor Mário Câmara e, devido as suas divergências, foi perseguido e transferido para Mossoró.  Somente foi prestigiado no governo Rafael Fernandes, de quem foi ajudante-de-ordens durante 10 dias “porque o titular tinha perdido as fardas no período da revolta” e, tempos depois, nomeado prefeito de São Gonçalo.

HERÓIS ESQUECIDOS

Sobre o indivíduo Luiz Gonzaga de Souza, conhecido por “Doidinho” pelos praças do quartel do “Batalhão de Segurança”, onde pegava a chêpa diariamente, o coronel José Paulino afirma que não tem certeza se ele foi alistado na Policia Militar antes de 27 de novembro de 1935.  E acrescenta:  “Não sei.  É difícil a gente saber, não é?  Só sei que em 35 não se falava nesse “herói”.  Falava-se mais num tal de “Mão de Sangue”.

- E quais os homens da Policia Militar que atuaram com bravura na resistência que durou 19 horas, entre 23 e 24 de novembro de 35?

Bilac de Faria, filho de Nelson Faria, e o tenente Pedro Vicente lutaram contra muita bravura e heroísmo.  O tenente Pedro Vicente, sozinho e com muito sangue frio, manejou a velha metralhadora pesada do quartel.  A prova de sua coragem foi a permanência na área da entrada central do quartel, atirando doidamente, sem alvo, para frente, numa situação desesperadora em que podia ter sacrificado a sua própria vida e de muitos outros.  Mas, ao que me parece, ninguém fez questão de registrar isso em boletim.  Sobre Luiz Gonzaga, botaram alguma coisa depois...(risos).  Já o tenente Bilac Faria foi um figura destacada, pois no tiroteio ele saia do quartel para o pátio externo, rolando no chão e atirando.  Fez isso várias vezes e serviu de estímulo para os que defendiam o quartel.  Bilac se portou com muita bravura.

- Por que a Polícia Militar não relembra o heroísmo de Bilac Faria?

R- Não sei.

- O tenente Zuza, José Paulino de Medeiros, também lutou com heroísmo na defesa do quartel?

R- O tenente Zuza não foi um herói.  É verdade que ele lutou na defesa do quartel, mas como marista apaixonado e oportunista foi para o batalhão para se infiltrar e facilitar o ataque dos revoltosos.  Tenente Zuza ficou permanentemente vigiado por dois homens de confiança do capitão Joaquim de Moura, que dirigiu a defesa com bravura.  Por isso, Zuza combateu à força.  Em caso contrário, morreria.

- Quantos morreram no ataque ao quartel da PM?

R- Na luta não morreu ninguém, nem do lado dos atacantes nem dos defensores do quartel.

- E o herói Luiz Gonzaga?

R- Não conheci Luiz Gonzaga.  Eu tinha o posto de 2º tenente, mas não participei da defesa do quartel porque a revolta me pegou de surpresa na noite do dia 23, quando me encontrava na residência da viúva de João Reis, na rua Frei Miguelinho, bairro da Ribeira.  De lá, fui para o Teatro Carlos Gomes, a fim de buscar duas filhas da viúva de João Reis.  Do teatro, por volta de 22 horas, levei seis pessoas, em coluna por um, me colocando na frente, para a rua Frei Miguelinho, sem ser molestado pelos revoltosos, tendo, antes, perguntado aos praças que, em posição de ataque, no chão, se podia passar com o pessoal que me acompanhava.  Fique na referida casa até às 4 horas do dia 27, quando tudo estava acabado.  Saí de lá com o tenente Vicente Euclides de Lima e, num bote de praticagem, rumamos para um dos três navios de guerra mexicanos, mais próximos do cais, surtos no rio Potengi, afim de buscarmos as autoridades ali refugiadas.  No retorno, às 6 horas, perto do cais da rua Tavares de Lira, vi muitos revoltosos abandonando fuzis e fugindo.
Mas sobre o soldado Luiz Gonzaga, que morreu em consequência do movimento, acho que tornaram-no herói tempos depois.  A tradicional visita ao Cemitério do Alecrim, onde estava o túmulo foi iniciada anos depois.  Ele foi atingido e morto dentro do mangue às vistas do 1º sargento Luís César que se achava próximo dele.

- O senhor como comandante da PM chegou a comemorar o 27 de Novembro?

R- Não.  Eu fui designado para o Comando Geral por um período muito curto pelo Governador.  E não se pode desfazer uma coisa que está oficialmente dita.  Fica feio, não é?  Mas a verdade, acima de tudo, é contrária à versão oficial.  A verdade é que deve prevalecer.

- Há alguma outra mentira divulgada como fato real?

R- Sim.  Há a da “Mão de Sangue”, a mancha vermelha que ficou numa parede do quartel da polícia.  A mancha foi de alguém que se feriu no tiroteio e passou a mão ensanguentada na parede.  Só não foi a mão de Luiz Gonzaga e sabe disso o coronel Alberto Manso.

- Dinarte Mariz foi mesmo o “General” da “Serra do Doutor”?

R- Não.  Dinarte foi para Santa Luzia, na Paraíba, a procura de meios de defesa.  Depois que tudo terminou, Dinarte voltou com uma tropa da Paraíba, segundo eu soube, para cooperar na reorganização da resistência.  Mas general ele não foi.
A respeito do tenente Alberto Gomes, morto em combate em São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o coronel José Paulino de Souza não sabe os motivos da omissão do comando da PM potiguar.  “O tenente Alberto Gomes morreu em combate e recebeu medalha post-morten do então Ministério da Guerra (Exército), por atos de bravura.  Ele foi um marista doente e esse deve ter sido o motivo, dizem.  Mas não sei o porquê dessa omissão da PM.”

- E só comemoram Luiz Gonzaga?

R- É verdade, infelizmente.  Luiz Gonzaga, na minha opinião e pelo que ouvi na época, recebeu um tiro casual, tendo em vista que ele se encontrava dentro do mangue do rio Potengi, quando empreendia fuga, juntamente com outros homens da PM, na tarde do dia 24 de novembro de 1935.  É muito difícil acertar uma pessoa dentro de uma vegetação.  O mangue era fechado e um dos tiros esparsos atingiu-o mortalmente.  Não é questão de raciocínio, é lógica.  Luiz Gonzaga morreu no meio dos que fugiam da perseguição dos revoltosos, dentre eles o 1º sargento Luís César, falecido no posto de coronel.  É certo que ele morreu sem praticar nenhum ato de patriotismo e heroísmo.  Na época, o tenente Luís César me disse que viu Luiz Gonzaga ser baleado por pessoas que estavam fora do mangue, ao lado dos revoltosos, tendo morte quase instantânea.

- O senhor ouviu falar em Sizenando Filgueira da Silva, que diz ter sido o autor do disparo que matou Luiz Gonzaga?

R- Não.  Quem baleou Luiz Gonzaga, eu não sei.  Mas que ele morreu no mangue, é verdade.

- E quem criou o herói Luiz Gonzaga?

R- Não sei se foi a própria Policia Militar.

- O tenente Mário Cabral, da Policia Militar, teve atuação na insurreição?

R- Mário Cabral era marista e lutou ao lado dos revoltosos.  Ele instalou uma metralhadora pesada, do Exército, na casa da esquina da rua João Mata com praça André de Albuquerque.  Nessa casa moravam uns anões e, lá, ele ajustou a metralhadora e ficou atirando no parapeito do quartel da Policia com a intenção de derrubar o telhado em cima dos resistentes.  Faltou pouco para Mário Cabral ter êxito na missão.  Depois da revolta, ele foi demitido e reingressou na PM com a anistia, em 1945, após passar 10 anos na cadeia.  Eu mesmo fui nomeado pelo Presidente da República, Dutra, pelo Decreto-Lei n.º 7.474, de 18/04/45, para tratar de reversão de oficiais e praças da Policia Militar do RN, beneficiados pela anistia.  Mário foi reincorporado com um parecer favorável, pois sabia que ele não era comunista.
José Paulino de Souza adianta ainda que a unidade do Exército em Natal era mesmo o 21º Batalhão de Caçadores e não o 29º BC, conforme versão do pesquisador Ivanaldo Lopes no seu livro “Natal do Meu Tempo”, publicado pela “Companhia Editora do RN-CERN” (Natal – 1985).
Durante a revolução constitucionalista de São Paulo, em 1932, o contigente do 21º BC, sediado em Recife-PE, tentou se rebelar e se aliar aos revoltosos paulistas.  Como castigo, o 21º BC foi transferido para a fronteira do Brasil com a Colômbia, devido a guerra desse país com o Peru.  Depois, o 21º BC veio para Natal.  Em novembro de 1935, o 29º BC estava em Recife, tendo o 21º BC ocupado as suas dependências, conforme explica o Sr. João Wanderley, ex-cabo do Exército e um dos participantes da insurreição de Natal, onde reside.  O coronel José Paulino de Souza (1) corrobora esta informação, conforme entrevista gravada (Natal, dez/86).




NOTA:


1-   José Paulino de Souza faleceu em Natal, em 1989, após curta enfermidade.

SERRA DO DOUTOR:  MAIS VERSÕES SOBRE A “BATALHA DE ITARARÉ”.

“Currais Novos era a estação principal dos Correios naquela época e em não apareceu nenhum telegrama de Dinarte Mariz para os chefes políticos do Seridó comunicando a vinda dos revoltosos para o Seridó.  Essa história de “General da Serra do Doutor” nunca existiu, pois Dinarte não esteve lá, assim como muitas pessoas que correram para a Paraíba e somente apareceram dois dias depois do tiroteio, com os pés inchados de tanto andar a pé”, disse Paulo Moreira Brandão, aposentado da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT.
Sem confirmar o nome do delegado de policia de Currais Novos, em novembro de 1935, Paulo Brandão acrescentou que Dinarte Mariz e Enock Garcia estiveram na agência dos Correios depois do choque entre os revoltosos e os sertanejos aliciados pelos chefes políticos, prefeitos e integralistas do Seridó.  Confirmou que alguns presos da cidade de Currais Novos foram mortos e outros conseguiram fugir, após o tiroteio da Serra do Doutor, situada no município de Campo Redondo.
“Dinarte e Enock passaram na estação, passaram um telegrama e disseram que iam para a Paraíba em busca de reforços.  Sobre o tiroteio posso dizer que apareceu muita gente “corajosa”, “braba” e disposta para tudo, mas na hora H, correu pra todo lado.  Eu estive no local do tiroteio e trouxemos 3 cadáveres de revoltosos, mortos na Serra;  lembro-me que um cadáver era de um homem que vendia vísceras em Macaíba – esse levou um tiro na cabeça -, um soldado do Exército e outro desconhecido.  Os três foram enterrados no cemitério de Currais Novos.  Agora herói não houve nenhum, pois correu todo mundo logo que começou o tiroteio.  Acho que ainda tem gente correndo.  No dia seguinte ao tiroteio, apareceram algumas pessoas dizendo que tinha matado muita gente, que tomaram um fuzil-metralhadora dos comunistas.  Tudo mentira, pois o sargento Santos, da PM, me disse que o fuzil-metralhadora pertencia à Policia Militar.  Agora que houve muito pânico na região, é verdade.  Alguns postos de iluminação pública foram derrubados por caminhões, tanta era a confusão reinante na cidade.  O povo fugia para os pés de serras e sítios.  Guedes, irmão de Tristão de Barros (pai de Genibaldo Barros, ex-reitor da UFRN), foi quem restabeleceu a iluminação da cidade, praticamente deserta no dia em que se anunciou que “os comunistas estão chegando”.  Lembro-me que o monsenhor Walfredo Gurgel, trajando uma calça comprida, foi para a Serra do Doutor com um revólver na cintura e bombas dentro do carro.  Do jeito que foi, ele voltou.  Tristão de Barros, dono de uma farmácia, deu remédio para dor de barriga para muita gente que fugiu do tiroteio, inclusive um oficial da Policia, com fortes cólicas.  O médico, Dr. Mariano Coelho, chegou a dizer para o oficial “você está melhor do que eu”.  A doença era emocional, medo, e assim acabaram todo estoque de remédio para desinteria da farmácia de Tristão... (risos).  No final, não houve nada.  Do lado dos comunistas, morreram três, logo depois da explosão das bombas que botaram no meio da estrada, impedindo a passagem do comboio.  Do lado de cá, não morreu ninguém, pois fugiram todos”, completou Paulo Moreira Brandão, residente em Natal, à rua Mossoró, Centro.

ENOCK DÁ SUA VERSÃO

Na coletânea de depoimentos prestados à TV-Universitária – Canal 5, de Natal, reunidos em livro pelo professor Carlos Lyra (Nossa Editora, Natal-RN, 1987), que coordena o programa “Memória Viva”, o sr. Enock Garcia, delegado que presidiu o inquérito da insurreição de novembro de 35 na capital, dá a sua versão dos acontecimentos de Panelas (hoje Bom Jesus) e da Serra do Doutor.  Enock (o depoimento foi gravado em 05.05.83, portanto antes da publicação das reportagens sobre “O Comunismo e as lutas políticas do RN na década de 30)” afirma que Dinarte Mariz não lutou na Serra do Doutor e nem passou telegramas para os prefeitos e chefes políticos do Seridó, pedindo a organização de forças para a luta contra os revoltosos.
Ao ser indagado por Carlos Lyra sobre como “salvou a vida de Dinarte Mariz”, o advogado aposentado Enoch Garcia respondeu que “não quero dizer que salvei a vida de Dinarte.  Quando houve o tiroteio feito pelos comunistas, que me lembre, quem lutou ali, brigou e matou gente, foi Ivo Trindade, advogado casado com uma filha de José Bezerra, do “Baxio”, e dona Iracema.  Quando eu subi pelo Seridó, acordando todo o mundo para descer para a revolução, eu passei na casa de Ezequiel Mergelino”.  “... chegaram já à meia-noite, Almir Freire (meu cunhado), Mesquita e Paulo Teixeira (que está vivo para contar isso), e disseram que havia um tiroteio em Natal (que estavam ouvindo o barulho).  Fomos para Macaíba, e ficamos ali, onde tem aquela estátua de Augusto Severo, esperando os acontecimentos.  Dali, olhando, víamos no céu, aquele fogo que se travava, aqui em Natal.  Então, eu me lembrei do nosso “passeio” atrás do Baltazar Meireles:  lembrei-me de Dinarte.  Só ele tinha condições (aliás, João Medeiros diz isso no livro dele) E disse:  “Só quem pode nos salvar é Dinarte!”.  “... saí para Caicó, no carro de Pedro Azevedo.  Em Bom Jesus (Panelas), acordei Sebastião Bezerra, um sargento (delegado) amigo nosso.  Em Santa Cruz, já deixei Ezequiel Mergelino preparando o povo, para quando descessemos à tarde (N.R.: Enoch refere-se a tarde de 24.11.35);  eu já contando que Dinarte “vinha com tudo”, como de fato, veio.  Seguimos para Currais Novos, onde passei um telegrama para Dinarte, mas esse telegrama chegou atrasado.  Deixei José Domingos, que era o telegrafista encarregado de avisar Mariano Coelho, que estava dormindo, dizendo:  “Você se encarrega do pessoal daqui.  À tardinha nós voltamos”, porque eu queria reunir todo mundo, para a gente marchar.  Quando chegou em Acari, estava Raimundo Duarte, que eu chamava, pela sua coragem, de “Raimundo Doido” (e era doido mesmo) e ele disse:  “-Ah!  Eu vou com vocês.”  Estava tomando café, largou tudo e entrou no carro.   Quando chegamos em Caicó, Dinarte estava saindo para a feira de Jucurutu.  Não tinha recebido, ainda, o danado do telegrama. “- Eu ouvi falar num telegrama, mas ainda não chegou nas minhas mãos.”  Contei tudo a ele, que em poucas horas preparou Caicó de tudo, e nós descemos.  Negócio de duas horas para três.  E por onde a gente passava, ia seguindo a procissão de cada município”.

SÓ QUEM MATOU FOI IVO

“ ... e quando chegamos perto de Serra Caiada (hoje Presidente Juscelino), ouvimos um tiroteio (ainda, hoje, tem uma cruz, lá).  Depois desse tiroteio, nós fomos nos aproximando (há uma parte aí que eu não quero contar...) e estava Ivo Trindade, com nove presos e um morto.  Embarcamos esse povo todo e, também, dispensamos logo Ivo Trindade, porque o trabalho que ele fez, foi extraordinário.  Ele pegou um caminhão de revolucionários, um caminhão e mais um automóvel, ou dois.  Reagiu contra esse povo todo, inesperadamente, todo mundo com arma besta, arma curta.  De manhã, bem cedo, acordamos (ninguém dormiu nada, deitado pelo chão, no meio da estrada, onde, hoje, tem a cruz) com Raimundo Duarte, chamando: - Doutor, vem cá. Olhe, aqui tem um caminhão dentro dos matos (na fuga, eles abandonaram). E tem camarada morto, aqui dentro.
...“Ali mesmo , cavou-se um buraco e se enterrou o camarada, que morreu na luta com Ivo Trindade. Essa cruz é desse camarada. Ninguém guardou o nome dele”. (páginas 149,151 e 152).
Enoch Garcia, após relatar um ligeiro tiroteio perto da ponte de “Panelas” e a prisão do sargento revolucionário Wanderley Alves, amigo de Dinarte Mariz, disse que os sertanejos foram até as proximidades de Macaíba, cidade que estava controlada pelos insurretos e, de lá, resolveram retornar ao Seridó:

O TIROTEIO DE “PANELAS”

“Voltamos, e Dinarte consultou a gente e disse: O jeito que tem é nós irmos à Paraíba, pedir socorro ao governador Argemiro (para quem já havia telegrafado, quando saíamos de Caicó). Deixamos em Bom Jesus, poucos companheiros para fazer uma resistência ligeira, com Zé Franco, Pedro Ciciliano, Antônio de Castro, José Epaminondas, Genésio Cabral, irmão de Mário Cabral, Severino Elias... eles ficaram fazendo uma resistência na estrada, por conta deles, e nós fomos buscar socorro. Porque se fosse continuar aquilo, só com os nossos, sem armas, sem munição, sem nada...”
“Todo mundo queria que Dinarte tivesse tomado parte na Serra do Doutor. Ele não tomou parte na Serra do Doutor, como eu não tomei, como Humberto Gama não tomou. Lá, tomaram parte, esses oficiais que eu já falei: Pedro Ciciliano, José Epaminondas, Genésio Cabral, Antônio de Castro.... e, inclusive, muitos civis. ... Daí fomos para a Paraíba. Aí Dinarte telefona para Argemiro (NR. Enoch refere-se ao telefonema de Dinarte para o governador da Paraíba em Campina Grande). Era meia-noite, quando Argemiro nos recebeu em sua casa. Um palácio! Pôs tudo à nossa disposição, e mandou logo acordar os irmãos Chaves (dois oficiais da polícia paraibana da confiança dele) para descerem para o Rio Grande do Norte. Argemiro foi uma figura decisiva de nossa luta. E daí regressamos por Santa Luzia. Apanhamos as armas, lá, em Campina Grande. Saímos de Santa Luzia. Quando foi ao amanhecer do dia, madrugada ainda, encontramos Florêncio Luciano (N.R.: Florêncio Luciano, chefe político de Parelhas, já falecido), outro elemento extraordinário que nos ajudou, que nos telegrafou, porque ele me descobriu, que Dinarte com aqueles atropelos de tanta coisa, só eu podia conversar com ele. E me disse pelo telégrafo: - Enoch, eu não sei o que aconteceu, mas o nosso povo reagiu em cima da serra, e o esbandalho foi grande. Até agora está correndo gente deles e gente nossa (risos), mas, eu estou aqui, em Currais Novos, só não sei como...
- Pois espere, que nós vamos chegar por aí.
Saímos e fomos visitar, lá na Serra do Doutor, que muita gente disse que mataram muita gente, e até eu fui acusado de ter matado muita gente, sem nunca ter pisado lá dentro. Verificamos tudo lá, não tinha mais ninguém. Descemos a ladeira e viemos para Natal”. (Transcrito do livro Memória Viva, organizado por Carlos Lyra, Nossa Editora, Natal-RN, 1987, págs. 155 e 156).
Enoch Garcia foi Delegado de Ordem Social, nomeado em janeiro de 1936, pelo governador Rafael Fernandes, sendo encarregado de apurar o levante de novembro de 35 em Natal, cujo inquérito policial foi concluído em abril de 1936.
No relatório do inquérito policial, Enoch Garcia não registrou a morte do homem conhecido por “Luís Gonzaga” ou “Luís Gonzaga de Souza”, vulgo “Doidinho”, que teria sido alistado na Polícia Militar um mês antes da rebelião comunista e abatido no mangue do rio Potengi pelo insurreto Sizenando Filgueira da Silva (falecido).

A VERSÃO DO “GENERAL”

Em discurso pronunciado na sessão de 2.12.77, no Senado Federal, o então senador Dinarte Mariz (ARENA-RN), disse que "apenas três setores combateram e foram responsáveis pela derrota dos comunistas no Rio Grande do Norte que chegaram a ocupar o Governo do estado durante dois dias: a Polícia Militar, sob o comando do seu bravo Comandante Cel. Luiz Júlio; a resistência dos sertanejos do Seridó sob o meu comando, composta de cerca de cento e oitenta homens e a Polícia da Paraíba que o Governador Argemiro de Figueiredo, num gesto de compreensão e coragem, quando o seu próprio Estado estava sob ameaça, deu ordem para que um grande contingente avançasse sobre Natal pelo litoral".
"Nenhum outro elemento tomou parte na repressão comunista durante os dias de luta em território norte-rio-grandense", afirmou Dinarte Mariz, cujo discurso, após ser submetido a revisão do orador, foi publicado no Diário do Congresso Nacional, n.º 157, Seção II, em 5.12.77, páginas 7681 a 7684.
Mais adiante, isto é, após os apartes do senador Teotônio Vilela (ARENA-AL), o senador seridoense afirmou: "Cheguei a esta Casa, Sr. Presidente e Srs. Senadores, vindo de um ambiente que combatia os comunistas. Cheguei a esta Casa, Sr. Presidente e Srs. Senadores, trazendo, ainda na mente, um pouco do cerco comunista de que fui vítima. Não sou anticomunista de gabinete; sou anticomunista de fuzil na mão".(4)
A sessão de 2.12.77 foi quase toda tomada pelo discurso do falecido senador Dinarte Mariz, que discordava de uma matéria publicada no O ESTADO DE SÃO PAULO sobre a revolução comunista de 1935 no Rio Grande do Norte. A matéria, citando Foster Dulles, informava ter o então major Josué Freire comandado a Polícia Militar durante " a resistência ali oferecida aos comunistas e forças do Exército vindas do Recife e Alagoas terem tomado parte na repressão aos mesmos".
Depois de sua catilinária anticomunista, Dinarte, lembrando o tiroteio na Serra do Doutor (Campo Redondo-RN), disse que “quando empunhei arma contra os comunistas e pude telegrafar, dando notícias ao então Presidente da República, dos acontecimentos, não era eu um correligionário de Sua Excelência, não estava ali por dever político, estava ali, sim, por dever cívico.  Era um cidadão que não aceitava as idéias comunistas e quando tive oportunidade de me encontrar pela primeira vez com aquele eminente estadista, o saudoso Presidente Getúlio Vargas, ele me disse:”O Sr. já me prestou um grande serviço”.
E numa pausa que fez, retificava:  “Não a mim, mas ao País.  Quando eu estava sem notícia do Rio Grande do Norte, quando nós sabíamos que o Estado tinha sido dominado pelos comunistas, recebia do Sr. um telegrama informando que estava combatendo os comunistas à porta da Capital, depois de infringir-lhes pesadas derrotas”.  Esse foi o depoimento do eminente Chefe de Estado naquela época.
Dinarte registrou, ainda, que em 1977 o Brigadeiro Eduardo Gomes, na residência do militar falecido, após referir-se aos ferimentos recebidos na insurreição de 1935, no Rio, disse-lhe que o então Ministro João Gomes, teria informado-o, naquela ocasião, que “tivemos uma boa notícia;  recebi um telegrama de um cidadão chamado Dinarte Mariz, comunicando que estava combatendo os comunistas às portas da Capital”.(5)
Dando informações sobre fatos até então desconhecidos pelos pesquisadores norte-rio-grandenses, Dinarte Mariz afirmou que o julgavam um homem intolerante pelo fato “de ter pegado em armas, o de ter sido quase cercado(6), o de ter combatido, o de ter mandado sepultar (7) – isso eu digo até com constrangimento, que não é esse o meu temperamento – o de ter mandado sepultar alguns daqueles que eu combatia  naquela hora.  Sinto que foi a condescendência e a omissão no curso de história que nos levou à ameaça de 1935, e posteriormente, a de 1964, dentro de cujos acontecimentos nós ainda nos encontramos”. (8)


NOTAS:


1-        A rebelião começou na noite de 23.11.35 (sábado).  Na madrugada de 27, os rebeldes fugiram de Natal.  No dia seguinte, o jornal oficial “A República” voltou a circular.  Os rebeldes controlaram a administração do Estado nos dias, 24, 25 e 26.11.35, portanto, três dias de efetivo domínio, pois na manhã do dia 27 o “Governo Popular Nacional Revolucionário” de Natal deixou de existir.

2-        Dinarte Mariz deu apoio logístico e aliciou muitos sertanejos, mas nos tiroteios de Serra Caiada, Panelas e Serra do Doutor, a resistência foi comandada por outras pessoas.  Ver depoimento de Seráfico Batista, na reportagem.  “Em 35 os coronéis fugiram da luta” o POTI, Natal, 02.06.85.  Idem Enoch Garcia, pág. 155, Memória Viva, org. Carlos Lyra. (Natal-RN – Nossa Editora)

3-        Dinarte refere-se a repressão anticomunista, no meu entender, pois ele omitiu a participação dos integralistas de Currais Novos, Acari e Carnaúba dos Dantas, do monsenhor Walfredo Gurgel, de dezenas de empregados dos fazendeiros e coronéis da região Seridó do RN nos preparativos da resistência ao avanço dos revolucionários.

4-        A referência é com relação aos fuzis recebidos em Campina Grande, oferecidos pelo governador Argemiro Figueiredo, que não foram utilizados na Serra do Doutor e em parte alguma, pois os revoltosos estavam derrotados e em fuga.

5-        Ver depoimento de Enoch Garcia, op. cit., 4º parágrafo da p. 156.

6-        Desconhece-se o local desse “cerco” e do combate que Dinarte participou.

7-        Ibidem Enoch Garcia, 4º parágrafo da p. 156.

8-        A respeito das reportagens do autor, o historiador norte-americano John Foster Dulles, em carta endereçada ao escritor Eduardo Maffei, residente em São Paulo-SP, em 20.07.87 diz o seguinte: “Será interessante para mim ouvir Luiz Gonzaga Cortês.  Dinarte Mariz disse em um discurso no Congresso Brasileiro que a minha descrição do que aconteceu no Rio Grande do Norte em 1935 estava errada.  Aluizio Alves, que falou-me sobre o discurso de Dinarte Mariz, disse-me também que Dinarte Mariz estava errado e que eu estava certo.  Na verdade, eu nunca escrevi muito sobre Natal em 1935, embora eu tenha notas de umas poucas entrevistas que eu fiz lá em 1967 ou 1968.  Não tantas entrevistas quanto aquelas de Luiz Gonzaga Cortês e certamente, as minhas foram conduzidas com menos inteligência”.










quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


JORNALISTA POTIGUAR LANÇARÁ EM NATAL SEU LIVRO SOBRE A DITADURA DE 1964

O jornalista norteriograndense Dermi Azevedo, ex-preso político e um dos fundadores do Movimento Nacional de Direitos Humanos/MNDH, lançará em Natal, em 14 de dezembro próximo, às 18:30h, no Restaurante Bella Nápoli, Av. Hermes da Fonsêca, 960,Tirol, o seu livro "Travessias Torturadas: Direitos Humanos e Ditadura no Brasil".
O livro, com 240 páginas, é o segundo volume da Coleção Memória das Lutas Populares, publicada pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular/CDHMP, com sede em Natal e uma das organizações sociais mais atuantes na educação sobre os direitos humanos no país. O primeiro volume reúne poemas de Emanuel Bezerra, companheiro de lutas de Dermi, no movimento estudantil em 1968.
Resultante de mais de 40 anos de militância de seu autor nessa área, o livro de Azevedo traz informações inéditas sobre a repressão do regime militar contra todos os setores sociais democráticos, entre 1964 e 1985. Entre as vítimas das torturas, esteve incluído o seu primeiro filho, preso político em São Paulo, por ordem do delegado Sérgio Fleury, quando tinha apenas um ano e oito meses.
Dermi trabalhou, entre outras publicações, nos jornais Diário de
Natal, Tribuna do Norte, A Ordem, Salário Mínimo, Visão, Manchete, Fatos & Fotos, VEJA, Isto É (da qual foi correspondente na Itália), Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Informations Catholiques Internationales , da França.
Como pesquisador, fez especialização em Relações Internacionais, na FESPSP, sobre a política externa do Vaticano, tornando~se, em seguida, Mestre em Ciência Política, na USP, com dissertação sobre a colaboração de agentes religiosos com a repressão de 1964/1985 e Doutor nessa mesma universidade, com uma tese sobre Igreja Católica e Democracia.
Dermi foi presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de
Natal. Presidiu também a Cooperativa dos Jornalistas de Natal e foi um dos representantes brasileiros na II Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada, pela ONU, em 1993, em Viena, Áustria. Atualmente Dermi reside em Belém, no Estado do Pará.

Data do Lançamento: 14 de dezembro de 2012.
Local: Restaurante Bella Nápoli, Av. Hermes da Fonsêca, 960, Tirol
Horário: 18:30h
Contatos com o Autor: Tel. (91) 8185-3485 / 3248-9844 / 3349-1408
Email: azevedod08@gmail.com

BB recusa mediação com sindicatos.


Acesse o site da Unidade Bancária do RN www.unidadebancaria.com.br e saiba das informações. Banco do Brasil recusa mediação e se mostra antissindical, ContrafCUT quer audiência com Ministro Mantega sobre demissões nos bancos, debate sobre saúde na CEF é nesta semana, Oscar Niemeyer: presente!, HSBC deverá pagar US$ 1,8 bilhão por lavagem de dinheiro nos EUA,  liminar suspende demissões no Santander em São Paulo, e outras informações.


Natal/RN, 11 de dezembro de 2012

Saudações

Unidade Bancária do RN-CUT 



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Carnabeco e Pratodomundo agitam Centro Histórico de Natal
 
A banda do Maestro Duarte animou os foliões durante o Carnabeco, que aconteceu no último sábado pelas vialas do Beco da Lama e pelo Centro Histórico de Natal
 
Foto: Alex Gurgel – clique e confira mais
Os acordes de frevo ecoaram pelo Beco da Lama no derradeiro sábado. Era mais uma edição do Carnaval fora de época celebrado pelos frequentadores do Beco mais boêmio de Natal, o Carnabeco, que arrastou uma multidão pelo Centro Histórico de Natal, passando pelos principais botecos.
 
O Carnabeco é uma festa organizada pela Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacência (SAMBA), cujo objetivo é “tirar uma onda” com o famigerado Carnatal. Os foliões do Beco da Lama têm o privilégio de brincar o Carnabeco ao som do mais puro frevo pernambucano, sem cordas de isolamento e nem abadás.
 
Festival Gastronômico Pratodo mundo
 
Desde sábado, a SAMBA está organizando a 9ª edição do Pratodomundo – Festival Gastronômico do Beco da Lama. Diferente dos anos anteriores, em 2012 a competição é entre petiscos. O precinho também é camarada. Os bares poderão cobrar, no máximo, 10 Reais por cada petisco.
 
O Pratodomundo começou no último sábado (8) junto com o Carnabeco e vai até o próximo sábado, dia 15 de dezembro. Oito botecos da Cidade Alta estão participando do Pratodomundo. O primeiro lugar receberá o R$ 600 + troféu, o segundo levará R$ 400 + troféu e o terceiro receberá R$ 300 + troféu.
 
A SAMBA convidou este ano o artista plástico Jotó para fazer a arte do Pratodomundo que será entregue aos vencedores. O 9º Pratodomundo – Festival Gastronômico do Beco da Lama – é uma realização da SAMBA e tem o apoio do SEBRAE, do IFRN Cidade Alta e da Offset Gráfica.
 
Confira os bares participantes do Pratodomundo:
 
Bar do Pedrinho (rua Vigário Bartolomeu, ao lado do camelódromo)
Bar Inverno & Verão (rua Vigário Bartolomeu, no camelódromo)
Bar Encontro dos Boêmios (rua. Dr. José Ivo)
Bar da Meladinha (rua Dr. José Ivo)
Bar da Nazaré (rua. coronel Cascudo)
Bar Bardallo´s Comida e Arte (rua Gonçalves Ledo)
Bar do Sapato (rua Heitor Carrilho, próx. Igreja do Galo)
Bar do Zé Reeira (rua prof. Zuza, ao lado do IFRN Cidade Alta)