Desenho feito por Edmar Viana, em 1985, sobre as explosões de bombas caseiras feitas pelos integralistas de Carnaúba dos Dantas que impediram o avanço das tropas rebeldes na região Seridó. Vários comunista morreram no tiroteio da Serra do Doutor e dezenas presos e levados para a delegacia de polícia de Currais Novos.
Enock Garcia, delegado especial, disse que Dinarte Mariz não esteve na Serra do Doutor enfrentando os revoltosos.
Militar confirma que o "herói" que apareceu era pantomima.
Anexos
Natal,
26 de agosto de 1985
Ilmo.
Sr. Jornalista Luiz Cortez
Redação
do Diário de Natal
Meu
caro jornalista sr. Cortez:
Parabenizo-o
pela série de reportagens que tanto esclarecimento trouxe sobre aquela Revolta
– quando Natal tinha só 35.000 habitantes e a figura mais conhecida em Natal –
era uma velhinha que semanalmente percorria as ruas gritando: juá, jucá, pimenta, fedegozo, mutamba,
arruda, alecrim, marcela... em vez de bom-bril – as “donas de casa” compravam
areia fininha dos morros para o trato
das panelas.
Um
abraço
Luiz
Paulo
COMPLEMENTO DE APONTAMENTOS SOBRE A NOVEMBRADA/1935
I-
De fato antes da Revolta de 1935,
o clima político era agitado; logo no
Carnaval da Avenida Tavares de Lira, houve tiros e correrias, feridos e dois ou
três mortos.
II-
CURIOSO é que os “tenentes,
capitães e generais” fabricados em 1935 na Serra do Doutor, não esclareceram
que tipo de luta foi realizada alí, onde dizem que morreu muito comunista,
porém do lado daqueles que combateram alí os COMUNISTAS já em debandada de
Natal, “não houve um morto e nem um ferido” (parece-me)...
III-
Mesmo o fogo de Panelas foi um
arreganho de luta entre fugitivos (comunistas) de Natal e grupo de sertanejos
mais afoitos. Depois muita gente
comentava que em Panelas o combatente de esquerda mais bravo foi um cabeceiro
de (nome talvez Severino) e que vivia aqui no Alecrim sempre com uma faixa
larga na cintura devido volumosa hérnia visceral – este alí ficou morto.
IV-
Apesar da vitória comunista em
Natal, não houve depredações e nem vinganças na hora “H”; duas ou três lojas foram saqueadas pelo
populacho. Porém após a revolução que
fosse CAFEISTA era perseguido. Se alguém
fosse visto olhando a lua no céu em minguante – logo dizia que esse alguém
olhava para lua porque ela se parecia com a foice da bandeira moscovita...
V-
O dinheiro do Banco do Brasil
chegou prá muita gente... Logo em breve o jornal estampou os n ºs e as séries
das notas 500 mil, que era o dinheiro novo e mais alto da época. Em Nísia Floresta, seu Ferreira, português e
homem de bem e afortunado, permitira que um casal em trânsito repousasse
algumas horas em um casebre seu. Daí
alguns dias, seu Ferreira foi a cidade e comprou mercadorias e pagou com uma
nota de 500 mil. Isto chegou ao
conhecimento do Delegado que exigiu uma explicação da origem daquela nota. De pronto o português interrogado
explicou: - Sinhor delegado essa nota eu
trusse de Purtugal há tempo... “Mas seu Ferreira e essa notinha estar tão nova
e tem o nome Estados Unidos do Brasil?” - Ora sr. Delegado, essa notinha eu sempre
guardei dentro de um livru e nós sabemus qui o Brazil sempri foi unido a
portugal. – Mas seu Ferreira, e quantas
notas dessas o senhor ainda tem em casa? - Qual nada sr. Delegado, não tenho mesmu
mais nem uma mesmo. ( Porém após
pesquisas se concluiu que o casal de transeuntes levava tanto dinheiro que ia
deixando um pouco por onde passava)...
VI-
Após o “heroismo de 1964” – vimos
uma exposição numa Galeria ao lado do Palácio Potengi, o material apreendido em
poder de comunistas. Do grande médico
VULPIANO, prenderam meia dúzia de livros e meia dúzia de fotografias de
CIENTISTAS! PUDERA!...
VII-
De todos os líderes acusados de
comunistas no RN ou Natal, não se conhece um que tenha deixado: fábrica, fazenda, fortuna em bancos!...
Parece que só a inveja dessas topeiras é que vendo o prestígio e liderança
daqueles líderes – sentiram a necessidade psicológica de odia-los e
derrota-los, para poderem aparecer como “salvadores”... de que?...
O HERÓI DO CASO
Sou um Zé sem letra, um ninguém no conteúdo pomposo social de nossos
dias... Nem mesmo distingo bem o que é
real do irreal.
Octogenário, ví e ouví as 7 horas de fogo da fuzilaria da novembrada de
1935. Não ouso diminuir o conhecido
valor intelectual do doutor Valério e, nem enaltecer a conhecida competência e
honestidade jornalística do pesquisador L. Cortez. Porém, fico com os conceitos do sr. L.
Cortez.
Aquele destroçamento feito a bla no frontespício do quartel, sem se
fazia necessário, já que eram uns quatrocentos fuzis contra um punhado de
bravos policiais e, o fator surpresa favoreceu os “vermelhos”. Sempre houve muitos “heróis favorecidos e
muitos beatos santificados!...
Porém ocultar o heroísmo de Stalin, de Hitler, de Che Guevara, de Prestes,
Lampeão e Fidel Castro, não ecôa bem...
Na novembrada de 35, a liderança de João
Galvão e do sargento músico Plácido, foi quase heróica.
Defender um ideal com fez o médico
Vulpiano, de origem nobre, grande cirurgião, tantas vezes preso e espezinhado,
chegando a velhice e já trêmulo empunhando a foice e o martelo – é preciso ser homem. Há um escrito do escritor François Silvestre,
que fala de Vulpiano como se fala de um Deus.
(Perdôe-me pelos senões deste
despretencioso “escrito”, tudo é improviso sem livros, sem gramáticos ou
arquivos para consulta; já há tempos
recolhi-me ao sopé das dunas, e que bem e conforto é viver fora da sociedade
dos macacos-homens que há 20 milênios inventaram a vil moeda).
Carta do leitor Luiz Paulo, residente na
Vila São Paulo, Alecrim, Natal/RN, enviada à redação do Diário de Natal,
(01.12.1997. A carta não foi publicada na seção “Cartas dos Leitores”.
Os
textos a seguir não integraram a série de reportagens “O comunismo e as lutas
políticas do RN na década de 30”. São
reportagens escritas pelo autor após entrevistas e pesquisas realizadas a
partir de 1986. Publicamos, ainda, uma
carta do falecido advogado João Medeiros Filho ao diretor do Diário de Natal,
em 7 de outubro de 1985, na qual dá a sua versão sobre a adulteração do
relatório policial sobre a insurreição comunista em Natal ( um documento
oficial ). O enxerto de um nome no
trecho do relatório sobre as vitimas da rebelião em Natal, num documento
oficial e público, é reconhecida pelo missivista, ex-chefe de polícia do Estado
em 1935.
HERÓI DA PANTOMIMA
Ao ser indagado sobre a origem da criação do “herói” Luiz Gonzaga, morto
nos mangues do rio Potengi, após o término do tiroteio entre insurretos e
defensores do quartel do “Batalhão de Segurança” ( Polícia Militar), o coronel
da reserva da PM, José Paulino de Souza disse que “o herói surge no momento e
não muitos anos depois. Eu,
pessoalmente, não acredito nessa estória.
Acho que foi uma pantomima, mas quem melhor explicaria esse fato,
naquela época, teria sido do 1º sargento Luís César, já falecido”.
Ex-Comandante da PM, ex-Secretário da Segurança Pública, ex-Chefe da
Casa Civil do Governo do Estado e ex-prefeito do município de São Gonçalo do
Amarante – RN, José Paulino lembrou que não participou dos combates ocorridos
durante a insurreição de novembro de 1935 no RN, mas assegura que muitos fatos
acontecidos naquela época não mereceram pesquisas acuradas e, por isso, foram
divulgadas muitas versões inverídicas, parciais e tendenciosas.
- Uma versão muito difundida é a de que a revolta foi de caráter
comunista. Não, não foi. A insurreição em Natal foi de caráter
político local, aproveitada pela liderança da Aliança Nacional Libertadora e de
alguns poucos comunistas que tencionavam derrubar Getúlio Vargas. Tudo se identificava com a ANL, embora
tivesse comunistas nessa organização.
Com a rebelião, o povo de Natal pensava que se tratava da libertação do
país. Mário Câmara, interventor e que
era muito ligado a Getúlio Vargas, fez uma administração que não agradou a
todos e perdeu a eleição indireta para governador, após o pleito que elegeu os
deputados da Assembléia Constituinte Estadual.
Com maioria de três votos, Rafael Fernandes, do Partido Popular, foi
eleito governador, mas os maristas e cafeístas ficaram descontentes. Com a revolta dos cabos e soldados do 21º BC,
motivada pela desincorporação de dezenas de praças, anunciada na véspera,
maristas e cafeístas tomaram parte na insurreição de 23 de novembro de 35. Além disso, o governador Rafael Fernandes
tinha demitido dezenas de guardas-civis nomeados na gestão de Mário Câmara, na
sua maioria verdadeiros cangaceiros, cabras perversos e de péssimos
antecedentes da Paraíba. Asseguro que a
dispensa de praças do 21º BC foi o que mais concorreu para a insurreição, pois
não havia efervescência social. Havia
tensão política por causa da acirrada campanha eleitoral feita pelos
partidários de Rafael Fernandes, vitorioso, e Mário Câmara, derrotado. Na chefia da insurreição eram comunistas
Lauro Cortês Lago, João Batista Galvão, José Macedo e o músico Quintino. E durante os quatro dias de domínio dos
revoltosos não se divulgou nada que caracterizasse como uma ditadura
comunista”, prosseguiu José Paulino de Souza, 80 anos.
Coronel José Paulino lembra que não se afinou como interventor Mário
Câmara e, devido as suas divergências, foi perseguido e transferido para
Mossoró. Somente foi prestigiado no
governo Rafael Fernandes, de quem foi ajudante-de-ordens durante 10 dias
“porque o titular tinha perdido as fardas no período da revolta” e, tempos
depois, nomeado prefeito de São Gonçalo.
HERÓIS ESQUECIDOS
Sobre o indivíduo Luiz Gonzaga de Souza, conhecido por “Doidinho”
pelos praças do quartel do “Batalhão de Segurança”, onde pegava a chêpa
diariamente, o coronel José Paulino afirma que não tem certeza se ele foi
alistado na Policia Militar antes de 27 de novembro de 1935. E acrescenta:
“Não sei. É difícil a gente
saber, não é? Só sei que em 35 não se falava nesse
“herói”. Falava-se mais num tal de “Mão
de Sangue”.
- E quais os homens da Policia Militar que atuaram com bravura na
resistência que durou 19 horas, entre 23 e 24 de novembro de 35?
Bilac de Faria, filho de Nelson Faria, e o tenente Pedro Vicente lutaram
contra muita bravura e heroísmo. O tenente
Pedro Vicente, sozinho e com muito sangue frio, manejou a velha metralhadora
pesada do quartel. A prova de sua
coragem foi a permanência na área da entrada central do quartel, atirando
doidamente, sem alvo, para frente, numa situação desesperadora em que podia ter
sacrificado a sua própria vida e de muitos outros. Mas, ao que me parece, ninguém fez questão de
registrar isso em boletim. Sobre Luiz
Gonzaga, botaram alguma coisa depois...(risos).
Já o tenente Bilac Faria foi um figura destacada, pois no tiroteio ele
saia do quartel para o pátio externo, rolando no chão e atirando. Fez isso várias vezes e serviu de estímulo
para os que defendiam o quartel. Bilac
se portou com muita bravura.
- Por que a Polícia Militar não relembra o heroísmo de Bilac Faria?
R- Não sei.
- O tenente Zuza, José Paulino de Medeiros, também lutou com heroísmo na
defesa do quartel?
R- O tenente Zuza não foi um herói. É verdade que ele lutou na defesa do quartel,
mas como marista apaixonado e oportunista foi para o batalhão para se
infiltrar e facilitar o ataque dos revoltosos.
Tenente Zuza ficou permanentemente vigiado por dois homens de confiança
do capitão Joaquim de Moura, que dirigiu a defesa com bravura. Por isso, Zuza combateu à força. Em caso contrário, morreria.
- Quantos morreram no ataque ao quartel da PM?
R- Na luta não morreu ninguém, nem do
lado dos atacantes nem dos defensores do quartel.
- E o herói Luiz Gonzaga?
R- Não conheci Luiz Gonzaga. Eu tinha o posto de 2º tenente, mas não
participei da defesa do quartel porque a revolta me pegou de surpresa na noite
do dia 23, quando me encontrava na residência da viúva de João Reis, na rua
Frei Miguelinho, bairro da Ribeira. De
lá, fui para o Teatro Carlos Gomes, a fim de buscar duas filhas da viúva de
João Reis. Do teatro, por volta de 22
horas, levei seis pessoas, em coluna por um, me colocando na frente, para a rua
Frei Miguelinho, sem ser molestado pelos revoltosos, tendo, antes, perguntado
aos praças que, em posição de ataque, no chão, se podia passar com o pessoal
que me acompanhava. Fique na referida
casa até às 4 horas do dia 27, quando tudo estava acabado. Saí de lá com o tenente Vicente Euclides de
Lima e, num bote de praticagem, rumamos para um dos três navios de guerra
mexicanos, mais próximos do cais, surtos no rio Potengi, afim de buscarmos as
autoridades ali refugiadas. No retorno,
às 6 horas, perto do cais da rua Tavares de Lira, vi muitos revoltosos
abandonando fuzis e fugindo.
Mas sobre o soldado Luiz Gonzaga, que morreu em consequência do
movimento, acho que tornaram-no herói tempos depois. A tradicional visita ao Cemitério do Alecrim,
onde estava o túmulo foi iniciada anos depois.
Ele foi atingido e morto dentro do mangue às vistas do 1º
sargento Luís César que se achava próximo dele.
- O senhor como comandante da PM chegou a comemorar o 27 de Novembro?
R- Não.
Eu fui designado para o Comando Geral por um período muito curto pelo
Governador. E não se pode desfazer uma
coisa que está oficialmente dita. Fica
feio, não é? Mas a verdade, acima de tudo, é contrária à
versão oficial. A verdade é que deve
prevalecer.
- Há alguma outra mentira divulgada como fato real?
R- Sim.
Há a da “Mão de Sangue”, a mancha vermelha que ficou numa parede do
quartel da polícia. A mancha foi de
alguém que se feriu no tiroteio e passou a mão ensanguentada na parede. Só não foi a mão de Luiz Gonzaga e sabe disso
o coronel Alberto Manso.
- Dinarte Mariz foi mesmo o “General” da “Serra do Doutor”?
R- Não.
Dinarte foi para Santa Luzia, na Paraíba, a procura de meios de
defesa. Depois que tudo terminou,
Dinarte voltou com uma tropa da Paraíba, segundo eu soube, para cooperar na
reorganização da resistência. Mas
general ele não foi.
A respeito do tenente Alberto Gomes, morto em combate em São Paulo, durante
a Revolução Constitucionalista de 1932, o coronel José Paulino de Souza não
sabe os motivos da omissão do comando da PM potiguar. “O tenente Alberto Gomes morreu em combate e
recebeu medalha post-morten do então Ministério da Guerra (Exército), por atos
de bravura. Ele foi um marista
doente e esse deve ter sido o motivo, dizem.
Mas não sei o porquê dessa omissão da PM.”
- E só comemoram Luiz Gonzaga?
R- É verdade, infelizmente. Luiz Gonzaga, na minha opinião e pelo que
ouvi na época, recebeu um tiro casual, tendo em vista que ele se encontrava
dentro do mangue do rio Potengi, quando empreendia fuga, juntamente com outros
homens da PM, na tarde do dia 24 de novembro de 1935. É muito difícil acertar uma pessoa dentro de
uma vegetação. O mangue era fechado e um
dos tiros esparsos atingiu-o mortalmente.
Não é questão de raciocínio, é lógica.
Luiz Gonzaga morreu no meio dos que fugiam da perseguição dos
revoltosos, dentre eles o 1º sargento Luís César, falecido no posto de
coronel. É certo que ele morreu sem
praticar nenhum ato de patriotismo e heroísmo.
Na época, o tenente Luís César me disse que viu Luiz Gonzaga ser baleado
por pessoas que estavam fora do mangue, ao lado dos revoltosos, tendo morte
quase instantânea.
- O senhor ouviu falar em Sizenando Filgueira da Silva, que diz ter sido
o autor do disparo que matou Luiz Gonzaga?
R- Não.
Quem baleou Luiz Gonzaga, eu não sei.
Mas que ele morreu no mangue, é verdade.
- E quem criou o herói Luiz Gonzaga?
R- Não sei se foi a própria Policia Militar.
- O tenente Mário Cabral, da Policia Militar, teve atuação na
insurreição?
R- Mário Cabral era marista e lutou ao lado
dos revoltosos. Ele instalou uma
metralhadora pesada, do Exército, na casa da esquina da rua João Mata com praça
André de Albuquerque. Nessa casa moravam
uns anões e, lá, ele ajustou a metralhadora e ficou atirando no parapeito do
quartel da Policia com a intenção de derrubar o telhado em cima dos
resistentes. Faltou pouco para Mário
Cabral ter êxito na missão. Depois da
revolta, ele foi demitido e reingressou na PM com a anistia, em 1945, após
passar 10 anos na cadeia. Eu mesmo fui
nomeado pelo Presidente da República, Dutra, pelo Decreto-Lei n.º 7.474, de
18/04/45, para tratar de reversão de oficiais e praças da Policia Militar do
RN, beneficiados pela anistia. Mário foi
reincorporado com um parecer favorável, pois sabia que ele não era comunista.
José Paulino de Souza adianta ainda que a unidade do Exército em Natal
era mesmo o 21º Batalhão de Caçadores e não o 29º BC, conforme
versão do pesquisador Ivanaldo Lopes no seu livro “Natal do Meu Tempo”,
publicado pela “Companhia Editora do RN-CERN” (Natal – 1985).
Durante a revolução constitucionalista de São Paulo, em 1932, o
contigente do 21º BC, sediado em Recife-PE, tentou se rebelar e se
aliar aos revoltosos paulistas. Como
castigo, o 21º BC foi transferido para a fronteira do Brasil com a
Colômbia, devido a guerra desse país com o Peru. Depois, o 21º BC veio para
Natal. Em novembro de 1935, o 29º
BC estava em Recife, tendo o 21º BC ocupado as suas dependências,
conforme explica o Sr. João Wanderley, ex-cabo do Exército e um dos
participantes da insurreição de Natal, onde reside. O coronel José Paulino de Souza (1) corrobora
esta informação, conforme entrevista gravada (Natal, dez/86).
NOTA:
1-
José Paulino
de Souza faleceu em Natal, em 1989, após curta enfermidade.
SERRA DO DOUTOR: MAIS VERSÕES
SOBRE A “BATALHA DE ITARARÉ”.
“Currais Novos era a estação principal dos Correios naquela época
e em não apareceu nenhum telegrama de Dinarte Mariz para os chefes políticos do
Seridó comunicando a vinda dos revoltosos para o Seridó. Essa história de “General da Serra do Doutor”
nunca existiu, pois Dinarte não esteve lá, assim como muitas pessoas que
correram para a Paraíba e somente apareceram dois dias depois do tiroteio, com
os pés inchados de tanto andar a pé”, disse Paulo Moreira Brandão, aposentado
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT.
Sem confirmar o nome do delegado de policia de Currais Novos, em
novembro de 1935, Paulo Brandão acrescentou que Dinarte Mariz e Enock Garcia
estiveram na agência dos Correios depois do choque entre os
revoltosos e os sertanejos aliciados pelos chefes políticos, prefeitos e
integralistas do Seridó. Confirmou que
alguns presos da cidade de Currais Novos foram mortos e outros conseguiram
fugir, após o tiroteio da Serra do Doutor, situada no município de Campo
Redondo.
“Dinarte e Enock passaram na estação, passaram um telegrama e disseram
que iam para a Paraíba em busca de reforços.
Sobre o tiroteio posso dizer que apareceu muita gente “corajosa”,
“braba” e disposta para tudo, mas na hora H, correu pra todo lado. Eu estive no local do tiroteio e trouxemos 3
cadáveres de revoltosos, mortos na Serra; lembro-me que um cadáver era de um homem que
vendia vísceras em Macaíba – esse levou um tiro na cabeça -, um soldado do
Exército e outro desconhecido. Os três
foram enterrados no cemitério de Currais Novos.
Agora herói não houve nenhum, pois correu todo mundo logo que começou o
tiroteio. Acho que ainda tem gente
correndo. No dia seguinte ao tiroteio,
apareceram algumas pessoas dizendo que tinha matado muita gente, que tomaram um
fuzil-metralhadora dos comunistas. Tudo
mentira, pois o sargento Santos, da PM, me disse que o fuzil-metralhadora
pertencia à Policia Militar. Agora que
houve muito pânico na região, é verdade.
Alguns postos de iluminação pública foram derrubados por caminhões,
tanta era a confusão reinante na cidade.
O povo fugia para os pés de serras e sítios. Guedes, irmão de Tristão de Barros (pai de
Genibaldo Barros, ex-reitor da UFRN), foi quem restabeleceu a iluminação da
cidade, praticamente deserta no dia em que se anunciou que “os comunistas estão
chegando”. Lembro-me que o monsenhor
Walfredo Gurgel, trajando uma calça comprida, foi para a Serra do Doutor com um
revólver na cintura e bombas dentro do carro.
Do jeito que foi, ele voltou.
Tristão de Barros, dono de uma farmácia, deu remédio para dor de barriga
para muita gente que fugiu do tiroteio, inclusive um oficial da Policia, com
fortes cólicas. O médico, Dr. Mariano
Coelho, chegou a dizer para o oficial “você está melhor do que eu”. A doença era emocional, medo, e assim
acabaram todo estoque de remédio para desinteria da farmácia de Tristão...
(risos). No final, não houve nada. Do lado dos comunistas, morreram três, logo
depois da explosão das bombas que botaram no meio da estrada, impedindo a
passagem do comboio. Do lado de cá, não
morreu ninguém, pois fugiram todos”, completou Paulo Moreira Brandão, residente
em Natal, à rua Mossoró, Centro.
ENOCK DÁ SUA VERSÃO
Na
coletânea de depoimentos prestados à TV-Universitária – Canal 5, de Natal,
reunidos em livro pelo professor Carlos Lyra (Nossa Editora, Natal-RN, 1987),
que coordena o programa “Memória Viva”, o sr. Enock Garcia, delegado que
presidiu o inquérito da insurreição de novembro de 35 na capital, dá a sua
versão dos acontecimentos de Panelas (hoje Bom Jesus) e da Serra do
Doutor. Enock (o depoimento foi gravado
em 05.05.83, portanto antes da publicação das reportagens sobre “O Comunismo e
as lutas políticas do RN na década de 30)” afirma que Dinarte Mariz não lutou
na Serra do Doutor e nem passou telegramas para os prefeitos e chefes políticos
do Seridó, pedindo a organização de forças para a luta contra os revoltosos.
Ao ser
indagado por Carlos Lyra sobre como “salvou a vida de Dinarte Mariz”, o
advogado aposentado Enoch Garcia respondeu que “não quero dizer que salvei a
vida de Dinarte. Quando houve o tiroteio
feito pelos comunistas, que me lembre, quem lutou ali, brigou e matou gente,
foi Ivo Trindade, advogado casado com uma filha de José Bezerra, do “Baxio”, e
dona Iracema. Quando eu subi pelo
Seridó, acordando todo o mundo para descer para a revolução, eu passei na casa
de Ezequiel Mergelino”. “... chegaram já
à meia-noite, Almir Freire (meu cunhado), Mesquita e Paulo Teixeira (que está
vivo para contar isso), e disseram que havia um tiroteio em Natal (que estavam
ouvindo o barulho). Fomos para Macaíba,
e ficamos ali, onde tem aquela estátua de Augusto Severo, esperando os
acontecimentos. Dali, olhando, víamos no
céu, aquele fogo que se travava, aqui em Natal.
Então, eu me lembrei do nosso “passeio” atrás do Baltazar Meireles: lembrei-me de Dinarte. Só ele tinha condições (aliás, João Medeiros
diz isso no livro dele) E disse: “Só
quem pode nos salvar é Dinarte!”. “...
saí para Caicó, no carro de Pedro Azevedo.
Em Bom Jesus (Panelas), acordei Sebastião Bezerra, um sargento
(delegado) amigo nosso. Em Santa Cruz,
já deixei Ezequiel Mergelino preparando o povo, para quando descessemos à tarde
(N.R.: Enoch refere-se a tarde de 24.11.35);
eu já contando que Dinarte “vinha com tudo”, como de fato, veio. Seguimos para Currais Novos, onde passei um
telegrama para Dinarte, mas esse telegrama chegou atrasado. Deixei José Domingos, que era o telegrafista
encarregado de avisar Mariano Coelho, que estava dormindo, dizendo: “Você se encarrega do pessoal daqui. À tardinha nós voltamos”, porque eu queria
reunir todo mundo, para a gente marchar.
Quando chegou em Acari, estava Raimundo Duarte, que eu chamava, pela sua
coragem, de “Raimundo Doido” (e era doido mesmo) e ele disse: “-Ah!
Eu vou com vocês.” Estava tomando
café, largou tudo e entrou no carro.
Quando chegamos em Caicó, Dinarte estava saindo para a feira de
Jucurutu. Não tinha recebido, ainda, o
danado do telegrama. “- Eu ouvi falar num telegrama, mas ainda não chegou nas
minhas mãos.” Contei tudo a ele, que em
poucas horas preparou Caicó de tudo, e nós descemos. Negócio de duas horas para três. E por onde a gente passava, ia seguindo a
procissão de cada município”.
SÓ QUEM MATOU FOI IVO
“ ... e
quando chegamos perto de Serra Caiada (hoje Presidente Juscelino), ouvimos um
tiroteio (ainda, hoje, tem uma cruz, lá).
Depois desse tiroteio, nós fomos nos aproximando (há uma parte aí que eu
não quero contar...) e estava Ivo Trindade, com nove presos e um morto. Embarcamos esse povo todo e, também,
dispensamos logo Ivo Trindade, porque o trabalho que ele fez, foi
extraordinário. Ele pegou um caminhão de
revolucionários, um caminhão e mais um automóvel, ou dois. Reagiu contra esse povo todo,
inesperadamente, todo mundo com arma besta, arma curta. De manhã, bem cedo, acordamos (ninguém dormiu
nada, deitado pelo chão, no meio da estrada, onde, hoje, tem a cruz) com
Raimundo Duarte, chamando: - Doutor, vem cá. Olhe, aqui tem um caminhão dentro
dos matos (na fuga, eles abandonaram). E tem camarada morto, aqui dentro.
...“Ali mesmo , cavou-se um buraco e se enterrou o camarada, que morreu
na luta com Ivo Trindade. Essa cruz é desse camarada. Ninguém guardou o nome
dele”. (páginas 149,151 e 152).
Enoch
Garcia, após relatar um ligeiro tiroteio perto da ponte de “Panelas” e a prisão
do sargento revolucionário Wanderley Alves, amigo de Dinarte Mariz, disse que
os sertanejos foram até as proximidades de Macaíba, cidade que estava
controlada pelos insurretos e, de lá, resolveram retornar ao Seridó:
O TIROTEIO DE “PANELAS”
“Voltamos,
e Dinarte consultou a gente e disse: O jeito que tem é nós irmos à Paraíba,
pedir socorro ao governador Argemiro (para quem já havia telegrafado, quando
saíamos de Caicó). Deixamos em Bom Jesus, poucos companheiros para fazer uma
resistência ligeira, com Zé Franco, Pedro Ciciliano, Antônio de Castro, José
Epaminondas, Genésio Cabral, irmão de Mário Cabral, Severino Elias... eles
ficaram fazendo uma resistência na estrada, por conta deles, e nós fomos buscar
socorro. Porque se fosse continuar aquilo, só com os nossos, sem armas, sem
munição, sem nada...”
“Todo
mundo queria que Dinarte tivesse tomado parte na Serra do Doutor. Ele não tomou
parte na Serra do Doutor, como eu não tomei, como Humberto Gama não tomou. Lá,
tomaram parte, esses oficiais que eu já falei: Pedro Ciciliano, José
Epaminondas, Genésio Cabral, Antônio de Castro.... e, inclusive, muitos civis.
... Daí fomos para a Paraíba. Aí Dinarte telefona para Argemiro (NR. Enoch
refere-se ao telefonema de Dinarte para o governador da Paraíba em Campina
Grande). Era meia-noite, quando Argemiro nos recebeu em sua casa. Um palácio!
Pôs tudo à nossa disposição, e mandou logo acordar os irmãos Chaves (dois
oficiais da polícia paraibana da confiança dele) para descerem para o Rio
Grande do Norte. Argemiro foi uma figura decisiva de nossa luta. E daí
regressamos por Santa Luzia. Apanhamos as armas, lá, em Campina Grande. Saímos
de Santa Luzia. Quando foi ao amanhecer do dia, madrugada ainda, encontramos
Florêncio Luciano (N.R.: Florêncio Luciano, chefe político de Parelhas, já
falecido), outro elemento extraordinário que nos ajudou, que nos telegrafou,
porque ele me descobriu, que Dinarte com aqueles atropelos de tanta coisa, só
eu podia conversar com ele. E me disse pelo telégrafo: - Enoch, eu não sei o
que aconteceu, mas o nosso povo reagiu em cima da serra, e o esbandalho foi grande.
Até agora está correndo gente deles e gente nossa (risos), mas, eu estou aqui,
em Currais Novos, só não sei como...
- Pois espere, que nós vamos chegar por
aí.
Saímos e fomos visitar, lá na Serra do Doutor, que muita gente disse que
mataram muita gente, e até eu fui acusado de ter matado muita gente, sem nunca
ter pisado lá dentro. Verificamos tudo lá, não tinha mais ninguém. Descemos a
ladeira e viemos para Natal”. (Transcrito do livro Memória Viva, organizado por
Carlos Lyra, Nossa Editora, Natal-RN, 1987, págs. 155 e 156).
Enoch Garcia foi Delegado de Ordem Social, nomeado em janeiro de 1936,
pelo governador Rafael Fernandes, sendo encarregado de apurar o levante de
novembro de 35 em Natal, cujo inquérito policial foi concluído em abril de
1936.
No relatório do inquérito policial, Enoch Garcia não registrou a morte
do homem conhecido por “Luís Gonzaga” ou “Luís Gonzaga de Souza”, vulgo
“Doidinho”, que teria sido alistado na Polícia Militar um mês antes da rebelião
comunista e abatido no mangue do rio Potengi pelo insurreto Sizenando Filgueira
da Silva (falecido).
A VERSÃO DO “GENERAL”
Em discurso pronunciado na sessão de 2.12.77, no Senado Federal, o então
senador Dinarte Mariz (ARENA-RN), disse que "apenas três setores
combateram e foram responsáveis pela derrota dos comunistas no Rio Grande do
Norte que chegaram a ocupar o Governo do estado durante dois dias: a Polícia
Militar, sob o comando do seu bravo Comandante Cel. Luiz Júlio; a resistência
dos sertanejos do Seridó sob o meu comando, composta de cerca
de cento e oitenta homens e a Polícia da Paraíba que o Governador Argemiro de
Figueiredo, num gesto de compreensão e coragem, quando o seu próprio Estado
estava sob ameaça, deu ordem para que um grande contingente avançasse sobre
Natal pelo litoral".
"Nenhum outro elemento tomou parte na repressão comunista durante
os dias de luta em território norte-rio-grandense", afirmou Dinarte Mariz,
cujo discurso, após ser submetido a revisão do orador, foi publicado no Diário
do Congresso Nacional, n.º 157, Seção II, em 5.12.77, páginas 7681 a 7684.
Mais
adiante, isto é, após os apartes do senador Teotônio Vilela (ARENA-AL), o
senador seridoense afirmou: "Cheguei a esta Casa, Sr. Presidente e Srs.
Senadores, vindo de um ambiente que combatia os comunistas. Cheguei a esta
Casa, Sr. Presidente e Srs. Senadores, trazendo, ainda na mente, um pouco do
cerco comunista de que fui vítima. Não sou anticomunista de gabinete; sou
anticomunista de fuzil na mão".(4)
A
sessão de 2.12.77 foi quase toda tomada pelo discurso do falecido senador
Dinarte Mariz, que discordava de uma matéria publicada no O ESTADO DE SÃO
PAULO sobre a revolução comunista de 1935 no Rio Grande do Norte. A
matéria, citando Foster Dulles, informava ter o então major Josué Freire
comandado a Polícia Militar durante " a resistência ali oferecida aos
comunistas e forças do Exército vindas do Recife e Alagoas terem tomado parte
na repressão aos mesmos".
Depois
de sua catilinária anticomunista, Dinarte, lembrando o tiroteio na Serra do
Doutor (Campo Redondo-RN), disse que “quando empunhei arma contra os comunistas
e pude telegrafar, dando notícias ao então Presidente da República, dos
acontecimentos, não era eu um correligionário de Sua Excelência, não estava ali
por dever político, estava ali, sim, por dever cívico. Era um cidadão que não aceitava as idéias
comunistas e quando tive oportunidade de me encontrar pela primeira vez com
aquele eminente estadista, o saudoso Presidente Getúlio Vargas, ele me disse:”O
Sr. já me prestou um grande serviço”.
E numa pausa
que fez, retificava: “Não a mim, mas ao
País. Quando eu estava sem notícia do
Rio Grande do Norte, quando nós sabíamos que o Estado tinha sido dominado pelos
comunistas, recebia do Sr. um telegrama informando que estava combatendo os
comunistas à porta da Capital, depois de infringir-lhes pesadas derrotas”. Esse foi o depoimento do eminente Chefe de
Estado naquela época.
Dinarte
registrou, ainda, que em 1977 o Brigadeiro Eduardo Gomes, na residência do
militar falecido, após referir-se aos ferimentos recebidos na insurreição de
1935, no Rio, disse-lhe que o então Ministro João Gomes, teria informado-o,
naquela ocasião, que “tivemos uma boa notícia;
recebi um telegrama de um cidadão chamado Dinarte Mariz, comunicando que
estava combatendo os comunistas às portas da Capital”.(5)
Dando
informações sobre fatos até então desconhecidos pelos pesquisadores
norte-rio-grandenses, Dinarte Mariz afirmou que o julgavam um homem intolerante
pelo fato “de ter pegado em armas, o de ter sido quase cercado(6), o
de ter
combatido, o de ter mandado sepultar (7) – isso eu
digo até com constrangimento, que não é esse o meu temperamento – o de ter
mandado sepultar alguns daqueles que eu combatia naquela hora.
Sinto que foi a condescendência e a omissão no curso de história que nos
levou à ameaça de 1935, e posteriormente, a de 1964, dentro de cujos
acontecimentos nós ainda nos encontramos”. (8)
NOTAS:
1-
A rebelião começou na noite de
23.11.35 (sábado). Na madrugada de 27,
os rebeldes fugiram de Natal. No dia
seguinte, o jornal oficial “A República” voltou a circular. Os rebeldes controlaram a administração do
Estado nos dias, 24, 25 e 26.11.35, portanto, três dias de efetivo domínio,
pois na manhã do dia 27 o “Governo Popular Nacional Revolucionário” de Natal
deixou de existir.
2-
Dinarte Mariz deu apoio logístico
e aliciou muitos sertanejos, mas nos tiroteios de Serra Caiada, Panelas e Serra
do Doutor, a resistência foi comandada por outras pessoas. Ver depoimento de Seráfico Batista, na reportagem. “Em 35 os coronéis fugiram da luta” o POTI,
Natal, 02.06.85. Idem Enoch Garcia, pág.
155, Memória Viva, org. Carlos Lyra. (Natal-RN – Nossa Editora)
3-
Dinarte refere-se a repressão
anticomunista, no meu entender, pois ele omitiu a participação dos
integralistas de Currais Novos, Acari e Carnaúba dos Dantas, do monsenhor
Walfredo Gurgel, de dezenas de empregados dos fazendeiros e coronéis da região
Seridó do RN nos preparativos da resistência ao avanço dos revolucionários.
4-
A referência é com relação aos
fuzis recebidos em Campina Grande, oferecidos pelo governador Argemiro
Figueiredo, que não foram utilizados na Serra do Doutor e em parte alguma, pois
os revoltosos estavam derrotados e em fuga.
5-
Ver depoimento de Enoch Garcia,
op. cit., 4º parágrafo da p. 156.
6-
Desconhece-se o local desse
“cerco” e do combate que Dinarte participou.
7-
Ibidem Enoch Garcia, 4º parágrafo
da p. 156.
8-
A respeito das reportagens do
autor, o historiador norte-americano John Foster Dulles, em carta endereçada ao
escritor Eduardo Maffei, residente em São Paulo-SP, em 20.07.87 diz o seguinte:
“Será interessante para mim ouvir Luiz Gonzaga Cortês. Dinarte Mariz disse em um discurso no
Congresso Brasileiro que a minha descrição do que aconteceu no Rio Grande do
Norte em 1935 estava errada. Aluizio
Alves, que falou-me sobre o discurso de Dinarte Mariz, disse-me também que
Dinarte Mariz estava errado e que eu estava certo. Na verdade, eu nunca escrevi muito sobre
Natal em 1935, embora eu tenha notas de umas poucas entrevistas que eu fiz lá
em 1967 ou 1968. Não tantas entrevistas
quanto aquelas de Luiz Gonzaga Cortês e certamente, as minhas foram conduzidas
com menos inteligência”.
