segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ataque de parte do bando de Lampião a Mossoró foi complô político.


O historiador e advogado de Apodi, Marcos Pinto, aprofunda pesquisa sobre o ataque de Lampião a Mossoró, em 1927. Na verdade, há décadas que ouvimos falar que o ataque foi liderado por Massilon, um dos cangaceiros famosos do Nordeste e que tinha interesses particulares num ataque a Mossoró, apesar das discordâncias de Lampião, que ficou estacionado nas proximidades do cemitério enquanto o tiroteio se realizava. Mas isso é outra história... Transcrevemos o texto da matéria publicada no blog de Honório Medeiros, grande intelectual e pesquisador potiguar. a) Luiz G. Cortez.

sábado, 21 de maio de 2011


MARCOS PINTO: JERÔNIMO ROSADO E FELIPE GUERRA PARTICIPARAM DO COMPLÔ PARA O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ!

Historiador Marcos Pinto

O historiador Marcos Pinto, autor do respeitado "Datas e Notas para a Historia de Apody", concedeu esta entrevista ao www.honoriodemedeiros.blogspot.com Confiram abaixo:

Honório: vc é defensor da teoria da participação direta, embora oculta, de Jerônimo Rosado nas articulações para o ataque de Lampião à Mossoró. Como isso aconteceu?

Marcos: Cresci ouvindo  meu  avô  paterno  ARISTIDES  FERREIRA  PINTO (18.04.1907 / 19.09.1975)  narrar, de forma  minuciosa, no  alpendre  de  sua  fazenda, a  saga do seu  irmão  Cel. FRANCISCO  FERREIRA  PINTO (17.04.1895 / 02.05.1934), sempre  relatando  trechos da  carta  escrita  pelo  mesmo, e  enviada  para o  seu  parente  RODOLFO  FERNANDES, por  emissário  especial, após o  célebre  ataque à  Apodi por  uma  parte  do bando  do  famigerado  Lampião, comandados  pelo  célebre  cangaceiro  Massilon  Benevides, fato ocorrido  à  10 de Maio  de  1927.

Honório: em que vc se fundamenta para defender essa teoria?

Marcos: Lembro-me que o meu  avô  fez  o  relato sempre  observando    ter  ouvido  inúmeras  vezes  do seu  perseguido  irmão, que  dentre  o intrincado  de  particularidades  da  missiva  informando  o  Rodolfo, destacava:

            -    Que fora informado por pessoa  de  acentuada  estima  e  confiança, de que fora  armado  um  complô  com fito  único  de  exterminá-los  fisicamente, engendrado  pelo  quarteto   sinistro  composta  por  Jerônimo  Rosado, Felipe  Guerra,  seu  cunhado Tilon Gurgel, que   por sua  vez  arregimentou  a  participação  do  seu genro  Décio  Holanda;

            -     O alerta a    Rodolfo  para  a  necessidade  e    cuidados  de  chefe  de  estado em  só  arregimentar  pessoas de  sua mais  íntima  amizade  e  confiança, de  preferência  parentes;

            -     Que o complô  tinha  como  objetivo  abrir  lacunas  nos  executivos de  Apodi  e  Mossoró, proporcionando  a  assunção de Tilon  Gurgel  em  Apodi, e  o  retorno  de  Jerônimo  Rosado ao  comando  do  executivo  mossoroense, na  Presidência da Intendência  municipal (Equivalente ao de Prefeito) que  já  ocupara  no  período  1917-1919, tendo  como  Vice-Presidente da  Intendência (equivalente ao cargo de Vice-Prefeito) o  Dr. Antonio  Soares  Júnior, genro  de  Felipe  Guerra;


Honório: é sabido de sua anterior e forte ligação com Vingt-Un Rosado. Seu afastamento dele se deveu à sua teoria acerca da participação de Jerônimo Rosado no ataque de Lampião a Mossoró?

Marcos: Antes de adentrar na resposta, faço a  observação  de  que  o  grande  e  profícuo  historiador VINGT-UN  ROSADO  enfatizou, em um dos  seus  livros  em  que  aborda  a  atuação  de  seu  irmão  Dix-Sept  como  governador  do  RN, a  importância  do mesmo ter  ratificado  o  intrínseco  vínculo  de  amizade  existente  entre  seu  pai (Jerônimo  Rosado) e  o  Dr. Felipe  Guerra,com a  nomeação  do  Dr.  OTO  GUERRA  para  o  pomposo  cargo  de  Procurador  Geral  do  Estado.

                Acredito que o  sutil  afastamento  do  VINGT-UN  em  relação  a  minha  pessoa  dera-se  em  decorrência  de um  artigo que escrevi  em  um  jornal  de  Mossoró, com  o  sugestivo  título  "FORJARAM  FATOS  NA  HISTÓRIA DE  MOSSORÓ"  em que  desmitifiquei   fatos  supostamente históricos  elencados  por  VINGT-UN  sobre  o  "MOTIM  DAS  MULHERES"  e  sob  o  verdadeiro  motivo  que fez  com  que  o  então  governador  DIX-SEPT  ROSADO  encetasse  a  viagem  ao  Rio de Janeiro, então Capital  da  República, ou seja, que a  viagem  dera-se  em atendimento  a  um telegrama  enviado  pelo  Presidente  Getúlio  Vargas, que  pretendia  aparar  arestas existentes entre  DIX-SEPT  e  o  CAFÉ  FILHO, então  Vice-Presidente  da  república.  Ressalte-se que o Dr. VINGT-UN nunca deixou de  saudar-me  quando  nos  encontrávamos.  Em que cofre estará escondida a carta do Cel. Francisco Pinto? Terá sido incinerada pelo Dr. Aldo  Fernandes, genro  de  Jerônimo  Rosado ?  Por que deram  sumiço  a  essa  prova, que  paira  apenas como uma  referência  metafórica  a  um segredo ?

Honório: há, em sua opinião, alguma relação entre o ataque a Apodi, feito por Massilon, e o ataque a Mossoró, no qual esse cangaceiro chefiava um dos subgrupos de Lampião?

Os interesses políticos e  pessoais  que  uniam  JERÔNIMO  ROSADO, FELIPE GUERRA  e  seu  cunhado  TILON GURGEL, somado  à  intrínseca  participação  do seu genro Décio  Holanda, conduz  à  certeza  de  que havia  um  consórcio em confidências  íntimas  e  profundas. Delas se poderá até deduzir  que, nos  episódios  do  10 de Maio  de  1927  e  de  13 de Junho  do mesmo  ano, Jerônimo  e  Felipe  Guerra  atuaram  como  espécies  de   mentores  com  acentuadas  ascendências. As perspectivas de sucesso das nefastas empreitadas alegravam perversamente os seus espíritos.  Em sentido adverso a eles, os desígnios divinos anularam tamanha virulência em matéria de inveja  e  cobiça. Nuances que anularam seus princípios de homens públicos e anulam suas individualidades.  Foram pródigos em protagonizarem distorções de caráter. A ânsia pelo poder fez com que perdessem inteiramente o contato  com  a  realidade.

Honório vc está escrevendo algum livro, atualmente?

Marcos:      Sim, estou em fase de conclusão  trabalho  de  cunho  histórico/genealógico  com  o  título  "SUBSÍDIOS  PARA  A  HISTÓRIA           FAMÍLIAS  APODIENSES".

sábado, 17 de dezembro de 2011

Candelária abandonada!

Atenção Victor Vale!
O CONACAN tem que tomar uma posição urgente sobre a falta de caixa eletrônico no conjunto Candelária, desde o dia 7 passado, após o arrombamento da máquina que funcionava na botica da Av. Prudente de Morais, aliás, digo farmácia Globo, pertencente uma poderosa rede potiguar de vendas de medicamentos. No Carrefour, só funciona a máquina do Banco 24 horas, onde se paga uma taxa de acordo com o saque. O CONACAN poderia tratar do assunto com a Superintendência estadual do BB, que funciona na agência centro, Cidade Alta.  A agência do Natal Shoping está ficando superlotada e saturada.
Até hoje, 17, nenhum vereador abordou o problema na Câmara.
Outro problema: a superfície da rua Bento Gonçalves ficou quase a mesma da calçada de pedestres, na frente da Escola Estadual Walfredo Gurgel. Motivo: o último recapeamento asfáltico subiu o nível do pavimento e acabou com a calha de escoamento das águas (aquela área ao lado do meio-fio foi suprimida pelo asfalto), provocando empoçamentos. Parecido com o empoçamento na esquina da rua Princesa Leopoldina com a Bento Gonçalves.
Mais: as duas lombadas retudoras de velocidade dos carros, perto da parada de ônibus, impedem o escoamento das águas de chuvas, nos dois lados da rua Bento Gonçalves. Cabe a Secretaria de Serviços Urbanos, através do setor de obras, corrigir o defeito, já reconhecido por um engenheiro que supervisionou o trabalho do pedreiro sr. Manoel. Este blogue denunciou o problema, mas nenhuma providência foi tomada.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Saiba porque os chineses estão comprando o ferro da Serra da Formiga/Jucurutu/RN.

Brasília, 10.12.2011

Amigos.

Estive no Rio de Janeiro assistindo palestra do prof. Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES. Veemente como sempre não mede palavras quando o assunto é nacionalismo e desvios da política exportadora brasileira. Realmente o Brasil não abandonou sua política de exportar, por exemplo, matéria-prima, matéria crua etc. o que faz a riqueza de muitas nações mundo afora. Essas reservas da China em torno de US$3.200 trilhões! Essas reservas seriam também brasileiras, dadas de mãos beijadas em nome de certas "mazelas" diplomáticas?! Neste espaço e neste ambiente e progresso democráticos que vivenciamos, seria excelente o nosso Governo tornar bem mais transparente a política exportadora do Brasil, inclusive alguns detalhes mais da política externa brasileira, calada, taciturna, desde 01.01.11. O eleitorado exige.  Conceição Tavares estava também presente às palestras no Hotel Novo Mundo, ela mesmo indignada palestrante. Márcio Pochman, jovem competente presidente do IPEA, foi a grande estrela do encontro sobre a crise econômico-financeira mundial. A seguir, palavras do prof. Carlos Lessa. Abs. 

Francisco de Assis Cortez-Gomes

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> BARBAS DE MOLHO -  Colunista Carlos Lessa

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> Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.
> Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc).
> Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China.
> Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil.
> A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.
> O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está "favelizada".
> Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico.
> Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O      salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre.
> Nosso governo fala de uma "nova classe média" e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.
> É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente,  todo um elenco de matérias-primas.
> O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão.
> A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile - com pretensão de se converter na "Singapura" do Pacífico Sul - e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro.
> A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.
> O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de
> Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.
> Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a "economia de mercado". "Casou" com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é        predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente.
> Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China.
> A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.
> Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na "bola da vez" da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.
> O discurso da globalização, a fantasia da "integração competitiva", a ilusão de ser "celeiro do mundo" com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.
> Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do "conto do vigário" chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O bairro Candelária e seus limites.

Graças ao Anuário NATAL - 2010, editado pela Prefeitura Municipal de Natal, administração Micarla de Souza, já sabemos os limites do bairro Candelária, conforme o Mapa 51, página 219 (Fonte: SEMURB-2010). Então, vejamos para acabar com supostas celeumas: Candelária tem limites com Cidade da Esperança (Rua dos Potiguares), Cidade Nova ( RuaProj. nº 01 do Loteramento San Vale), Lagoa Nova ( Rua Raimundo Chaves), Pitimbu (Av. Antoine de Sainbt Exupéry - R. Proj. nº 01 do Lot. Pitimbu) Neópolis (Av. Dão Silveira) e Capim Macio (Av. Salgado Filho). A população de Candelária era de 22.230 mil habitantes em 2009.
Fontes: Semurb e IBGE.
O anuário já está à disposição da população estudantil da rede ensino público do RN, através de suas bibliotecas.
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Timor-Leste – Peacekeeping – State-building e Geopolítica

by OP

Timor-Leste – Peacekeeping – State-building e Geopolítica

Maria Estela de Oliveira Vieira[1]
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Introdução
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Timor-Leste esteve sob a dominação portuguesa durante aproximadamente 450 anos. Está geograficamente encavalitado na linha de fronteira que divide o Sudeste Asiático e a Oceânia. Em 1975, os Estados Unidos da América e a Austrália temiam a influência do comunismo naquela parte do globo. Alegadamente, Suharto foi encorajado a invadir a parte Oriental da Ilha de Timor, e contou com o apoio incondicional da Austrália e dos EUA. Este triunvirato de países não poderia consentir na instalação de um regime que considerava hostil aos seus interesses energéticos (Austrália), territoriais e matérias-primas (Indonésia) e geoestratégicos (EUA) no Pacífico Asiático. Em linhas gerais, eis a matriz bipolar que durante a Guerra-Fria foi favorável à ocupação hostil de Timor-Leste. Em 7 de Dezembro de 1975, a Indonésia ocupava a parte oriental da ilha que poucos dias antes proclamava a sua independência.
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O movimento de resistência (guerrilha), a Igreja Católica, as NU (que juridicamente nunca reconheceram a ocupação Indonésia) e o esforço diplomático de Portugal foram, a par do massacre de Santa Cruz em 1991 – ‘CNN effect’ e da crise financeira de 1998, os elementos-chave que levariam ao referendo sobre a autodeterminação (1999) e posterior independência (2002) do jovem Estado de Timor-Leste, tendo por referência um milieu geopolítico multipolar, instável, complexo e interdependente.
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O presente trabalho tem como objectivo analisar o esforço supramencionado que levou uma “nação” ao seu desígnio de constituir-se como um Estado, passando pelos acordos de Nova York que definiram o conceito multilateral de acção das NU, em particular, e da comunidade internacional, em geral, do peacekeeping ao state building que permitiria o exercício de autodeterminação numa moldura de geometria variável nos fora internacionais, como por exemplo a CPLP, ASEAN (onde Timor-Leste tem o estatuto de observador), inter alia.
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A partir de uma contextualização geopolítica anterior a 1999 e posterior a 2002, pretendemos fazer uma análise descritiva das missões das NU, do peacekeeping ao peacebuilding de forma a podermos responder às questões. Em que medida as operações das NU contribuíram para o exercício da autodeterminação em Timor-Leste? Será Timor-Leste um estado sustentável? Este trabalho é longitudinal diacrónico, compreendendo um período que vai de 1975 até aos nossos dias, com particular enfoque no período de 1999 a 2006. O seu carácter descritivo permite um maior alcance analítico.
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CAPÍTULO I
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Timor-Leste
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O Neo-colonialismo indonésio
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O processo atabalhoado de descolonização que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, exacerbou por todo o império guerras de resistência à jovem democracia portuguesa, vislumbrando a independência, e que viriam a culminar em guerras civis que se prolongaram durante demasiado tempo e que devastaram os respectivos países. (Smith. 2001: 28).
O que nos interessa analisar agora é o caso de Timor-Leste, e que foi um caso atípico porque não houve resistência armada à presença portuguesa. Depois da capitulação Nipónica no fim da II Guerra Mundial, consideramos dignas de menção as rivalidades entre a UDT – “a right-of-center party representing commercial and landed classes” e a FRETILIN – “modelled on African-Marxist movements” (Smith. 2001: 28) que seriam aproveitadas pela invasão Indonésia com o apoio da Austrália e dos EUA (Machado), após um processo eleitoral conduzido pela administração portuguesa. A FRETILIN ganha as eleições, 55% dos votos, “with promisses of land reforms, the creation of cooperatives, economic self reliance and education” (Smith 2001: 26). Estes dois movimentos defendiam a independência e o seu desentendimen to levou à guerra civil. Havia ainda um grupo minoritário, a APODETI, que defendia a integração na Indonésia. -- A invasão da Indonésia agradou aos EUA porque eliminaria o perigo comunista da região e a cobiça Indonésia de dominar aquele território “rico em recursos naturais, especialmente o petróleo” (Machado), daí a política de aculturação seguida por Suharto. No entanto, “os jovens timorenses que o regime indonésio educou foram os que se opuseram à sua presença” (Machado). -- O modelo adoptado pela Indonésia face a Timor-Leste foi o de uma “sobranceria tipicamente colonialista”. A Indonésia implementou em Timor-Leste tudo o que de negativo teve o regime colonial: execuções em massa, destruição de aldeias revoltosas, deportações, confiscação de terras, exploração de mão-de-obra barata, perseguição, prisão, assassinato e tortura de dirigentes ou suspeitos de Resistência” (Machado). Reduz os timorenses a uma pobreza extrema e pro cura apagar a sua identidade, que é consistente com Garcia (2003), quando se afirma que a Indonésia se deixou conduzir apenas por imperativos económicos. (Machado). No país do sândalo, a produção do café decresceu 90%. Privilegiou-se a exploração do mármore e do petróleo, negócios francamente lucrativos para Jacarta. Esta política de Suharto iria exacerbar o conflito que consideramos assumirem a moldura conceptual desenhada por Bloomfield e Reilly, como veremos no ponto seguinte. -- A Indonésia ignora todas as resoluções da ONU antes do acordo de 5 de Maio de 1999 e considerou legalmente o resultado do referendo de 1999. Refira-se ainda que as milícias, apoiadas pelos militares pro-Jacarta, iniciaram uma onda de violência e novos massacres. A intervenção das NU, antes e no quadro das operações militares e de policiamento que se seguiram, desempenharam um papel fundamental na resolução do conflito, tal como teremos a oportunidade de verificar com o presente trabalho. -- Sobre a origem dos conflitos -- Segundo Bloomfield e Reilly, os conflitos civis, sob a forma de guerras civis, inter alia, sendo considerados novos tipos de conflitos, têm sido amplamente debatidos. Estão subjacentes dois elementos: i) identidade: mobilidade de povos cuja argamassa é a religião, raça, língua, cultura; ii) distribuição e partilha dos recursos económicos, sociais e políticos disponíveis. Estes conflitos emergem da percepção que grupos distintos têm da distribuição desigual da riqueza: “the combination of potent indentity-based factores with wider perceptions of economic and social injustice often fuels what we call ‘deep-rooted conflict’. Importa ter presente que há ameaças diversas e que, portanto, alteram a natureza dos conflitos. Embora sejam guerras menores do que as que se verificavam no passado, elas “flourish with much greater intensity”, porque i) está subjacente um profundo significado que é atribuído pelos combatentes; ii) proliferação e ágil distribuição de armas letais contribuíram para um crescimento exponencial da intensidade de conflitos identitários. Importa ainda referir que conflitos internos identitários podem estar em estado de latência e “outbursts of sustained violence” durante longos períodos, e provocam sofrimento humano em grande escala (invoquemos os casos das limpezas étnicas levadas a cabo na Bósnia na década de 1990; e, Timor-Leste onde, embora apresente uma moldura identitária diferente, é também levada a cabo uma política de esmagamento do povo maubere. No longo prazo, a sociedade é militarizada pelo facto de a violência ser aceite e institucionalizada. Este aspecto constitui o recorte do caso dos guerrilheiros que resistem à ocupação indonésia, e que veremos mais à frente.

A crise do capitalismo criado pelos oligarcas do capitalismo.

Abraspas:

Prezados,
Segue artigo.
AB
   A crise acaba com o capitalismo?
Adriano Benayon * – 30.11.2011 
Ninguém que tenha apreço pelo bem-comum suporta o capitalismo, sistema cuja característica é não estabelecer limite algum à concentração da economia por grupos privados.   
2. Eliminá-lo não implica, porém, excluir a propriedade privada dos meios de produção. Esta pode existir em sistema não-capitalista, se não estiver cartelizando os  mercados e não ocupar setores de grande porte, como a infra-estrutura e as indústrias de base, nem atividades estratégicas, como bancos, inteligência e defesa. 
3. O que não é realista é falar em acabar com o domínio capitalista, que envolve seu corolário imperialista, sem desmontar as bases de seu poder. Para afastar ressurgimento daquele domínio, a sociedade, através do Estado, tem que manter a vontade de impedir a concentração do capital e dispor dos meios para isso.  
4. Do contrário, não se extingue a opressão concentradora e saqueadora, nem o controle total do processo político pela oligarquia, como ocorre nas principais sedes imperais (anglo-americanas), nos satélites europeus e asiáticos, e em áreas de dominação colonial, entre as quais o Brasil.  
5. A essa tirania global, a oligarquia dá nomes enganosos, como “nova ordem mundial”, “governança global”. Totalitária, fala em democracia, enquanto manipula e compra eleições, além de organizar golpes de Estado. Faz intervenções genocidas, dizendo defender direitos humanos.  
6. O capitalismo tem menos virtudes do que lhe atribuem, inclusive  Marx e  seguidores. Como exponho em “Globalização versus Desenvolvimento”, o desenvolvimento econômico e tecnológico dos países que o alcançaram, se deveu à direção do Estado, a investimentos deste e  à  proteção a empresas privadas nacionais, formadoras  da economia de mercado.  
7. Esta não deve ser confundida com a superestrutura concentradora, i.e., o capitalismo. Este a explora e suga, até destruí-la, ao longo do processo de concentração, que acaba com o desenvolvimento,  viável quando e onde a economia de mercado é combinada com a direção do Estado e empresas estatais nos setores em que a concorrência dificilmente pode estar presente.
8. Em suma, os que têm vontade e descortino para trabalhar pelo bem-comum, devem ter consciência que o problema reside na concentração econômica, e que esta tem de ser evitada. Se todos os meios de produção são estatizados também há concentração. 
9. Esta, nas mãos do Estado, teve, entretanto, papel positivo, ao habilitar países grandes, populosos e dotados de recursos naturais, como a Rússia e a China, a liberar-se da espoliação pelo capital estrangeiro e a defender-se de agressões imperiais. Depois, desenvolveu indispensáveis capacidades nucelares e balísticas, e o equilíbrio no poder mundial estabelecido pela União Soviética viabilizou a independência de muitos países, entre os quais a Índia, a Argélia, e a própria China.
10.  Que a União Soviética tenha sido desmembrada e que a China tenha mudado de curso, não altera o fato crucial de esta e a Rússia  serem, hoje, as únicas potências em condições de dissuadir a oligarquia anglo-americana de novas guerras imperiais e genocidas.  
11. A crise provocada pelo capitalismo (o que não é o mesmo que crise capitalista), é imensa e cada vez mais profunda, como ilustra o estoque de US$ 600 trilhões em derivativos, títulos, na maioria, podres.  Além disso, gerou dívidas nacionais imensas, como a dos EUA, bem maior em proporção ao PIB, que a da Grécia após a recente redução da dívida desta.
12. A dívida somente dos EUA, Japão, Reino Unido e União Europeia soma US$ 45 trilhões. Os bancos centrais começam a livrar-se dos títulos do Tesouro dos EUA, e o dólar está desacreditado, por mais que a oligarquia manipule os mercados. Pior, a depressão segue, com  crescente desemprego e perda de proteção social, trazendo miséria e sofrimentos indizíveis a centenas de milhões de pessoas.  
13.  Vários analistas estão escrevendo sobre a crise “do capitalismo”. Sobre esse ponto, as coisas precisam ficar claras. Muitos crêem que a crise possa, por si só, implicar o fim do capitalismo, com a ideia subjacente de que, quando a acumulação capitalista se torna extrema, abrem-se as portas para a revolução que o suprimirá.   
14. Não se trata de consequência inexorável, mas só de  oportunidade, não tão fácil de ser aproveitada, tanto mais que a oligarquia tirânica vale-se, de modo crescente, há mais de um século, de técnicas da psicologia aplicada e de fantásticos meios da tecnologia da (des)informação e da comunicação social, para perverter, desmoralizar e anular a maior parte da humanidade, arrasando, inclusive, culturas nacionais, através desses meios.  
15. Assim, por mais desastrosos que sejam os efeitos da concentração econômica e do aviltamento das condições de vida dos povos, estes encontram hoje grandes dificuldades para liberar-se, não só devido à incorporação de tecnologia às armas da repressão e das agressões imperiais, mas também devido ao desgaste psicológico e cultural.  
16. Os colapsos financeiros e econômicos criados pelo capitalismo têm sido terríveis para a humanidade, mas não para ele, já que a oligarquia se serve deles para aumentar ainda mais seu poder relativo.  
17. Mais: a História, desde o Século XX, mostra que os casos em que o comando político escapou das mãos da oligarquia imperial, se deram em países onde não havia grande concentração capitalista, mas, sim, contextos de guerra e invasões sofridas por esses países.  Parece também demonstrado não haver casos em que a estrutura econômica tenha sido substituída na vigência do regime político pré-existente.  
18. Voltando à definição do capitalismo, o afastamento dele não implica que o Estado controle todos os meios de produção. Lênin, com a Nova Política Econômica, em 1921, procurou favorecer a economia de mercado, com empresas privadas, sem que o Estado perdesse seu poder político nem o comando da produção (economia).  
19. Alguns julgam que a China encetou, após 1977, o caminho do capitalismo,  de Estado, ou controlado por grupos privados, formados por quadros políticos. Como quer que seja, obteve notáveis progressos econômicos e tecnológicos, e surgiu como superpotência.  
20. Conseguiu-o por não ter chegado à extrema concentração que caracteriza o capitalismo, inclusive mantendo os bancos sob controle estatal,  e por ter assegurado que, apesar da abertura a investimentos diretos estrangeiros (IDEs), a economia não passasse ao comando das transnacionais.  
21. Estabeleceu e fez cumprir regras estritas para absorver capital e tecnologia. Esse feito, sem precedentes, deveu-se ao sistema político com direção centralizada, a salvo de eleições manipuladas pelo dinheiro.
22. Os outros únicos países que haviam logrado incorporar significativamente tecnologia estrangeira em suas empresas foram  Japão,  Coréia do Sul e Taiwan, para o que desestimularam os IDEs e assim evitaram entrada expressiva deles em seus mercados, impondo, ao contrário, contratos de transferência de tecnologia.  
23. A China conta com empresas nacionais de ponta em todos os setores, enquanto o Brasil quase já não tem marcas nacionais, pois entregou seus mercados às transnacionais, dando-lhes capital, e pagando por tecnologia jamais adquirida. Aqui prevalece o fetiche da falsa democracia, importada das potências imperiais, que promoveram os golpes de  1945,  1954 e 1964, com o apoio da mídia e da “União Democrática Nacional”  - UDN, através  de militares doutrinados com o “espectro do comunismo”.  
24 Após esses golpes, foram instituídos subsídios e retirados óbices ao capital estrangeiro. JK ampliou esses favores. Sob o primeiro governo militar, Roberto Campos fez destroçar o grosso das empresas de capital nacional. Depois, novos subsídios à exportação em benefício das transnacionais (Delfim Netto).  
25. Por meio de fraude em seu texto, a Constituição de 1988 favorece pagamentos da dívida pública inflada por juros e taxas. A seguir, mais crimes contra o País, com os desastrosos Collor (leis de desestatização e Lei Kandir) e FHC. Este fez a União gastar centenas de bilhões de reais para entregar, de graça, fabulosos patrimônios do Estado e das estatais ao capital estrangeiro. Nenhum desses fatores de destruição da economia foi removido por Lula nem pelo atual governo.
*  Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento” - mhtml:{53FBB28F-611B-402A-A4A5-7B03AA60BC02}mid://00000200/!x-usc:mailto:abenayon.df@gmail.com 
Fechaspas. 


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ladrões corujas deixaram pouca coisa.

Os ladrões noturnos, os que só roubam à noite, quando todos dormem, deixaram pouca coisa no local do arrombamento do BB de Candelária, ocorrido ontem. Foi o segundo arrombamento no BB da farmácia Globo de Candelária. O trabalho da perícia do ITEP vai ser grande para analisar, grafologicamente, os dados escritos no caderno de anotações deixado pelos bandidos. Ninguém sabe se é um manual ou um caderno para confundir a polícia.

Foto de Luiz Gonzaga Cortez, 62 anos, ex-editor de Polícia da Tribuna do Norte e ex-repórter de jornais de Natal. 

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ITEP pericia o local do arrombamento.

 

Com acompanhamento de PMs do BOPE potiguar e policiais civis, tiveram que adentrar aos fundos da Lavanderia que funciona vizinho farmácia Globo, em Candelária. A perícia foi meticulosa e todos os objetos encontrados no local foram colocados em sacos plásticos para análises técnicas e investigações. Um morador disse que os ladrões podem ter agido rápidamente, pois deixaram cédulas e pedaços de cédulas espalhados no chão da farmácia. “Deviam estar muitos nervosos, poisnão mexeram em nada na farmácia”, disse uma pessoa que não quis se identificar. O estranho é que não foram achadas tintas no chão nem cédulas meladas de tintas, o que leva a crer que não foram usados explosivos na madrugada de hoje, 07, ou na noite de ontem, 6. Há fortes indicios de que osladrões escalaram a parede(muro) que separam os dois imóveis (farmácia e lavanderia). Chamem Poirot!!!!!!!!!S7303369

O buraco feito na traseira da máquina do BB.

Eis a foto do buraco feito pelos ladrões que, provavelmente, não usaram explosivos para arrombar a máquina e levar o dinheiro do BB de Candelária . Não deixaram os instrumentos de trabalho, apenas um caderno, um boné e poucas cédulas no corretor lateral do prédio vizinho à farmácia Globo. O buraco foi feito exatamente no centro da traseira da máquina do BB, o que levanta a suspeita de que os bandidos conheciam a área. Entraram pela cigarreira ou pela lavandeira? Eis a questão. Cadê os nossos Shelock Holmes para descobrir a autoria do crime? S7303374
Vai demorar muito para o local ser reabilitado pelo Banco do Brasil. Como tapar o buraco? Com uma chapa de aço da largura da parede no interior da farmácia.
Botaram uma lanchonete na frente que recebe clentes desconhecidos de todos os matizes; o local não tem câmeras e alarme presencial. Sem sistema de segurança, o local não comportaria um caixa eletrônico. Hoje , 1º de janeiro de 2012, completa 25 dias do arrombamento. E agora? Na semana passada, assaltaram novamente a casa lotérica. O local virou alvo fácil dos bandidos motoqueiros. Até quando?

Caixa eletrônico do BB.

A foto mostra o estado em que ficou a máquina eletrônica para as operações dos clientes do Banco do Brasil, nas dependências da Drogaria Globo, situada na avenida Prudente de Morais, em Candelária. o arrombamento de ontem ( ou de hoje?) foi o segundo naquele local, pois o primeiro teria ocorrido há oito anos, segundo informações de populares e moradores de Candelária, os principais prejudicados pelos bandidos noturnos. Não se sabe o montante do dinheiro levados pelos ladrões. Foto de Luiz Gonzaga Cortez.

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Ladrões deixaram rascunhos de assaltos?

Foi achado um caderno de anotações que os ladrões do Banco do Brasil de Candelária deixaram  no local do arrombamento. A perícia do ITEP vai analisar os dados e anotações para obter uma possível veracidade nos manuscritos. Foto de Luiz Gonzaga Cortez – repórter aos 62 anos.

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sábado, 3 de dezembro de 2011

ÈPOCA publica reportagem sobre

HISTÓRIA - 02/12/2011 17h20 - Atualizado em 03/12/2011 00h40

As ações da CIA no Brasil

Os arquivos secretos da Marinha revelam como o serviço secreto americano
mantinha informantes infiltrados entre os comunistas brasileiros

LEONEL ROCHA, EUMANO SILVA E LEANDRO LOYOLA

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Manoel (Foto: divulgação)

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selo ultra secreto (Foto: reprodução)

Nos tempos da Guerra Fria, a atuação agressiva dos serviços secretos era um meio de ultrapassar as fronteiras da “cortina de ferro”, expressão usada para designar a divisão do mundo em áreas de influência dos Estados Unidos e da extinta União Soviética. Espiões infiltrados em governos, partidos e grupos armados tiveram participação determinante em muitos fatos históricos daquele período. A aura de mistério em torno dos agentes secretos criou mitos e inspirou o cinema e a literatura policial. Esse ambiente que mistura lendas e segredos de Estado forneceu farto material para denúncias e especulações sobre a influência da Central Intelligence Agency (CIA), o serviço secreto dos Estados Unidos, em acontecimentos relacionados à ditadura militar instalada em 1964.
Os arquivos secretos da Marinha obtidos com exclusividade por ÉPOCA ajudam a entender a nebulosa relação dos governos militares brasileiros com a agência de espionagem americana. Esta segunda reportagem sobre o conteúdo de mais de 2 mil páginas produzidas pelo Centro de Informação da Marinha (Cenimar) torna públicos, pela primeira vez, documentos da ditadura que comprovam o envolvimento direto de agentes da CIA em fatos ocorridos no Brasil antes e depois do golpe de 31 de março. Nos arquivos do Cenimar, a que ÉPOCA teve acesso, aparecem descritos dois casos de aliciamento de militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Partidão”, pela CIA. Um deles, um ano antes da tomada do poder pelos militares, informação que reforça a tese de envolvimento da CIA na preparação do golpe de 1964. Em março de 1963, segundo os documentos, Manoel dos Santos Guerra Júnior, o Guerrinha, militava no PCB quando recebeu a visita de um estrangeiro. De acordo com a versão documentada pelo Cenimar, o desconhecido falava com sotaque e se apresentou como agente da CIA. Sem fazer cerimônias, convidou o dono da casa para trabalhar como informante remunerado da agência americana.
mensagem707 CIA (Foto: reprodução)
Aos 30 anos, Guerra Júnior conhecia o PCB por dentro. Filho de um veterano comunista, tinha contatos com dirigentes estaduais do partido e atuava no comitê universitário. Sua primeira reação à oferta, dizem os documentos, foi dizer não. Em outro encontro, o visitante disse que fez a abordagem porque sabia que Guerra Júnior, em troca de dinheiro, colaborava havia algum tempo com o Cenimar e com o Conselho de Segurança Nacional (CSN), órgão de assessoramento direto do presidente da República. A revelação feita pelo visitante quebrou a resistência do brasileiro, de acordo com o relato do Cenimar. Guerra Júnior, afirma o documento, passou a trabalhar para a CIA com salário mensal de 60 mil cruzeiros, mais o aluguel de um apartamento e um emprego formal.
O caso narrado acima ficou registrado em um relatório de cinco páginas do Cenimar, produzido em 1964 e rebatido à máquina em abril de 1970. Para ter uma ideia do tratamento especial dado a essas informações, trata-se de um dos poucos documentos com tarja de “ultrassecreto” no material do Cenimar. Esses documentos fazem parte de um pacote de papéis identificado como Operação Master. A curiosa história de Guerra Júnior é contada em detalhes no texto produzido pela Marinha. Antes de ser aliciado pela CIA, Guerra Júnior recebia por mês, de acordo com o documento, 10 mil cruzeiros do Conselho de Segurança e 20 mil cruzeiros do Cenimar. Ele se tornou, segundo o Cenimar, um militante comunista e triplo agente secreto. O documento diz que o Cenimar continuou remunerando Guerra Júnior mesmo depois que ele passou a trabalhar para a CIA e para o Conselho de Segurança.
saiba mais
Advogado, Guerra Júnior hoje tem 79 anos e mora num apartamento de classe média em Copacabana, no Rio de Janeiro. Em entrevista a ÉPOCA, ele negou ter sido agente da CIA, do CSN e do Cenimar, embora tenha confirmado o uso do apartamento e o nome de pessoas com as quais mantinha relações. “Estas acusações são um absurdo”, diz Guerra Júnior. “Nunca fui informante e também não é verdade que eu tenha tido emprego no CSN. Estas informações são uma falsificação. Estes relatórios devem ter sido forjados por organizações anticomunistas para justificar a verba que recebiam do exterior”, afirma o advogado. Guerra Júnior diz ter sido integrante do PCB desde os 19 anos, alinhado com as orientações de Luiz Carlos Prestes, como o pai. Afirma ainda que, por causa da militância, esteve preso duas vezes. “Disseram no partido que eu era policial e, por isso, me afastei da militância depois do golpe. Eu me senti ameaçado”, diz.
Ele (agente da CIA) disse que queria informações. Eu disse que não podia fazer o trabalho "
Armênio Guedes, ex-dirigente do PCB
Os documentos da Operação Master reúnem informações sobre o período de 1963 até 1973. As relações do aparato de informação montado pelo regime militar no Brasil com a CIA nessa década permaneceram até hoje obscurecidas pela falta de documentos. O segundo caso relacionado à presença da CIA no Brasil registrado pelos arquivos da Marinha expõe detalhes dessa cooperação. No dia 3 de dezembro de 1972, o Jornal do Brasil publicou uma entrevista de página inteira com um homem de 43 anos que se apresentou como “Agente Carlos” e disse ter sido durante mais de dez anos colaborador direto de Luiz Carlos Prestes, secretário-geral e líder máximo do PCB. Ele afirmou que procurara o jornal para denunciar as “maquinações do Movimento Comunista Internacional”. Sem revelar sua verdadeira identidade, relatou como o PCB funcionava na clandestinidade e deu detalhes sobre as conexões com a União Soviética e com os partidos comunistas da América Latina. Boa parte das declarações do “Agente Carlos” se referia às movimentações de Fued Saad, dirigente do PCB responsável pela seção de relações exteriores do partido, e de Prestes, na época exilado em Moscou. O “Agente Carlos” disse ter-se arrependido da militância comunista depois de duas décadas no partido. Também afirmou que, durante muito tempo, foi assediado para se tornar informante no Brasil da KGB, o serviço secreto soviético. Deu também o nome de dois agentes da KGB no Brasil, Nikolai Blagushin e Victor Yemelin. Quatro dias depois da entrevista, o JB publicou a identidade verdadeira do denunciante. O “Agente Carlos” se chamava Adauto Alves dos Santos, integrante da seção de relações exteriores do PCB e auxiliar direto de Prestes.
“AGENTE CARLOS” Acima, reprodução de reportagem do Jornal do Brasil, de 1972, em que Adauto dos Santos, militante do PCB, denunciava as conexões internacionais do Partidão. Segundo os documentos do Cenimar, a entrevista foi arquitetada com a participação  (Foto: reprodução)
A atitude de Adauto ao buscar o jornal intrigou alguns dirigentes do PCB. Eles suspeitaram que a CIA tivesse participação no aparecimento público do auxiliar de Prestes. Naqueles anos, vários integrantes da cúpula do partido haviam sido procurados por agentes americanos, mas não havia provas da ação da CIA no episódio. Os arquivos da Marinha sugerem que a entrevista do “Agente Carlos” tenha sido orientada pela CIA. No dia 15 de setembro de 1972, um dos principais oficiais do Cenimar enviou ao então diretor do órgão, almirante Joaquim Coutinho Neto, dois documentos sobre a Operação Sombra, ambos relacionados à entrevista de Adauto. Um dos papéis tem o timbre do SNI e a inscrição “Presidência da República”. Em cinco páginas manuscritas, relata a formação de dois grupos de trabalho, um em Brasília e outro no Rio, ambos com representantes do SNI, do Cenimar e da CIA. O grupo do Rio tinha a missão de, entre outras medidas, criar condições para ouvir, com toda a segurança e sigilo, o “elemento infiltrado” pela CIA no Movimento Comunista Internacional (MCI). O homem foi tratado como “Sr. Sombra”. O plano relatado no documento incluía uma entrevista aos meios de comunicação para denunciar as “manobras do MCI”. Foi o que aconteceu nas páginas do Jornal do Brasil menos de três meses depois.
Um relatório preparado para o almirante Coutinho diz que o “informante” foi entrevistado pelo Cenimar na presença de um representante da CIA. O nome de Adauto, ou do “Agente Carlos”, não é citado no documento, mas o cruzamento das informações do Cenimar com a reportagem do Jornal do Brasil sugere que se trata da mesma pessoa. As referências ao comunismo internacional, à política latino-americana e ao comunista Fued Saad e à KGB são coincidentes. O “informante” também fala ao Cenimar de Nikolai Blagushin e Victor Yemelin, os dois soviéticos que mantinham contato com o PCB no Brasil.
ELE DISSE NÃO Armênio Guedes em sua casa, em São Paulo. Ele afirma que recebeu proposta para ser informante da CIA. Rejeitou. Depois foi enviado ao Chile pelo PCB  (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA  )
A aparição pública de Adauto cumpriu um cronograma recusado por outros comunistas. Um dirigente do partido, Armênio Guedes, hoje com 88 anos e residente em São Paulo, diz que certa vez foi procurado por um sujeito com aparência de latino que, na opinião dele, era da CIA. “Ele me disse que sabia de minhas divergências com a ala do partido que defendia a luta armada e gostaria de informações. Assustado, eu disse que não podia fazer o trabalho. Alguns dias depois, por segurança, a direção do partido me mandou para o Chile”, afirma Guedes. Outro antigo dirigente do PCB, Givaldo Siqueira, afirma que sabia da infiltração da CIA no partido desde antes do golpe. “Os companheiros que eram abordados pela CIA e nos avisavam eram mandados para o exterior, mas não sabíamos de todos que eram procurados”, diz Siqueira.
Um fato ocorrido em 1987 deixou os comunistas ainda mais intrigados. Durante uma comemoração na Embaixada da União Soviética em Brasília pelos 70 anos da revolução russa, o dirigente comunista Salomão Malina reconheceu Adauto dos Santos entre os presentes. Revoltado, Malina pediu aos integrantes do PCB que se retirassem com ele. No dia seguinte, três representantes do partido estiveram na embaixada para pedir explicações. Não tiveram resposta. Na cúpula do “Partidão” ficou a suspeita de que Adauto também fora agente da KGB, além de informante da CIA. ÉPOCA tentou localizar Adauto em Brasília, em seu último endereço conhecido, mas o porteiro do prédio disse que ele não morava mais no local.
OS CANAIS OFICIAIS O presidente Castello Branco (à esq.) cumprimenta o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, em Brasília, em 1964. Gordon sempre sustentou que a atuação dos EUA no  golpe de 1964 resumiu-se a medidas para retirar cidadãos americanos  do Bras (Foto: arq. AE)
O envolvimento dos Estados Unidos com a ditadura brasileira pouco aparece em documentos oficiais. Registros revelam que, desde 1962, a CIA informava o governo americano das movimentações militares e civis contra o governo João Goulart. Os americanos negam ter participado diretamente do golpe que derrubou o presidente João Goulart em 1964 e colocou o marechal Humberto Castello Branco no poder – embora tenham mobilizado navios de guerra e petroleiros rumo ao litoral brasileiro no episódio conhecido como Operação Brother Sam. Numa carta escrita ao historiador Ronaldo Costa Couto, chefe da Casa Civil no governo José Sarney, o embaixador dos EUA no Brasil na ocasião do golpe, Lincoln Gordon, disse que o objetivo da frota era ajudar cidadãos americanos a deixar o Brasil se eclodisse uma guerra civil. “Estes arquivos da Marinha são fundamentais para o esclarecimento do passado recente do Brasil”, afirmou Costa Couto a ÉPOCA.
O historiador americano Peter Kornbluh, analista do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, afirma que até hoje não haviam aparecido documentos com referências diretas à contratação pela CIA de agentes no Brasil. “Sabemos que existiram operações secretas da CIA na América Latina”, afirma Kornbluh. “Mas não conheço documentos que mostrem atividades assim no Brasil.” Os documentos revelados por ÉPOCA, segundo Kornbluh, podem suscitar novas buscas nos arquivos da CIA. “Com esses papéis, podemos tentar desclassificar documentos da CIA (referentes a essas atividades no Brasil)”, diz. Segundo ele, é um processo longo, que pode demorar entre quatro e cinco anos.
A REDE Um dos poucos documentos ultrassecretos do Cenimar afirma que havia uma rede de espionagem da CIA funcionando em território nacional antes do golpe militar de 1964 (Foto: reprodução)

O CONVITE O texto diz que Manoel dos Santos Júnior foi procurado por um estrangeiro e recebeu proposta para trabalhar como informante da CIA no Brasil em março de 1963 (Foto: reprodução)

A ASSOCIAÇÃO Documento do SNI, arquivado no Cenimar, trata da associação  dos serviços secretos brasileiro e americano. Diz o texto: “Organizar dois grupos de trabalho com elementos do SNI, CIA e Cenimar”  (Foto: reprodução)

O SOMBRA Documento do Cenimar para o ministro da Marinha informa sobre a Operação Sombra. A operação foi a entrevista de Adauto dos Santos ao JB, denunciando atividades dos comunistas (Foto: reprodução)

JUNTOS O texto afirma que agentes do Cenimar falaram com Sombra junto com um agente da CIA (Foto: reprodução)

Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970

3 de dezembro de 2011 às 9:11 - 2 Comentários

REDAÇÃO ÉPOCA
A RÉ DILMA – Dilma na sede da Auditoria Militar no Rio de Janeiro, em novembro de 1970. Ao fundo, os oficiais que a interrogavam sobre sua participação na luta armada escondem o rosto com a mão (Foto: Reprodução que consta no processo da Justiça Militar)
A vida quer coragem (Editora Primeiro Plano), do jornalista Ricardo Amaral, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. A foto abaixo, inédita, está no livro que conta a trajetória de Dilma Rousseff da guerrilha ao Planalto. Amaral, que foi assessor da Casa Civil e da campanha presidencial, desencavou a imagem no processo contra Dilma na Justiça Militar. A foto foi tirada em novembro de 1970, quando a hoje presidente da República tinha 22 anos. Após 22 dias de tortura, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Posto Policial tem telefone

Enquanto os telefones públicos estão sumindo, por decisão da concessionária de telefonia - OI -, ou destruídos pelos vândalos e noiados noturnos, o posto policial de Candelária continua funcionando em regime integral e está com uma linha telefônica à disposição da população, através do número 3232.7116. O posto funciona defronte ao Colégio Estadual Walfredo Gurgel e parada de ônibus, na rua Bento Gonçalves, em terreno do CONACAN, que paga as contas de água e energia. O posto foi construído na administração de Nilo Caldas.