sexta-feira, 22 de julho de 2016

Oito mortos em Munique.

Alemanha

Deutsch Welle - 22.07.2016 - 17h57m - Hora do Brasil.

+ Ao vivo: Polícia busca atiradores em Munique +

Tiroteio no shopping Olympia, na capital da Baviera, deixa pelo menos oito mortos e vários feridos, afirmam autoridades. Polícia busca três atiradores foragidos.
O shopping center Olympia, em Munique, foi alvo de um tiroteio nesta sexta-feira (22/07). A polícia confirmou que há pelo menos oito mortos e vários feridos.
Os tiros foram ouvidos pouco antes das 18h no horário local, segundo a polícia. Testemunhas relataram ter visto três atiradores, que conseguiram escapar.
As forças de segurança operam agora um grande esquema para capturar os agressores. As circunstâncias do tiroteio ainda não estão claras.
A polícia sugeriu que os moradores e visitantes de Munique permaneçam em casa ou se abriguem em prédios seguros. Os serviços de transporte público foram completamente suspensos na cidade.
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17h36 – O presidente da Alemanha, Joachim Gauck, condenou o "ataque mortífero em Munique" e prestou apoio àqueles "que estão nas ruas para proteger as pessoas e salvar vidas".
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17h29 – Sobe para oito o número de mortos no ataque, comunicou a polícia no Twitter.
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17h17 – Uma testemunha ouvida pela rede CNN disse que seu filho de 8 anos viu um dos atiradores carregando a arma dentro do banheiro do McDonald's, onde o tiroteio teve início, segundo a polícia. Ela também afirmou que viu crianças sendo feridas no restaurante.
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17h06 – O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziére, que estava a caminho dos Estados Unidos para uma temporada de férias, está voltando para a Alemanha em decorrência do ataque, afirmou a agência de notícias DPA.
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16h58 – A polícia de Munique compartilhou uma ferramenta do Facebook para que as pessoas em Munique comuniquem que estão seguras.
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16h39 – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou seu apoio às autoridades alemãs. "A Alemanha é um dos nossos aliados mais próximos, por isso nos comprometemos a oferecer toda ajuda que necessitarem diantes dessas circunstâncias", disse Obama.
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16h33 – A polícia local corrigiu a informação e disse que são seis mortos no tiroteio. O número de feridos ainda é desconhecido. Um porta-voz afirmou que não há indícios de terrorismo islamista.
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16h26 – Em pronunciamento à imprensa, o porta-voz da polícia Marcus da Gloria Martins confirmou que há pelo menos cinco mortos no ataque.
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16h21 – O shopping center Olympia, localizado numa área residencial da cidade, foi inaugurado em 1972, quando Munique sediou os Jogos Olímpicos.
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16h15 – Em entrevista à agência de notícias AFP, um porta-voz da polícia afirmou que as autoridades trabalham com a suspeita de terrorismo.
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16h05 – Em nota, a polícia de Munique fala em "alto alerta terrorista" na cidade em decorrência do ataque. Para facilitar a operação, as autoridades pedem para que sejam evacuadas todas as rodovias nas proximidades de Munique.
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15h57 – Defensores do grupo terrorista "Estado Islâmico" (EI) falam no Twitter sobre o ataque em Munique. "Que Deus traga prosperidade aos nossos homens do Estado Islâmico", diz uma mensagem em árabe, postada em um perfil que costuma exaltar a milícia. "O Estado Islâmico está se expandindo na Europa", diz outra postagem, também em árabe.
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15h48 – Segundo a agência de notícias AP, um porta-voz da polícia afirmou que testemunhas relataram ter visto três homens com "armas compridas" no ataque à lanchonete McDonald's dentro do shopping. Ele se negou a confirmar, porém, que há pelo menos seis mortos, como diz a imprensa local.
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15h38 – A agência de notícias AFP cita uma fonte policial que afirma que há pelo menos seis mortos no shopping em Munique. Três atiradores estão foragidos, acrescenta a fonte.
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15h29 – A polícia pede para que não sejam divulgados na internet vídeos ou fotos da operação policial em Munique. "Não ajude os agressores", adverte a mensagem no Twitter.
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15h18 – A Deutsche Bahn, companhia que opera o serviço ferroviário na Alemanha, informou que a estação central de Munique foi evacuada. "O serviço de trem foi completamente fechado", acrescentou a empresa. Trens que tinham como destino a capital da Baviera também foram impedidos de entrar na cidade.
Segundo a MVG, operadora do transporte público local, também foram suspensos os serviços de metrô, trem de superfície e ônibus.
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15h14 – No Twitter, a polícia afirma que há relatos de mais violência e um possível tiroteio no centro de Munique. "A situação não está clara. Por favor, evitem áreas públicas", diz a mensagem.
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15h09 – Claudia Kuenzel, porta-voz da polícia de Munique, reiterou à agência de notícias AP que "o atirador ou os atiradores ainda estão em fuga", dentro do shopping ou nos arredores.
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14h59 – No Facebook, a polícia de Munique divulgou uma nota dizendo que o número de vítimas ainda permanece incerto e que testemunhas relataram ter visto três pessoas diferentes portando armas. Ninguém foi preso. As autoridades ainda pedem para que nenhum morador do perímetro urbano saia de casa.
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14h54 – Funcionários do shopping ainda estão no local, segundo informou um trabalhador à agência de notícias Reuters por telefone. "Ouvimos muitos tiros. Não sei dizer quantos, mas foram muitos", disse. "Não temos mais informações, estamos esperando nos fundos, nas despensas. A polícia ainda não veio até aqui."
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14h46 – Segundo a NTV, o secretário do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, afirmou que há pelo menos três mortos. Uma porta-voz da polícia de Munique fala em vários mortos e feridos.
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14h39 – A emissora NTV informa que as forças especiais de segurança alemãs chegaram ao local. Segundo uma porta-voz da polícia, acredita-se agora que há mais de um atirador envolvido. Ninguém foi detido.
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14h36 – O porta-voz do departamento de políciaThomas Baumann declarou que o tiroteio teve início num restaurante dentro do shopping por volta das 17h52, no horário local de Munique (12h52 em Brasília). Segundo ele, não está claro se houve um ou mais atiradores.
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14h31 – Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, o sistema de transporte público em Munique foi interrompido.
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14h28 – No Twitter, a polícia local pede para que as pessoas evitem lugares públicos na cidade. "A situação ainda está confusa", diz a mensagem.
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14h24 – As agências internacionais citam um porta-voz da polícia, que fala sobre a possibilidade de vários agressores em fuga.
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14h13 – A polícia de Munique, no Twitter, informa que há vários feridos, mas não cita mortos.

sábado, 16 de julho de 2016

Por que a França tem sido alvo de tantos ataques?

  • Há 7 horas
Pessoas prestam homenagem a vítimas de ataque com caminhão na Promenade des AnglaisImage copyrightFOTO: EPA
Image captionSó em 2015, atentados extremistas mataram 149 pessoas na França
A França é um dos países ocidentais que mais têm sido alvo de atentados ligados ao radicalismo islâmico nos últimos tempos. Apenas em 2015, o terrorismo matou 149 pessoas e deixou centenas de feridos, segundo dados do parlamento francês.
Isso sem contar os vários projetos de atentados interceptados a tempo pelos serviços de inteligência do país: mais de dez desde os ataques de janeiro de 2015, de acordo com as autoridades.
Em março deste ano, por exemplo, a polícia prendeu um suspeito nos arredores de Paris que detinha um importante arsenal de armas de guerra, dezenas de quilos de material explosivo e milhares de bolinhas de aço, que ampliam o impacto destrutor de bombas.
Na noite desta sexta-feira, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou que o autor do atentado na noite de quinta-feira em Nice, o franco-tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, "é, sem dúvida, ligado ao islamismo radical". Na manhã deste sábado o grupo autointitulado Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela atrocidade.
"A França é hoje, claramente, o país mais ameaçado. Um dos números da revista em francês do Estado Islâmico, Dar al Islam, tinha a manchete: 'Que Alá amaldiçoe a França'", afirmou Patrick Calvar, diretor-geral do Departamento Geral de Segurança Interna (DGSI) da França, o serviço de inteligência do país, a uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os atentados de 2015.
Operação policial francesa em EstrasburgoImage copyrightAP
Image captionPolícia francesa diz ter frustrado uma série de possíveis atentados nos últimos meses
Há várias razões que explicam por que a França se tornou um alvo constante de ataques.
A primeira delas são as recentes operações militares em países como a Síria e o Iraque, contra o Estado Islâmico, e no Mali, que também visam radicais islâmicos.
Outra razão é o fato de a França ter a maior comunidade muçulmana da Europa, estimada em 6 milhões de pessoas, o que corresponde a quase 10% de sua população.
Essa população imigrante ou nascida na França de origem estrangeira sofre há décadas problemas de integração e é, em boa parte, desfavorecida socialmente.
Residem em áreas que concentram uma população imigrante de baixa renda, o que cria verdadeiros guetos e favorece o comunitarismo, acirrando o sentimento de exclusão social.
Nessas periferias consideradas problemáticas, as taxas de desemprego são maiores do que a média nacional.
Enterro de policial morto por militante do Estado Islâmico em junhoImage copyrightEPA
Image captionEnterro de policial morto por militante do Estado Islâmico em junho
Os autores dos últimos atentados e projetos de ataques na França têm um perfil semelhante: fracasso escolar e profissional, com "bicos" ou empregos de baixa qualificação, condenações na Justiça por crimes de violência, tráfico ou roubo. E, em boa parte dos casos, radicalização na prisão.
A França é o país europeu de onde mais saíram jovens para se aliar ao Estado Islâmico na Síria ou no Iraque.
Segundo o governo, cerca de 1,8 mil franceses estariam implicados em movimentos jihadistas nos dois países. Em torno de 600 ainda estariam neles. Desse total, mais de 200 são mulheres, número que vem crescendo nos últimos meses.
Durante muito tempo, inclusive após os atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e o supermercado judaico, em janeiro de 2015, clérigos muçulmanos ainda faziam livremente discursos considerados radicais.
Impacto de balas pode ser visto em vidro de caminhão usado em ataqueImage copyrightFOTO: REUTERS
Image captionEstado Islâmico assumiu atentado em Nice

Lei da laicidade

O modelo do multiculturalismo adotado em outros países europeus não é aplicado na França em razão da lei da laicidade, de 1905, que determina a separação entre o Estado e a Igreja.
Dessa forma, o Estado francês não pode oferecer serviços públicos específicos para determinada comunidade religiosa ou financiar a construção de mesquitas.
Foi com base nessa lei que foi aprovada, em 2004, a proibição de usar símbolos religiosos nas escolas públicas ou ainda, em 2010, o uso do niqab (véu islâmico que deixa apenas os olhos à mostra). Orações em grupo nas ruas foram proibidas em 2011.
Quando essas leis foram aprovadas no país, líderes de grupos islâmicos radicais proferiram ameaças contra o país.
A lei da laicidade sempre suscita discussões polêmicas na França, como a questão de servir ou não carne de porco (não consumida por muçulmanos) nas cantinas escolares.
A cultura laica do Estado francês é utilizada por radicais islâmicos como uma espécie de arma de propaganda para reafirmar a identidade muçulmana e reforçar, ao mesmo tempo, o sentimento de exclusão de muitos jovens.
"Nós sabemos que o Estado Islâmico planeja novos ataques e que a França é claramente visada", ressaltou Calvar aos parlamentares.