sexta-feira, 13 de abril de 2012


Cidades
Edição de sexta-feira, 13 de abril de 2012 
Castim critica patrulhamento inteligente
Para ex-secretário de Segurança, modelo deve apenas complementar policiamento ostensivo
Paulo de Sousa

O advogado e ex-secretário de Segurança Pública do RN, Carlos Castim, faz duras críticas ao chamado "patrulhamento inteligente". A prática é usada como justificativa pelo coronel PM Francisco Araújo Silva, comandante da Polícia Militar potiguar, pela aparente falta de viaturas nas ruas de Natal verificada pela equipe do DN em matéria publicada na sexta-feira da semana passada. Para Castim, a eficácia dessa modalidade de policiamento "deveria ser comprovada por meio de números. Acontece, porém, que não temos visto resultados. Pelo contrário, a população tem sentido um aumento acentuado nos assaltos". Ele diz que esse tipo de patrulhamento não pode substituir o ostensivo permanente.


Carlos Castin - ex-titular da Sesed. Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
Carlos Castim esteve à frente da Sesed por dezessete meses na gestão da ex-governadora Wilma de Faria. Para o ex-secretário, o problema da falta de viaturas é uma questão de falta de prioridade do atual governo com a Segurança Pública. "É preciso tratar a Segurança como prioridade para que se pague a locação das viaturas e seja assegurado o policiamento. Não vejo a questão como má vontade do coronel Araújo. Ele é um policial sério e comprometido com o trabalho. Mas isso foge do controle dele, porque a segurança tem sido tratada como política de governo e não de Estado. Se faz necessário pensar em ações planejadas e definitivas, ou nada vai mudar".

No entendimento do advogado, "a presença visual das viaturas nas ruas é importante para que a população tenha a sensação de segurança". Carlos Castim diz entender ainda a importância do chamado "patrulhamento inteligente", no qual o maior número de viaturas é empregado em determinados horários e locais. Mas, na opinião dele, essa modalidade deveria ser apenas um complemento ao policiamento ostensivo. "Vejo como boa a ideia de se intensificar o patrulhamento de viaturas nos corredores bancários. Mas não se pode inverter as coisas. Essa modalidade não pode trazer prejuízo ao policiamento comum".

Na matéria publicada há uma semana pelo DN, também se constatou que reuniões táticas são feitas por unidades da polícia em Natal em locais públicos, como no viaduto da BR 101. Carlos Castim considera que tais reuniões "tem um resultado muito mais pirotécnico que prático, pois são discutidas coisas que poderiam ser repassadas no quartel, sem usar o horário normal de expediente". 

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