Diário do Avoante
Natal, 12 de Agosto de 2012 | Atualizado às 08:44 - Tribuna do Norte.Um rio vivo, soberano e esquecido (final)
Nelson Mattos Filho - avoante1@gmail.com
No nosso passeio fluvial pelas águas históricas dos rios Potengi e Jundiaí, tínhamos o objetivo de chegar até a cidade de Macaíba, mas infelizmente não pudemos cumprir a promessa. Não foi falta de vontade e nem desinteresse em prosseguir navegando em meio aos canais estreitos cercado de mata histórica. Apenas seguimos a regra da virada da maré, tão importante para quem faz navegação em rios.
Ao atracarmos no pequeno fundeadouro do Museu Ferreiro Torto a maré já estava com 45 minutos de vazante. Como Macaíba estava um pouco mais a frente, resolvemos dar meia volta. Mas antes de fazer o rumo de volta, desembarcamos no pequeno píer secular para registrar o feito e descansar um pouco em meio ao silêncio fascinante.
Foi realmente um passeio para ficar gravado na memória e refletir um pouco sobre os descaminhos dos nossos mananciais de história. Belas paisagens jogadas ao relento e abandonadas a própria sorte. Florestas de mangues sobrevivendo apenas da força suprema da natureza e encobrindo serias agressões ambientais. Despovoamento de peixes, crustáceos e mariscos sem nenhuma intenção de ser detido. Uma fonte interminável e rica do mais belo turismo renegada ao esquecimento e escondida a sete chaves.
Onde será que está a cabeça dos nossos administradores do turismo? Deve ser nos milionários vôos para apresentar o Estado no exterior. Deve ser nos intermináveis workshops sem nenhum objetivo concreto. Deve ser nas páginas e colunas sociais. Deve ser na fomentação do ego. Deve ser num monte de coisas, mas nunca no verdadeiro compromisso com o desenvolvimento do turismo. O Rio Potengi e uma mostra disso.
Os defensores do meio ambiente também têm sua parte no bolo falimentar da história e aprisionamento das belezas naturais do Potengi. Pois de tanto proibir o uso, de tanto criar dificuldades, de tanta burocracia sem sentido, conseguem afastar dos olhos da população tanta coisa bonita. Se o visitante e a população não consegue ver como é que vai cobrar? Preservação passa muito distante de proibição.
Os governantes, esse eu acho melhor deixá-los sem os devidos comentários. O Potengi do presente não tem lugar na história deles.
No retorno ancoramos numa larga enseada do rio para comemorar o passeio. Um lugar a esmo com os cheiros e as cores da natureza, onde pudemos festejar o congraçamento com aquele rio tão esquecido. Mergulhamos em suas águas, sem nenhum receio, apenas para provar que o aquele rio merece todo nosso respeito.
Lenda! Todo rio tem uma lenda, mas o nosso não. Poderia até ser que tivesse em outros tempos, porém deve ter se perdido pelos escaninhos da história. Nem a mãe d'água, de tantos encantos e mistérios, povoa o Potengi. Onde já se viu um rio sem lendas. E a serpente devoradora de homens? Também não!
Na volta para o clube viemos com a certeza de termos resgatado um pouco da história do Rio Grande do Norte. Uma história que precisa ser contada e vivida em toda sua essência. Uma história abandonada de propósito e jogada na lama. Uma história recheada com as mais belas paisagens patrocinadas pela natureza. Uma história escondida e que precisa ser desnudada.
O Potengi é um poço profundo do mais rico turismo histórico e ecológico. Suas águas falam por si e em suas margens desfilam maravilhas. O que será que está faltando! Falta o tão propalado interesse público, que de público não tem nada.
Falta os distintos homens do turismo abandonarem os gabinetes e esquecerem as poltronas dos vôos internacionais com a desculpa de vender o Estado lá fora. Volto a dizer que: Se o Potengi fosse europeu ou norte americano a sua história seria outra.
Mas vou pedir desculpas a você leitor, por todo esse meu desabafo em prol de uma causa que deveria ser de todos nós. Estamos num mundo em que a palavra preservação está na boca de todos, mas tudo é feito ao contrário, ou pensando em vantagens e promoções pessoais. O nosso passeio pelos rios Potengi e Jundiaí foi uma coisa fantástica e confesso mais uma vez que não esperava ver tanta beleza.
Fico com pena de não poder fazer todo esse percurso no meu Avoante, ancorando em cada esquina desse rio tão belo. Tenho que perdoar os administradores do passado pela falta de visão e pelo crime de ter bloqueado uma navegação tão maravilhosa, pois em nada eles divergem dos administradores de hoje.
O Rio Potengi está ai: Vivo, soberano, pronto para ser visitado e um pouco esquecido.
No nosso passeio fluvial pelas águas históricas dos rios Potengi e Jundiaí, tínhamos o objetivo de chegar até a cidade de Macaíba, mas infelizmente não pudemos cumprir a promessa. Não foi falta de vontade e nem desinteresse em prosseguir navegando em meio aos canais estreitos cercado de mata histórica. Apenas seguimos a regra da virada da maré, tão importante para quem faz navegação em rios.
Ao atracarmos no pequeno fundeadouro do Museu Ferreiro Torto a maré já estava com 45 minutos de vazante. Como Macaíba estava um pouco mais a frente, resolvemos dar meia volta. Mas antes de fazer o rumo de volta, desembarcamos no pequeno píer secular para registrar o feito e descansar um pouco em meio ao silêncio fascinante.
Foi realmente um passeio para ficar gravado na memória e refletir um pouco sobre os descaminhos dos nossos mananciais de história. Belas paisagens jogadas ao relento e abandonadas a própria sorte. Florestas de mangues sobrevivendo apenas da força suprema da natureza e encobrindo serias agressões ambientais. Despovoamento de peixes, crustáceos e mariscos sem nenhuma intenção de ser detido. Uma fonte interminável e rica do mais belo turismo renegada ao esquecimento e escondida a sete chaves.
Onde será que está a cabeça dos nossos administradores do turismo? Deve ser nos milionários vôos para apresentar o Estado no exterior. Deve ser nos intermináveis workshops sem nenhum objetivo concreto. Deve ser nas páginas e colunas sociais. Deve ser na fomentação do ego. Deve ser num monte de coisas, mas nunca no verdadeiro compromisso com o desenvolvimento do turismo. O Rio Potengi e uma mostra disso.
Os defensores do meio ambiente também têm sua parte no bolo falimentar da história e aprisionamento das belezas naturais do Potengi. Pois de tanto proibir o uso, de tanto criar dificuldades, de tanta burocracia sem sentido, conseguem afastar dos olhos da população tanta coisa bonita. Se o visitante e a população não consegue ver como é que vai cobrar? Preservação passa muito distante de proibição.
Os governantes, esse eu acho melhor deixá-los sem os devidos comentários. O Potengi do presente não tem lugar na história deles.
No retorno ancoramos numa larga enseada do rio para comemorar o passeio. Um lugar a esmo com os cheiros e as cores da natureza, onde pudemos festejar o congraçamento com aquele rio tão esquecido. Mergulhamos em suas águas, sem nenhum receio, apenas para provar que o aquele rio merece todo nosso respeito.
Lenda! Todo rio tem uma lenda, mas o nosso não. Poderia até ser que tivesse em outros tempos, porém deve ter se perdido pelos escaninhos da história. Nem a mãe d'água, de tantos encantos e mistérios, povoa o Potengi. Onde já se viu um rio sem lendas. E a serpente devoradora de homens? Também não!
Na volta para o clube viemos com a certeza de termos resgatado um pouco da história do Rio Grande do Norte. Uma história que precisa ser contada e vivida em toda sua essência. Uma história abandonada de propósito e jogada na lama. Uma história recheada com as mais belas paisagens patrocinadas pela natureza. Uma história escondida e que precisa ser desnudada.
O Potengi é um poço profundo do mais rico turismo histórico e ecológico. Suas águas falam por si e em suas margens desfilam maravilhas. O que será que está faltando! Falta o tão propalado interesse público, que de público não tem nada.
Falta os distintos homens do turismo abandonarem os gabinetes e esquecerem as poltronas dos vôos internacionais com a desculpa de vender o Estado lá fora. Volto a dizer que: Se o Potengi fosse europeu ou norte americano a sua história seria outra.
Mas vou pedir desculpas a você leitor, por todo esse meu desabafo em prol de uma causa que deveria ser de todos nós. Estamos num mundo em que a palavra preservação está na boca de todos, mas tudo é feito ao contrário, ou pensando em vantagens e promoções pessoais. O nosso passeio pelos rios Potengi e Jundiaí foi uma coisa fantástica e confesso mais uma vez que não esperava ver tanta beleza.
Fico com pena de não poder fazer todo esse percurso no meu Avoante, ancorando em cada esquina desse rio tão belo. Tenho que perdoar os administradores do passado pela falta de visão e pelo crime de ter bloqueado uma navegação tão maravilhosa, pois em nada eles divergem dos administradores de hoje.
O Rio Potengi está ai: Vivo, soberano, pronto para ser visitado e um pouco esquecido.
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Parabéns, sr. Nelson Mattos Filho, pelo sua brilhante, oportuna e real crônica sobre o rio agonizante, abandonada pela casta oligárquica de executivos dos órgãos ligados ao turismo potiguares.
Luiz G. Cortez.
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